Eleições
 
Tamanho pequeno
Tamanho médio
Tamanho grande


Eleições2002 -  14/05/2002

Lula ganha onze pontos e chega a 43% Serra cai cinco pontos e divide segundo lugar com Garotinho e Ciro Gomes, que permanecem estáveis






O pré-candidato do PT à presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, ganhou onze pontos percentuais em um mês, passando de 32% (taxa que atingiu em pesquisa realizada no dia 9 de abril) para 43% das intenções de voto, mostra pesquisa realizada pelo Datafolha nesta terça-feira, 14 de maio. O pré-candidato do PSDB, José Serra, perdeu cinco pontos percentuais, caindo de 22% para 17% das intenções de voto, e divide agora a vice-liderança com Anthony Garotinho (PSB), que oscilou de 16% para 15%, e Ciro Gomes (PPS), que oscilou de 13% para 14%.

O empate técnico no segundo lugar acontece em virtude da margem de erro da pesquisa, que é de, no máximo, dois pontos percentuais, para mais ou para menos. Assim Serra está um intervalo que vai de 15% a 19%, enquanto Garotinho pode ter entre 13% e 17% e Ciro Gomes entre 12% e 16% das intenções de voto.

O pré-candidato do PRONA, Enéas Carneiro, manteve os 2% obtidos em abril. A taxa dos que votariam em branco ou anulariam o voto caiu de 8% para 5%, e a dos indecisos oscilou de 6% para 4%.

Foram entrevistados 3410 eleitores em 153 municípios de todo o país.

O crescimento de Lula é atestado por outros resultados da pesquisa. O percentual de brasileiros que dizem, espontaneamente, que pretendem votar em Lula para presidente, cresceu nove pontos, passando de 18% em abril para 27% em maio. Essa é a primeira pergunta feita ao entrevistado, antes da apresentação de cartões circulares com os nomes dos possíveis candidatos; nas simulações de segundo turno o petista vence todos os possíveis oponentes com vantagem entre 18 e 21 pontos percentuais; por fim, a rejeição ao petista caiu de 31% para 27%.
Essa é a primeira pesquisa realizada pelo Datafolha após a divulgação de denúncias que envolviam o economista, empresário e ex-diretor do Banco do Brasil, Ricardo Sérgio de Oliveira, que trabalhou na arrecadação de recursos para campanhas do presidente Fernando Henrique Cardoso e de José Serra no passado recente. O primeiro fato a agitar o cenário político foi uma reportagem publicada pela revista Veja sobre uma suposta cobrança de propina feita por Ricardo Sérgio ao empresário Benjamin Steinbruch durante a privatização da Companhia Vale do Rio Doce em 1997.

Dias depois desse caso vir à público, reportagem da Folha de S. Paulo mostrou que, em 1995, o Banco do Brasil, do qual Ricardo Sérgio era diretor, teria favorecido o empresário Gregorio Marin Preciado, um dos doadores de campanha de Serra ao Senado em 1994 e sócio do peessedebista em um terreno em São Paulo.

Cerca de metade (53%) dos entrevistados tomou conhecimento das denúncias sobre a suposta propina.

A pesquisa também foi feita sob o impacto dos programas eleitorais do PSDB e do PT, exibidos pelas emissoras de rádio e TV na semana passada. Lula, no entanto, teve maior tempo de exposição: além do programa de 20 minutos, o petista apareceu, durante os últimos dias, em inserções de 30 segundos durante os intervalos comerciais.

Um terço (30%) dos eleitores brasileiros afirmam ter assistido o programa do petista na TV, o dobro da taxa dos que dizem ter visto o programa de José Serra (15%).

Outro aspecto relevante do cenário político-econômico diz respeito a recomendações, feitas por bancos estrangeiros nas últimas semanas, para que investidores diminuam seus investimentos no Brasil; o fato de uma possível vitória de Lula esteve entre os motivos alegados para esta recomendação.

Chega a 41% o percentual de eleitores brasileiros que afirmam que essas análises não têm nenhuma influência em seu voto para presidente; admitem que seu voto será um pouco influenciado por essas análises 23% e dizem que essas recomendações terão muita influência em seu voto 22%.

Entre os que pretendem votar em Lula a taxa dos que afirmam que essas análises não têm nenhuma influência em seu voto chega a 48%; já entre os potenciais eleitores de Serra chega a 28% os que dizem que as análises dos bancos têm muita influência em sua escolha para a eleição de outubro.


Lula ganha 14 pontos entre as mulheres

Lula ganhou potenciais eleitores em todos os segmentos que permitem comparação com os levantamentos anteriores. Serra caiu na maioria desses segmentos.

O maior ganho de Lula foi no Sul do país: nessa região o petista cresceu 21 pontos, passando de 26% para 47% das intenções de voto. Serra vinha superando Lula entre os brasileiros com mais de 60 anos; foi exatamente nesse segmento que Lula obteve seu segundo maior ganho. Assim, a pesquisa mostra uma inversão de preferências entre os eleitores mais velhos: Lula ganhou 18 pontos nesse estrato, passando de 23% para 41% das intenções de voto, enquanto Serra perdeu 11, caindo de 29% para 18%.

