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Após dois anos, Lula é aprovado por 45% dos brasileiros

Opinião Pública -

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encerra o segundo ano de seu mandato com a aprovação de 45% dos brasileiros, segundo pesquisa realizada pelo Datafolha em 154 cidades de todas as Unidades da Federação, entre os dias 14 e 17 de dezembro. Reprovam o desempenho do presidente 13%; para 40%, Lula vem tendo um desempenho regular. A margem de erro máxima para o levantamento é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

A avaliação do presidente Lula é similar à obtida por seu antecessor, Fernando Henrique Cardoso, após idêntico tempo de mandato. Em dezembro de 1996, o Datafolha mostrava que Fernando Henrique era aprovado por 47%, reprovado por 12% e considerado regular por 38%. Naquele momento, o peessedebista atingiu aquela que seria a maior taxa de aprovação de seu mandato.

Lula repete, hoje, taxa de aprovação idêntica à verificada em agosto de 2003. Hoje, como naquela ocasião, trata-se da maior taxa de aprovação ao governo do petista. A diferença é que, em agosto de 2003, a reprovação ao presidente era ligeiramente menor (10%).

Apesar da semelhança quanto às avaliações, para 54% dos brasileiros Lula está fazendo um governo melhor do que o de Fernando Henrique Cardoso; para 26% ele está fazendo um governo igual e para 16% ele vem tendo um desempenho pior do que o de seu antecessor.

Itamar Franco, que assumiu definitivamente a Presidência em 2 de outubro de 1992, e entregou o cargo a Fernando Henrique Cardoso em 1º de janeiro de 1995, era, após dois anos de governo, aprovado por 32% e reprovado por 13% dos brasileiros. Àquela altura, 49% consideravam o desempenho do presidente regular.

Em fevereiro de 1992, dois anos após o início de seu governo, e poucos meses após ser afastado da Presidência através de um impeachment, Fernando Collor de Mello era reprovado por 48% dos brasileiros, percentual significativamente superior ao de brasileiros que o aprovavam (15%). Para 35% ele estava fazendo um governo regular.

Fernando Henrique Cardoso também tinha um índice de reprovação maior do que o de aprovação após dois anos do segundo mandato, embora a diferença não fosse tão expressiva. Em dezembro de 2000, o peessedebista era reprovado por 35% e aprovado por 24% dos brasileiros; para 39% seu governo vinha sendo regular.

O atual índice de aprovação ao presidente Lula representa uma recuperação de sua popularidade entre os brasileiros, quando se leva em conta pesquisa do Datafolha em todo o país realizada entre os dias 17 e 19 agosto deste ano. Naquela ocasião, o presidente tinha recebido a menor taxa de aprovação de seu mandato, 35%, dez pontos inferior à registrada hoje. A taxa de reprovação era de 17% (quatro pontos maior do que a verificada hoje), e a dos que consideravam o presidente regular, de 45% (cinco pontos maior).

A aprovação ao presidente aumentou especialmente entre os brasileiros com nível superior de escolaridade (de 30% em agosto para 47% para hoje) e entre aqueles que têm renda familiar mensal acima de dez salários mínimos (de 36% para 50%). Entre os moradores do Nordeste, a aprovação a Lula passou de 36% em agosto para 51% hoje. Nas cidades localizadas no interior, a aprovação ao presidente é de 48% (12 pontos maior do que a verificada em agosto); nas cidades localizadas em regiões metropolitanas essa taxa é de 40% (sete pontos maior do que a registrada na pesquisa anterior).

Levando-se em consideração apenas a cidade de São Paulo, onde foi realizada uma pesquisa de avaliação do presidente mais recentemente, em outubro, pouco depois do primeiro turno das eleições municipais, também verifica-se uma queda na reprovação (de 23% para 16%) ao presidente; porém, essa queda não se deve a uma melhora na aprovação, que oscilou negativamente de 40% para 37%, mas a um aumento na taxa de moradores da capital paulista que consideram o desempenho do presidente regular (de 35% para 45%).

