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Dilma perde pontos, mas ainda tem vantagem na disputa presidencial

Eleições -

A presidente Dilma Rousseff (PT) caiu na preferência dos brasileiros para a disputa presidencial deste ano, mas ainda lidera todos os cenários avaliados, com grande folga para seus principais adversários. Com índices mais altos do que ela, somente seu companheiro de partido, o ex-presidente Lula, que é também o cabo eleitoral com maior influência positiva dentre uma série de nomes consultados.

A queda das intenções de voto em Dilma não resulta em grande vantagem para os dois principais pré-candidatos de oposição até o momento, Aécio Neves (PSB) e Eduardo Campos (PSB), que oscilaram dentro da margem de erro em todos os cenários pesquisados. A única a crescer foi Marina Silva (PSB), a oponente a mais forte neste momento tanto para Lula quanto para Dilma.

Se a eleição fosse hoje e a disputa se desse entre Dilma Rousseff, Aécio Neves e Eduardo Campos, a petista teria a preferência de 43%, ante de 47% no levantamento anterior. Em seguida aparece o senador mineiro, que tinha 17% e agora aparece com 18%, uma oscilação dentro da margem de erro. O ex-governador de Pernambuco apresentou a mesma tendência e oscilou de 12% para 14%. Há ainda 19% que declaram votar em branco, nulo ou em nenhum deles, e 6% que não opinaram.

Com Marina Silva no lugar de Campos como nome do PSB, Dilma atinge 39% das intenções de voto, com queda de quatro pontos na comparação com fevereiro, quando tinha 43%. A ex-senadora do Acre atinge 27%, em alta na comparação com o levantamento anterior, quando aparecia com 23%, e Aécio Neves oscila de 15% para 16%. Votariam em branco ou nulo 13%, e 6% não opinaram.

No cenário mais completo, com o nome de 10 pré-candidatos, Dilma tem 38% de intenções de voto, ante 44% em fevereiro. Em seguida aparecem Aécio Neves, com 16%, e Eduardo Campos, com 10% (tinham 16% e 9%, respectivamente). O pastor Everaldo Pereira (PSC) tem 2%, ante 3% na última pesquisa. Com 1% aparecem ainda José Maria (PSTU), Denise Abreu (PTN), Levy Fidelix (PRTB) e Eduardo Jorge (PV). Os nomes de Randolfe Rodrigues (PSol) e Mauro Iasi (PCB) não foram citados. Votariam em branco ou nulo, neste cenário, 20%, e 9% não opinaram.

O nome de Lula como candidato do PT no lugar da atual presidente também foi objeto de consulta e, como nos levantamentos anteriores, o ex-presidente obteve um índice de preferência mais alto do que sua companheira de partido. Em uma disputa contra Aécio e Campos, Lula tem 52% das intenções de voto (ante 54%, em fevereiro, considerando o mesmo cenário), e em seguida aparecem Aécio, com 16% (tinha 15%), e Campos, com 11% (tinha 9%). Votariam em branco ou nulo 16%, e 5% não opinaram.

Se a disputa se desse entre Marina, Lula e Aécio, o petista teria, se a eleição fosse hoje, 48% dos votos (ante 51% na última pesquisa). Seria seguido por sua ex-Ministra do Meio Ambiente, com 23% (tinha 19%), e pelo senador mineiro, com 14% (mesmo índice anterior). Neste caso, 11% votariam em branco ou nulo, e 4% não opinaram.

Entre fevereiro e agora, a preferência espontânea por Dilma teve oscilação negativa. Para esta questão, o Datafolha não estimula os nomes, o que leva metade (52%) a não citar nenhum candidato para a disputa presidencial. Há dois meses, o índice dos que não escolhiam espontaneamente um candidato era de 49%. Nesse período, passou de 22% para 20% a taxa dos que mencionam Dilma Rousseff. Também foram citados Lula (3%, ante 4% no último levantamento), Aécio Neves (3%, estável), Marina (3%, ante 2%) e Eduardo Campos (2%, ante 1%).

Nas simulações de segundo turno, Dilma fica à frente tanto contra Aécio quanto contra Campos, mas caiu a vantagem da presidente: atualmente, 50% optam por ela, e 31%, pelo nome do PSDB, ante 54% e 27%, respectivamente, na pesquisa anterior. Há ainda 16% que votariam em branco ou anulariam o voto, e 4% que não opinaram. Em um eventual segundo turno com Campos, Dilma teria hoje 51%, e ele, 27%. Em fevereiro, esses índices eram de 55% e 23%, respectivamente. Uma fatia de 17% votaria em branco ou anularia, e 5% não opinaram.