Entre os que têm renda familiar mensal acima de 10 salários mínimos Lula ganhou 17 pontos: foi de 30% para 47%.

O petista continua tendo menos votos entre as mulheres do que entre os homens. No entanto, o petista ganhou 14 pontos entre o eleitorado feminino, passando de 25% para 39%; entre os homens o petista chega a 47%.

A queda de Serra foi mais acentuada, em especial, entre os eleitores mais velhos, como já foi observado acima, nas regiões Norte e Centro-Oeste (caiu dez pontos, indo de 27% para 17%) e Nordeste (caiu de 19% para 12%), entre os que têm renda familiar mensal acima de 10 salários mínimos (perdeu oito pontos, indo de 24% para 16%) e os que estudaram até o 1º grau (de 23% para 17%).

Analisando-se os resultados tendo em vista a avaliação que os entrevistados fazem do governo Fernando Henrique Cardoso, observa-se que Lula ganhou pontos inclusive entre os eleitores que aprovam o desempenho do presidente: nesse estrato o petista passou de 24% para 33% das intenções de voto, enquanto Serra caiu de 33% para 28%. Entre os que consideram Fernando Henrique regular Lula foi de 31% para 41%, enquanto Serra caiu de 23% para 16%. No segmento dos que consideram o desempenho do presidente ruim ou péssimo Lula foi de 40% para 55% das intenções de voto, enquanto Serra foi de 11% para 8%.



Cogitados como substitutos de Serra, Tasso Jereissati atinge 3% e Aécio Neves 2%

O Datafolha testou cinco possíveis cenários para a eleição de outubro. Em dois deles foi considerada a possibilidade de substituição do candidato do PSDB. No entanto, os possíveis substitutos de José Serra tiveram desempenho inferior ao do ex-ministro da Saúde. Sem Serra na disputa o PSDB deixa de disputar o segundo lugar para rivalizar com o pré-candidato do PRONA, Enéas: Aécio Neves atinge 2% e Tasso Jereissati 3% das intenções de voto.

No cenário com Aécio o pré-candidato petista chega a 45%, seguido por Ciro Gomes com e Garotinho com 18% das intenções de voto, cada; no cenário com Tasso, Lula atinge 46% e Garotinho e Ciro Gomes, mais uma vez, empatam numericamente, com 18%.

Em outro cenário, sem o nome de Anthony Garotinho, e que permite comparação com o levantamento anterior, o pré-candidato do PT passou de 37% para 45%; José Serra caiu de 26% para 22% e Ciro Gomes oscilou de 16% para 18%.

Também foi apresentada aos entrevistados um cenário com o nome do empresário e apresentador de televisão Silvio Santos, que tem sido cogitado como possível candidato do PFL à presidência. Esse é o cenário no qual Lula atinge menor percentual. Ainda assim, com 39%, fica bem à frente dos outros candidatos: nessa hipótese, Serra tem 15%, Garotinho 13% e Ciro Gomes 12%. Silvio Santos atinge 10% das intenções de voto.

Na tabela abaixo encontram-se os resultados para os cinco possíveis cenários, apresentados aos entrevistados em cartões circulares:




Cresce rejeição a Serra e Garotinho; cai taxa dos que rejeitam Lula

A taxa dos eleitores brasileiros que dizem que não votariam de jeito nenhum em José Serra para presidente cresceu na mesma proporção em que caiu a taxa de intenção de voto no peessedebista. A rejeição a Serra, que era de 18% em abril, passou a 23%, mostra a pesquisa do Datafolha. Por outro lado, a rejeição a Lula caiu de 31% para 27%. A rejeição a Garotinho também cresceu: foi de 17% para 23%.

O candidato com maior taxa de rejeição continua sendo Enéas: 53% dos eleitores brasileiros não votariam no pré-candidato do PRONA para presidente de jeito nenhum.

Aécio Neves e Silvio Santos são rejeitados por 22% dos eleitores brasileiros, cada, e Tasso Jereissati atinge 21% de rejeição. Ciro Gomes é o candidato que tem menor taxa de rejeição, 17%. Votariam em qualquer um dos pré-candidatos 4% e não votariam em nenhum deles 3%.


Se o segundo turno fosse hoje, Lula venceria Serra, Garotinho, Ciro Gomes e Silvio Santos

Se o segundo turno da eleição para presidente fosse hoje Lula venceria qualquer um de seus possíveis oponentes com relativa folga. Contra Serra a diferença seria de 18 pontos: o petista teria 54% e o peessedebista 36%.

Lula venceria Garotinho por 55% a 34% (19 pontos de diferença), e derrotaria Ciro Gomes, por 54% a 36% (18 pontos de vantagem).

O adversário mais difícil seria Silvio Santos, que atingiria 37%, contra 52% do petista.





São Paulo 14 de maio de 2002.


Enviar página
para um amigo
Metodologia Imprimir Download de
tabelas completas