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| Clipping: 30/10/2009 |
| Notícia: Transporte: Pé na estrada |
| Veiculo: Folha Online - Dinheiro |
| Data: 29/10/2009 |
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da Folha Online
Era 1980 e a Volkswagen lançava um carro quadrado com uma missão nada fácil: substituir o Fusca.
Desenvolvido no Brasil, o Gol foi de letra e não deixou de ser o veículo mais vendido no país desde 1987. Na cabeça de muitos brasileiros, criador e criatura se confundem, e a Volkswagen mantém-se como a montadora mais lembrada por um terço dos entrevistados desde o início da pesquisa Top of Mind, em 1991. Em 2009, a VW teve 33% das citações, um ponto percentual a mais que em 2008.
Segundo o Datafolha, 17% dos entrevistados citaram a marca sem especificar nenhum modelo. Outros 11% disseram que o Gol é a primeira marca que vem à mente. Com a Fiat, isso não ocorre. No total, teve 25%, sendo que 20% não nomearam nenhum carro e 3% apontaram o Palio.
"A imagem do Gol foi construída em cima dos valores da VW, como confiança, resistência e valor de revenda. Tudo isso sempre esteve presente na construção da marca, no produto, na comunicação. Por isso, o consumidor muitas vezes usa uma como referência da outra", explica o gerente-executivo Fabrício Biondo.
Na boleia do caminhão
No de caminhões, a Volkswagen perde para outra conterrânea, a Mercedes-Benz. Ainda que a VW seja citada por 13% dos entrevistados, a Mercedes fica com 25% de lembrança e conquista a sétima vitória do Folha Top of Mind.
Calcula-se que 75% das mercadorias transportadas pelo Brasil viajem em um caminhão. Cerca de 1,8 milhão é da Mercedes. Some-se a isso a presença em 200 eventos anuais, como a Fenatran (o bienal Salão Internacional do Transporte) e a Festa do Carreteiro.
Foram lançados sete modelos neste ano, além de um gerenciador de frota. Oferecido já em outros 20 paí-
ses, o FleetBoard permite saber a localização do caminhão, ajudando a planejar rotas, visita a oficinas e modo de condução para melhorar a economia de combustível.
"É um segmento que busca produtividade a cada centavo", afirma Tânia Silvestri, diretora de marketing e rede da Mercedes.
Sobre duas rodas
De volta ao Folha Top of Mind -só estivera presente em 2002-, a categoria de motos revela que a líder de vendas também é a campeã de lembrança.
Segundo o Datafolha, 61% dos brasileiros respondem Honda, ante 12% que dizem Yamaha. Entre janeiro e agosto, aponta a Abraciclo (associação dos fabricantes de motos), a Honda vendeu 793.372 das 1.015.627 motocicletas comercializadas no país. A Yamaha viu emplacadas 128.159 unidades.
Roberto Akiyama, diretor comercial da Moto Honda da Amazônia, calcula um aumento de 10 pontos percentuais na participação de mercado entre outubro de 2008 e setembro de 2009. "A tendência era cair, com as novas marcas e a crise econômica. Mas nossos 37 anos no Brasil e o cuidado com o cliente final nos ajudaram", acredita ele.
A pesquisa revela que a marca consegue resultados acima da média entre os que têm de 25 a 34 anos (70%) e os que estudaram até o ensino médio (67%), nas regiões Norte e Centro-Oeste (70%) e no interior (64%).
Gastando os pneus
Pela sétima vez, a marca mais lembrada de pneu é a Pirelli -também conquistou o Top Masculino. O percentual atual da Pirelli (42%) é dois pontos superior ao registrado em 2008. A Goodyear aparece na sequência com 9%.
A Pirelli tem uma "afinidade com o público", diz Marco Provera, diretor de marketing da Pirelli América Latina. Ele cita razões práticas -98% das motos e mais da metade dos carros fabricados no Brasil deixam a linha com pneus Pirelli- e emocionais, como seu calendário, que traz modelos famosas semi-nuas. "O investimento é US$ 2,5 milhões, mas o retorno é 40 vezes maior", diz ele.
A meta de ter 40% de produtos ecologicamente corretos até 2011 veio acompanhada da celebração de 80 anos no Brasil. Trouxe ainda uma campanha para celebrar a data, encerrada em junho. Quem comprasse um pneu nas 600 revendas autorizadas concorria a automóveis, motos e até viagens a Milão.
Olho no combustível
Fundamental no transporte, o combustível tem um forte representante na cabeça dos brasileiros: a Petrobras. Com 23%, alcançou seu maior percentual no Top of Mind. A segunda mais lembrada é a Shell, que teve 9%.
A crise econômica cancelou o lançamento de novos produtos. Mas a grande publicidade veio com a descoberta de petróleo no pré-sal.
"O impacto foi alto. A empresa foi muito debatida, o assunto não saiu da mídia", conta Eduardo Felberg, gerente de imagem corporativa e marcas da estatal brasileira.
Segundo a consultoria Booz & Company, a Petrobras foi, em 2007, a 117ª companhia, entre mil, que mais investiu em pesquisa e desenvolvimento em todo o mundo. A empresa também esteve na mídia às voltas com a instalação da CPI, que pretendia investigar supostas manobras contábeis. Segundo Felberg, pesquisas mostram que não houve impacto. Mas, para Carmen Migueles, antropóloga e professora da Fundação Dom Cabral, uma marca também pode ser mais lembrada por algo negativo, como ocorre com as de cigarro.
Ainda que o Datafolha tenha perguntado sobre marca de combustível, 7% dos entrevistados disseram gasolina. Álcool e diesel tiveram 1% cada.
"Combustível é commodity, todos vendem. O segmento tem baixa diferenciação", diz Marcos André Costa, gerente de pesquisa e planejamento da estatal.
Embarque imediato
Sem ter inaugurado nenhuma rota internacional -o trajeto à África do Sul foi adiado- e com sua principal campanha voltada aos 6 milhões de viajantes frequentes, a TAM foi, pela terceira vez consecutiva, a companhia aérea mais lembrada, com seu maior índice até agora: obteve 40%. Só para ter uma ideia, em 1993, quando a categoria começou a fazer parte do Top of Mind, a companhia aérea conquistou apenas 1% de lembrança.
Depois de somar 9 milhões de passagens emitidas, o programa Fidelidade, ao completar 15 anos, associou-se ao Multiplus para aumentar o leque de produtos resgatáveis. Em ação desde junho deste ano, a nova iniciativa já registrou grande procura por eletroportáteis (como cafeteira e ferro a vapor), telefones fixos e celulares e itens de informática (de mouse a iMac).
Na avaliação de Manoela Amaro, diretora de marketing da TAM, a companhia já ocupou o espaço que era da Varig -ainda com 9% de lembrança no Top of Mind. Mais curioso é o caso da Vasp, que deixou de voar em 2005, mas teve 2% das respostas.
"O transporte aéreo ainda não é de massa", diz ela. "Dos 190 milhões de brasileiros, 50 milhões voam." Por isso, se o único voo foi com a Vasp, é ela que será a experiência da vida daquele viajante. |
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