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Mesmo com desejo de mudança, Dilma Rousseff lidera corrida eleitoral

Eleições -

A presidente Dilma Rousseff (PT) inicia o ano em que tentará a reeleição na liderança das intenções de voto. No atual estágio da corrida eleitoral, o cenário é estável: a preferência pela petista é maior do que a soma das indicações de voto em Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB); a ex-senadora Marina Silva (PSB) permanece como a adversária mais próxima de Dilma nas simulações em que seu nome é apresentado aos entrevistados; e Lula (PT), se disputasse a eleição como candidato petista, seria o favorito para vencer no 1º turno.

Além de repetir simulações de intenção de voto realizadas anteriormente, o Datafolha também apresentou pela primeira vez, neste levantamento, o nome de pré-candidatos de legendas com menor ou nenhuma representação no Congresso Nacional. A entrada desses nomes, porém, não traz alterações significativas à disputa pela Presidência.

No cenário visto hoje como o mais provável de se repetir em outubro, Dilma tem 47% das intenções de voto, ante 17% de Aécio e 12% de Campos. Votariam em branco, nulo ou em nenhum deles 18%, e 6% não souberam opinar. As oscilações na comparação com pesquisa de novembro são pontuais: a petista aparecia com 47%, Aécio, com 19%, e Campos, com 11%.

De forma geral, Dilma tem desempenho acima da média entre os menos escolarizados, os mais pobres, nas regiões Nordeste e Norte/Centro-Oeste, nas menores cidades e entre aqueles que aprovam seu governo. E vai pior entre os mais escolarizados, mais ricos, nas maiores cidades e nas regiões Sul e Sudeste. Neste cenário, por exemplo, a petista fica com 54% da preferência entre os menos escolarizados, deixando Aécio com 15%, e Campos, com 10%. Na faixa dos que estudaram até o ensino superior, Dilma cai para 32%, Aécio vai a 22%, Campos fica com 14%, e a taxa de brancos ou nulo passa de 22% para 27%.

Quando Marina Silva toma o lugar de Campos como nome do PSB à Presidência, Dilma continua à frente, mas com percentual menor (43%), e a ex-senadora do Acre fica com 23% das intenções de voto. Votariam em Aécio, neste caso, 15%, enquanto 14% votariam em branco, nulo ou em nenhum deles. Não souberam responder 5%. Na comparação com Novembro, considerando os mesmos nomes, Dilma oscilou positivamente (tinha 42%), Marina cai (tinha 26%) e Aécio fica estável.

Tendo como adversários Aécio, Campos e Joaquim Barbosa, atual presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), a atual presidente lidera com 42% das indicações de voto. Em seguida aparecem Barbosa (16%), Aécio (14%) e Campos (8%), e repete-se o alto índice de indicações de voto em branco, nulo ou nenhum dos candidatos (14%). Uma fatia de 6% não soube opinar.

Quando a disputa é entre Dilma, Aécio, Barbosa e Marina, a presidente é escolhida por 41%, tendo novamente a ex-senadora do PSB como adversária mais próxima, com 17%. Empatados, logo a seguir, aparecem Barbosa (14%) e Aécio (12%). A taxa dos que votariam em branco, nulo ou em nenhum deles, neste cenário, é de 11%, e 5% não responderam.

Com a inclusão dos nomes de Pastor Everaldo Pereira (PSC), José Maria (PSTU), Eduardo Jorge (PV), Denise Abreu (PEN), Eymael (PSDC), Mauro Iasi (PCB), Levy Fidelix (PRTB) e Randolfe Rodrigues (PSOL), além de Dilma, Campos e Aécio, a petista lidera com 44% das intenções de voto. Destaca-se, nesta simulação, a taxa de 19% de intenções de voto em branco, nulo ou em nenhum dos candidatos, apesar da quantidade de nomes listados. Esse percentual supera a preferência por Aécio, o segundo colocado, que teria 1%. Em seguida aparecem Campos (9%), Pastor Everaldo Pereira (3%), José Maria (1%) e Eduardo Jorge (1%). Uma parcela de 7% não respondeu, e os demais não foram citados ou as menções a seus nomes não atingiram 1%.

O Datafolha também consultou dois cenários com o nome de Lula como candidato do PT, e em ambos o ex-presidente seria favorito para vencer no primeiro turno, se a eleição fosse hoje. Em uma disputa entre ele, Aécio e Campos, o petista teria 54% dos votos, ante 15% do candidato do PSDB, e 9% do governador de Pernambuco. Votariam em branco, nulo ou em nenhum candidato 15%, e 6% não souberam opinar. Contra Marina Silva como nome do PSB, Lula teria 51%, a ex-senadora ficaria com 19%, e Aécio, com 14%. Uma fatia de 11% votaria em branco, nulo ou em nenhum dos candidatos, e 5% não opinaram

Na pesquisa de intenção de voto espontânea, quando os nomes dos candidatos não são apresentados aos respondentes, Dilma Rousseff é citada por 22%, mesmo percentual registrado em novembro de 2013. Além da petista, foram mencionados espontaneamente os nomes de Lula (4%), Aécio (3%), Marina Silva (2%), José Serra (1%), Eduardo Campos (1%) e o atual presidente, sem especificar nome (1%). Metade (49%) dos brasileiros com 16 anos ou mais, porém, não soube indicar nenhum nome, índice similar ao registrado em novembro (50%).

