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Ciro chega a 28% e se aproxima de Lula; sem Garotinho, ocorre empate técnico entre os dois candidatos

Eleições -

O candidato da Frente Trabalhista (PPS-PTB-PDT) à presidência, Ciro Gomes, continua em curva ascendente e está a cinco pontos de Luiz Inácio Lula da Silva (da coligação formada por PT - PL - PC do B - PMN - PCB), que, por sua vez, encontra-se em curva descendente, mostra pesquisa realizada pelo Datafolha nesta terça-feira, 30 de julho de 2002.

A pesquisa também mostra o fortalecimento do candidato do PPS no que se refere à intenção de voto espontânea e a um hipotético segundo turno e revela que ele continua sendo o que atinge menor taxa de rejeição.

Ciro tinha 11%, segundo pesquisa realizada no dia 7 de junho; o candidato ganhou sete pontos percentuais em 28 dias, chegando a 18% em levantamento realizado nos dias 4 e 5 de julho, e agora conquista mais dez pontos, atingindo 28% das intenções de voto. Lula tinha atingido 43% em 14 de maio, caiu para 40% na pesquisa de junho, oscilou para 38% no início de julho e, tendo perdido cinco pontos percentuais em relação à pesquisa anterior, chega agora a 33% das intenções de voto.

José Serra (da coligação PSDB - PMDB), que na última pesquisa dividia a segunda colocação com Ciro Gomes, perdeu quatro pontos em relação ao levantamento anterior, caindo de 20% para 16%, e ocupa agora o terceiro lugar. Anthony Garotinho (PSB - PGT - PTC) oscilou de 13% para 11%, ficando na quarta colocação.

O Datafolha ouviu 2477 eleitores brasileiros em 127 cidades do país, e a margem de erro máxima para este levantamento é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, considerando-se o total da amostra.

Em virtude da margem de erro, o real percentual de intenção de voto em Lula situa-se em um intervalo que vai de, no mínimo, 31%, a, no máximo 35%; o candidato do PPS, por sua vez, pode ter entre 26% e 30%.

Zé Maria (PSTU) tem 1%; Rui Costa Pimenta (PCO), embora citado, não chega a atingir essa marca. O percentual de eleitores brasileiros que votariam em branco ou anulariam o voto é de 5%, e a taxa dos que se declaram indecisos é de 6%.

Em uma situação sem Garotinho, cuja renúncia vem sendo cogitada, a pesquisa mostra empate técnico entre Lula, com 35%, e Ciro, com 32%. Nesse cenário José Serra teria 19%.

Também ocorre empate entre Ciro e Lula em uma simulação de segundo turno. Esse empate já tinha sido detectado na pesquisa anterior, mas, dessa vez, a posição dos candidatos se inverte e Ciro, com 48%, fica numericamente à frente de Lula, que tem 44% (na pesquisa anterior Lula tinha 47% e Ciro 44%).

A consistência do crescimento de Ciro também pode ser demonstrada pela evolução da intenção de voto espontânea: o percentual de brasileiros que dizem, espontaneamente, que pretendem votar em Ciro para presidente aumentou dez pontos em relação ao levantamento anterior, passando de 8% para 18%; já a taxa dos que citam espontaneamente Lula caiu de 26% para 23%. José Serra é citado espontaneamente por 6% e Garotinho por 4%. Não declaram voto espontaneamente em nenhum dos candidatos 42%, até o momento a menor taxa na série histórica de pesquisas do Datafolha sobre a eleição presidencial de 2002.

Em eventual segundo turno, Ciro Gomes teria 48% e Lula 44%, resultado significa empate no limite da margem de erro

Se o segundo turno da eleição para presidente fosse hoje, e os candidatos fossem Lula e Ciro Gomes, o candidato do PPS teria 48%, contra 44% do petista. Como na pesquisa anterior, esse resultado representa um empate entre os dois candidatos, mas dessa vez, isso se dá no limite da margem de erro máxima da pesquisa e a possibilidade de que Ciro esteja à frente é maior.

Considerando-se a margem de erro, verifica-se que o real percentual de intenção de voto em Ciro em um hipotético segundo turno contra Lula situa-se em um intervalo que vai de 46%, no mínimo, a 50%, no máximo; o candidato petista, por sua vez, pode ter entre 42% e 46%.

Na pesquisa anterior Lula estava numericamente à frente, com 47% (ou em um intervalo entre 45% e 49%), enquanto Ciro tinha 44% (entre 42% e 46%).

Nota-se que, pesquisa realizada nos dias 25 e 26 de julho de 1994, mostrava, pela primeira vez, o então candidato Fernando Henrique Cardoso à frente de Lula em uma simulação de segundo turno: naquela ocasião o peessedebista atingia 47%, contra 40% do petista.

Caso o adversário de Ciro fosse José Serra a situação do candidato da Frente Trabalhista seria mais tranquila: nessa hipótese, Ciro, com 52% (atingia 45% na pesquisa anterior), venceria o peessedebista, que atingiria 32% (no levantamento anterior essa taxa era de 40%).