A aprovação ao presidente no estado de São Paulo como um todo é de 41%, idêntica à verificada entre os moradores das cidades localizadas na Região Metropolitana (capital excluída); nas cidades do interior, o desempenho de Lula é aprovado por 43%.

Entre os que declaram ter votado em Lula para presidente no segundo turno da eleição de 2002, 55% aprovam o desempenho do candidato pelo qual optaram naquela ocasião. Para 36% ele vem tendo um desempenho regular, e 8% reprovam sua administração. Entre os que declaram ter votado em José Serra para presidente em 2002, 24% aprovam o desempenho de Lula, percentual quase idêntico ao dos que o reprovam (25%); para 51% o presidente vem fazendo um governo regular.

O presidente recebe dos brasileiros, em uma escala de zero a dez, nota média 6,5. Um em cada cinco (20%) dão nota oito ao presidente; para 12% ele merece a nota máxima, e, para 5%, nota zero.

Para 49% Lula fez, até o momento, menos do que esperavam que ele tivesse feito pelo país; para 29% o presidente fez pelo país exatamente o esperado, e na opinião de 19% ele fez mais do que se esperava.

Desemprego continua sendo principal problema, mas aumentam menções a fome, violência e saúde

O desemprego continua sendo considerado o principal problema do país. No entanto, o percentual de brasileiros que o mencionam espontaneamente quando indagados sobre o assunto, que chegou a 49% em março deste ano (recorde durante o governo Lula) é hoje de 36%. Essa queda nas menções ao desemprego reflete o aumento das menções à fome (de 12% para 15%), à violência (de 11% para 14%) e à saúde (de 7% para 10%), entre outros, como principal problema do país.

Da mesma forma, o combate ao desemprego continua sendo considerada a área de pior desempenho do governo Lula, mas por um percentual menor do que o verificado em março: naquela ocasião, 31% apontavam, espontaneamente, o combate ao desemprego como área de pior desempenho do governo, ante 21% que o fazem hoje. O percentual dos que citam a área da segurança pública ou o combate à violência cresceu de 7% para 10% e a taxa dos que citam a questão dos salários aumentou de 2% para 5%. Oscilaram positivamente as taxas do que mencionam a saúde (de 9% para 10%), o combate à fome e à miséria (de 3% para 5%), e a educação (de 3% para 4%).

No que diz respeito à área de melhor desempenho do governo Lula, a pesquisa mostra que as menções ao combate à fome e à miséria atingiram seu mais baixo patamar desde o início do mandato do petista: 15%, sete pontos inferior à registrada em março deste ano. Em março de 2003, após três meses de governo, essa área era considerada a de melhor atuação por 38%. A única área que apresentou variação positiva superior à margem de erro da pesquisa foi a economia, citada hoje por 8% dos brasileiros, ante 5% que o faziam em março passado. As menções à educação (7%) e à saúde (5%) como áreas de melhor desempenho se mantiveram idênticas às registradas na última pesquisa.

Cerca de um terço dos entrevistados não sabe dizer qual é a área em que o governo Lula está se saindo pior (28%, quatro pontos maior do que a verificada em março), nem a que está se saindo melhor (29%, três pontos maior do que a registrada na pesquisa anterior).

Solicitados a opinar duas áreas específicas, a economia e a área social, os brasileiros fazem avaliação similar de ambas, e de maneira muito parecida com a que avaliam o governo Lula de maneira geral.

O desempenho do presidente Lula na área econômica é aprovado por 45%, considerado regular por 38% e reprovado por 13%. Já o desempenho do presidente na área social é aprovado por 44%, definido como regular por 37% e reprovado por 14%.

Para 32% dos brasileiros, os trabalhadores, de um modo geral, têm sido os mais prejudicados pelo governo Lula até o momento. Vêm a seguir como setores considerados mais prejudicados o comércio (11%), o setor de serviços, a agricultura (10%, cada), a Indústria (6%), os políticos (5%) e os bancos (3%).

Os políticos seriam, na opinião de 21%, os mais beneficiados. Vêm a seguir a agricultura (17%), os bancos (15%), a Indústria (12%), os trabalhadores, de modo geral (9%), o comércio (5%), e o setor de serviços (3%).

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