Taxa dos que conhecem bem Aécio e Campos é estável desde agosto de 2013

A movimentação nos últimos meses dos dois principais pré-candidatos de oposição ao atual governo não alterou significativamente suas taxas de conhecimento junto aos brasileiros. Enquanto Dilma Rousseff e Lula contam com taxas de conhecimento de 100% e 99%, respectivamente, Aécio Neves é conhecido por 75%, sendo que somente 17% o conhecem muito bem. Na comparação com fevereiro, esses índices ficaram estáveis, com oscilação dentro da margem de erro.

Com Eduardo Campos, ocorre situação parecida: em fevereiro, 55% conheciam o pernambucano, sendo que 7% o conheciam muito bem. Mesmo tendo protagonizado, ao lado de Marina Silva, o programa partidário de seu partido em rede nacional de televisão na semana passada, esse índice de conhecimento apresentou um crescimento tímido (passou para 58%), e a taxa dos que o conhecem muito bem apenas oscilou (foi a 8%).

Desde agosto de 2013, as taxas de conhecimento e alto grau de conhecimento tanto de Campos quanto de Aécio não apresentam grandes mudanças. O nome de Marina Silva é conhecido por 87%, sendo que 22% a conhecem muito bem, no mesmo patamar registrado em fevereiro.

Atualmente, os nomes mais cotados para a disputa da Presidência neste ano são donos de taxas de rejeição iguais. Em fevereiro, 30% diziam que não votariam de jeito nenhum em Dilma, Aécio e Campos. Atualmente, esse índice é de 33%. A rejeição a eles, porém, parte de públicos diferentes. Entre os que estudaram até o ensino superior, por exemplo, 50% não votariam em Dilma, 28% em Campos, e 29% em Aécio.

Em um patamar inferior de rejeição aparecem ainda Marina Silva (21% a rejeitam atualmente, ante 20% em fevereiro) e Lula (19%, ante 17% em fevereiro). Uma parcela de 10% votaria em qualquer um deles, outros 5% não souberam opinar, e 5% rejeitam todos.

Apoio de Lula é o que mais atrai votos; FHC tem influência mais negativa

O ex-presidente petista segue como o cabo eleitoral mais influente entre os listados pelo Datafolha. Sua influência positiva fica no mesmo patamar verificado em levantamento realizado em novembro do ano passado: à época, 38% votariam com certeza em um candidato apoiado por ele, índice que ficou em 37% no levantamento atual.

A taxa dos que talvez votassem em alguém apoiado pelo petista, porém, caiu de 26% para 23%, em tendência inversa à dos que não votariam de jeito nenhum em um candidato apoiado pelo ex-presidente (crescimento de 31% para 35% no período). Há ainda 5% que não opinaram.

A influência positiva de Marina Silva também ficou estável: 18%, hoje, votariam certamente em um candidato apoiado pela ex-senadora, índice que era de 17% no levantamento anterior. Assim como no caso de Lula, caiu a taxa dos que talvez votassem em um candidato apoiado por ela (de 39% para 33%), e cresceu a taxa dos que não votariam em alguém apoiado pela ex-senadora (de 35% para 41%) no mesmo período. Não opinaram sobre seu apoio 9%.

O apoio de Fernando Henrique Cardoso, por outro lado, segue sendo o mais negativo entre os nomes consultados: 57% não votariam em alguém apoiado por ele (em novembro, 58% tinham a mesma opinião), e apenas 12% votariam com certeza nesse candidato (índice igual ao registrado anteriormente). Há ainda 23% que talvez votassem em alguém apoiado pelo ex-presidente (mesmo índice anterior), e 9% que não opinaram.

Pela primeira vez, o Datafolha também consultou os brasileiros sobre o apoio do presidente do Supremo Tribunal Federal (Joaquim Barbosa) a um candidato, e ele se mostrou tão influente quanto Marina Silva: 21% votariam com certeza em um candidato apoiado por ele, 28% talvez votassem, e 39% não votariam. Uma fatia de 12% não opinou sobre o tema.

Confira a análise de Mauro Paulino, diretor-geral do Datafolha, e Alessandro Janoni, diretor de pesquisas do Datafolha, sobre a avaliação do governo da presidente Dilma Rousseff e o cenário eleitoral de 2014.

Veja também detalhes sobre a pesquisa de intenção de voto para a corrida presidencial matéria publicada na Folha.

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