Lula venceria Serra, por 50% a 40%, e Garotinho, por 51% a 35%.

Se o segundo turno fosse entre José Serra e Garotinho o peessedebista seria o vitorioso, com 47% do total de votos, contra 32% do ex-governador do Rio de Janeiro.

Rejeição a Garotinho chega a 30%

A taxa dos eleitores brasileiros que dizem que não votariam de jeito nenhum em Lula para presidente oscilou de 32% para 31%. A rejeição a Garotinho, que já tinha aumentado de 22% em junho para 25% no início de julho, chegou a 30%. A taxa dos que rejeitam Serra e Ciro Gomes permaneceram idênticas às obtidas no levantamento anterior: 24% não votariam de jeito nenhum no peessedebista e 14% rejeitam o candidato do PPS.

Zé Maria não receberia o voto, sob nenhuma hipótese, de 40% dos entrevistados (eram 28% na última pesquisa), taxa idêntica à verificada para Rui Costa Pimenta (que, no último levantamento, atingia 25% de rejeição).

Votariam em qualquer um dos pré-candidatos 5% e não votariam em nenhum deles 2%.

Ciro Gomes supera Lula entre eleitores mais escolarizados e de maior renda

A intenção de voto em Ciro Gomes apresentou variação positiva em todos os segmentos do eleitorado passíveis de análise, com destaque para os eleitores de maior renda e mais escolarizados, dois dos segmentos nos quais José Serra teve as maiores variações negativas; Lula, por sua vez, teve sua maior perda entre os eleitores de maior renda. Pela primeira vez o candidato do PPS supera o petista em alguns dos estratos pesquisados.

Entre os eleitores que têm renda familiar mensal acima de 10 salários mínimos a intenção de voto em Ciro cresceu 15 pontos em relação ao levantamento anterior, passando de 27% para 42%, superando Lula, que caiu de 38% para 26%; como já foi mencionado, foi exatamente no segmento dos eleitores de maior renda que Lula teve sua maior perda (variação negativa de doze pontos percentuais).

Entre os que têm renda acima de cinco e até dez salários mínimos Ciro ganhou 18 pontos, crescendo de 22% para 40%, enquanto Lula caiu de 37% para 33%. Além disso, nota-se que, entre os eleitores de maior renda, a intenção de voto espontânea em Ciro chega a 31%, taxa 13 pontos acima da média.

A maior variação positiva para o candidato da Frente Trabalhista ocorreu no Sul: nesta região Ciro ganhou 20 pontos, passando de 17% para 37%, enquanto Lula caiu de 37% para 31%.

Entre os eleitores que aprovam o desempenho do presidente Fernando Henrique Cardoso, Ciro também supera Lula e empata com o candidato governista José Serra: neste estrato Ciro ganhou 11 pontos, passando de 18% para 29%, enquanto Lula caiu de 29% para 21% e Serra de 32% para 27%.

Considerando o partido de preferência do entrevistado verifica-se que Ciro não supera Lula apenas entre os simpatizantes do PT, mais identificados com seu candidato a presidente: o candidato do PPS atinge 45% entre os simpatizantes do PFL, contra 21% de José Serra e 18% de Lula; entre os simpatizantes do PMDB, partido ao qual pertence a candidata a vice-presidente de José Serra, Ciro Gomes atinge 36%, Serra 23% e Lula 22%; entre os simpatizantes de seu partido, o PSDB, Serra tem 41%, mas Ciro Gomes atinge expressivos 33%, e Lula fica com 16%.

Entre os que declaram simpatizar com o PT, 80% votam em Lula, 7% em Ciro, e 5% optam por Serra ou Garotinho.

Ciro empata com Lula em vários dos segmentos pesquisados. Entre as mulheres, estrato que o petista vem tendo dificuldades para conquistar, Ciro tem 28% e Lula 27% das intenções de voto. Entre os homens, por outro lado, Lula, com 40%, supera Ciro, que tem 28%.

Entre os eleitores mais escolarizados ocorre empate técnico entre os dois candidatos, mas Ciro Gomes fica numericamente à frente de Lula: entre os que estudaram até o 2º grau Ciro tem 35% (ganhou 13 pontos) e Lula 31% (perdeu seis), e entre os que chegaram à universidade o candidato da Frente Trabalhista chega a 38% (ganho de 14 pontos) e o petista atinge 34% (mais uma vez, perda de seis).

Nas regiões Norte e Centro-Oeste Ciro ganhou 16 pontos, chegando a 31%, enquanto Lula perdeu nove, ficando com 35%.

José Serra perdeu votos principalmente entre os eleitores mais escolarizados e de maior renda: entre os que têm nível superior de escolaridade, o peessedebista caiu 13 pontos (de 23% para 10%); entre os que têm renda familiar mensal superior a 10 salários mínimos a queda foi de 11 pontos (de 22% para 11%).

São Paulo, 30 de julho de 2002.

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