Dilma venceria todos adversários em 2º turno

Líder em todas as simulações de primeiro turno, Dilma Rousseff também aparece à frente de seus adversários em embates diretos, de segundo turno. Contra Marina Silva, na disputa mais apertada, a petista teria 50%, ante 35% da ex-senadora do PSB. Uma fatia de 12% votaria em branco ou anularia, 3% não responderam. Se o adversário fosse Aécio Neves, Dilma teria 54% dos votos, o dobro do tucano (27%). Neste caso, 16% optariam pelo voto em branco ou nulo, e 4% não opinaram. Quando o adversário é Campos, a presidente fica com 55% das intenções de voto, e o governador de Pernambuco, com 23%. Uma parcela de 17% votaria em branco ou nulo, e 4% não responderam.. Contra Joaquim Barbosa, Dilma teria 51%, ante 32% do adversário. Votariam em branco ou nulo 13%, e 4% não opinaram.

Campos, Dilma e Aécio têm maior rejeição

De forma geral, Lula e Dilma são os nomes mais conhecidos pelos brasileiros: 100% dizem conhecer ambos, sendo que, no caso da atual presidente, 62% a conhecem bem, 28% a conhecem um pouco, e 10% a conhecem só de ouvir falar. Candidata a presidente em 2010, a ex-senadora Marina Silva é conhecida por 86%, mas 31% deles a conhecem só de ouvir falar, e 32%, um pouco. O senador Aécio Neves é conhecido por 76%, sendo que 34% o conhecem só de ouvir falar, e os demais o conhecem um pouco (22%) ou muito bem (20%). Em evidência após conduzir o julgamento do processo conhecido como "mensalão", Joaquim Barbosa é conhecido por 63%, sendo que 18% dizem conhecê-lo muito bem, e 17%, um pouco. O menos conhecido nesta lista é Eduardo Campos, conhecido por 55% (destes, 32% o conhecem só de ouvir falar).

Além da taxa de conhecimento, também foi medida a taxa de rejeição a alguns dos nomes especulados para a disputa pela Presidência. Com taxas de rejeição igual aparecem Eduardo Campos, Aécio Neves e Dilma Rousseff, em quem 30% não votariam de jeito nenhum. O presidente do Supremo, Joaquim Barbosa, vem a seguir, com 27% de rejeição, e logo depois aparecem Marina Silva ( 20%) e Lula (17%). Uma parcela de 7% votaria em qualquer um deles, outros 7% não souberam opinar, e 4% rejeitam todos.

A comparação com levantamento realizado em novembro do ano passado mostra um crescimento da rejeição a todos esses nomes, com a exceção de Lula, que apenas oscilou. À época, as taxas de rejeição eram as seguintes: Aécio (26%), Dilma (25%), Campos (24%), Barbosa (22%), Marina Silva (17%) e Lula (16%).

Na parcela dos que estudaram até o ensino fundamental, a rejeição a Dilma fica abaixo da média (21%), mas vai a 45% entre os que estudaram até o ensino superior. O senador Aécio Neves tem rejeição acima da média nas regiões Nordeste (41%) e Norte/Centro-Oeste (35%), mas no Sul esse índice cai para 16%. Situação parecida enfrenta Eduardo Campos, rejeitado por 36% no Nordeste e por 17% no Sul.

Petistas são os mais indicados para realizar mudanças

Dois em cada três brasileiros (67%) preferem que as ações do próximo presidente sejam diferentes das ações de Dilma Rousseff, 28% preferem que sejam iguais, e 5% não opinaram sobre o assunto. Em novembro de 2013, a situação era similar: 66% preferiam ações diferentes, e 28%, ações iguais do próximo presidente.

A preferência por mudanças fica acima da média entre os mais escolarizados (79%), entre aqueles com renda mensal familiar de 5 a 10 salários (78%) e nas cidades com mais de 500 mil habitantes (75%), Já a opção pela continuidade das ações de Dilma fica acima da média entre os menos escolarizados (35%), entre os mais velhos (33%), entre aqueles com renda mensal inferior a 2 salários (32%) e nos municípios menores, com até 50 mil habitantes (34%), ou com população entre 50 e 200 mil pessoas (32%).

Questionados sobrem quem está mais preparado para fazer mudanças no Brasil, 28% optaram pelo nome de Lula, e 19%, pelo de Dilma. Depois dos petistas, os mais indicados foram Joaquim Barbosa (14%), Marina Silva (11%), Aécio Neves (10%) e Eduardo Campos (6%). Para 6%, nenhum deles é o mais preparada, e outros 6% não responderam.

Na parcela dos brasileiros com ensino fundamental e com renda de até 2 salários, fica acima da média (em 34%) o índice dos que apontam Lula como o mais preparado para realizar mudanças no Brasil. Isso também ocorre no Nordeste (39%) e no Norte/Centro-Oeste (34%). Entre os que têm o PT como partido de preferência, as opiniões sobre o assunto se dividem, principalmente, entre Lula (45%) e Dilma (31%). Na fatia dos mais escolarizados, quem se destaca é Joaquim Barbosa, indicado por 27% como o mais preparado para realizar mudanças. Em seguida, nesse estrato, aparecem Marina (18%), Aécio (15%), e só então Lula e Dilma (12% cada). Na região Sul, o nome mais apontado é o de Dilma (26%).

Confira a análise de Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha, e Alessandro Janoni, diretor de pesquisas do Datafolha, sobre a avaliação do governo da presidente Dilma Rousseff e o cenário eleitoral de 2014.

Veja também detalhes sobre a pesquisa de intenção de voto para a corrida presidencial matéria publicada na Folha.

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