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Utopia do brasileiro

Opinião Pública -

Brasileiro acha que o país vai melhorar, mas emprego preocupa

Quais são as expectativas do brasileiro para o futuro, qual o maior sonho para o país de uma maneira geral e para si próprio? O Datafolha realizou pesquisa nos dias 20 e 21 de março para responder a estas e muitas outras questões. O levantamento revela que a população tem uma avaliação positiva do país em que vive, dois em cada três brasileiros acham que o país é ótimo ou bom para se viver e que no futuro será ainda melhor. A maioria acredita que o Brasil será uma superpotência mundial no futuro e que o país, a vida da população brasileira de uma maneira geral, ou ainda a vida pessoal será melhor.

Entretanto, o sonho de uma superpotência e de uma nação melhor passa pela inclusão social por meio do emprego. Quando se fala em futuro, a primeira coisa que vem à cabeça de uma boa parcela dos brasileiros é o emprego. E no que se refere ao futuro pessoal, o que vem a cabeça é uma melhora da situação financeira e ter trabalho. Os brasileiros reforçam uma vez mais a preocupação com o emprego quando indagados sobre quais as três coisas que fariam a vida melhorar no país. A maioria aponta a existência de mais empregos ou a troca por um emprego melhor. E ainda temos o fim do desemprego apontado por um em cada dez brasileiros como o maior sonho para o futuro. Para um quarto da população a cidade que melhor representa o futuro do país é São Paulo, e o motivo apontado não é outro se não o de ter mais empregos e o de ter uma grande concentração de empresas.

A pesquisa procurou investigar quem é o maior herói de todos os tempos, a personalidade que representa o presente e o futuro do país. No que diz a respeito ao herói, o que aparece de mais significativo é que um terço dos brasileiros não soube apontar um, ou por que não sabia ou porque acha que não há ninguém digno de receber este adjetivo. O piloto Ayrton Senna foi o nome mais citado, seguido por Getúlio Vargas, Pelé e Tiradentes. É importante frisar que destes nomes, somente Ayrton Senna superou a barreira dos 10% das citações. E no que se refere ao ex-presidente Getúlio Vargas, que foi o responsável pela consolidação das leis trabalhistas no Brasil, é importante citar que ele é apontado por 24% daqueles que tem idade acima de 67 anos.

E quem seria a pessoa que é a cara do Brasil atual? O nome mais citado foi o do presidente Fernando Henrique Cardoso, mas convém observar que 28% não souberam responder e 9% afirmam que ninguém representa a cara do país hoje. Quanto ao futuro, a maioria também não soube apontar um nome que fosse representativo. Luis Inácio Lula da Silva foi o nome que mais se destacou, com 5% do total.

Apesar de considerar o país um lugar ótimo para se viver e de estar otimista quanto ao futuro, a população brasileira está dividida no que se refere ao sucesso do país ao longo de sua história. Aqueles que afirmam que o país teve mais fracasso do que sucesso acham que para reverter este quadro é necessário que se tenha políticos sérios e que saibam governar. Aqueles que falaram que o país teve mais sucesso do que fracasso também acham que a postura dos políticos é fundamental para que o país continue tendo sucesso.

Os brasileiros acham que para se ter um futuro melhor é preciso valorizar principalmente a família, o trabalho e o estudo. Além disso acham muito importante a participação em campanhas comunitárias, movimentos em defesa dos direitos humanos, movimentos contra as drogas, movimentos ecológicos, trabalhos voluntários, sociedade amigos de bairros e grêmios escolares.

Indagados sobre qual o país deveria servir de modelo para o país, os entrevistados apontaram os Estados Unidos. Principalmente por ser um país de primeiro mundo, desenvolvido, por ter mais empregos, porque valoriza a educação e por ser tecnologicamente desenvolvido. Quanto ao país que não deveria servir de modelo, os entrevistados apontaram Cuba e Russia. Para os brasileiros que acham que Cuba não deve servir de modelo os principais motivos apontados foram a falta de democracia e o fato do país ser comunista. E os que disseram que a Russia é que não deve servir de modelo apontam a guerra civil e os conflitos políticos como o principal motivo.

Aproximadamente três em cada quatro brasileiros acham que o país tem muita importância no mundo de hoje e que esta importância vai se estender ao futuro. A respeito da diferença entre o Brasil e outros países, quase a metade acha que o país é muito diferente de outros países e que no futuro terá que se diferenciar mais dos outros países.

A principal contribuição do país para o mundo tem sido no esporte e no futuro a contribuição deve continuar a ser no esporte, mas também na música, na televisão, na agricultura, no jeito de se relacionar com as pessoas e na mistura de raças.

*60% acreditam que país pode se tornar uma superpotência econômica
maioria acha que futuro pessoal, do país, e do povo brasileiro será melhor*

A maioria (60%) dos brasileiros entrevistados pelo Datafolha acredita que o Brasil pode se tornar uma superpotência econômica no futuro. Um terço (30%) não acredita nessa hipótese e 10% não souberam responder. Para 37% dos que acreditam que o Brasil pode se tornar uma superpotência no futuro, isso deve acontecer em até 5 anos. Na opinião de 28% isso deve levar de mais de 5 até 10 anos para acontecer, 15% acham que será em mais de 10 até 20 anos e para 16% o Brasil será uma superpotência daqui a mais de 20 anos.

Aos entrevistados que afirmaram não acreditar que o Brasil venha a se tornar uma superpotência foi perguntado por quais motivos isso não iria acontecer. Segundo 34% a razão para isso deve-se à corrupção de governantes e políticos. Para 16% o governo não tem competência para administrar o país, enquanto 10% acham que o desemprego impedirá o Brasil de vir a ser uma superpotência, mesmo percentual dos que afirmam que os políticos e governantes não pensam no povo. Para 8% não se investe em educação e para 6% os Estados Unidos e demais países ricos têm interesse em impedir que o Brasil se torne uma superpotência. Outras razões apontadas pelos entrevistados, foram, entre outras, os baixos salários pagos no país, a violência, a má distribuição de renda, a dívida externa, a falta de investimento em saúde e os políticos e governantes de uma maneira geral (4% de menções a cada um desses motivos). Segundo 3% as privatizações e venda de empresas para estrangeiros impedirão que o Brasil se torne uma superpotência. A política ainda é citada por 2% que acham que não interessa aos políticos mudar o país e 1% que afirmam que o povo não sabe votar.

A maioria dos brasileiros mostra-se satisfeita com o país onde vive. Para 64% o Brasil é um país ótimo ou bom para se viver. Na opinião de 26% o país é um lugar regular e para 10% um lugar ruim ou péssimo para se viver.

Quanto mais velhos são os entrevistados, maior o percentual dos que acham que o Brasil é um lugar ótimo para se viver: enquanto 55% dos entrevistados que têm de 18 a 24 anos têm essa opinião, 80% daqueles que têm 60 anos ou mais pensam assim. Essa opinião é mais frequente também entre aqueles que têm renda familiar mensal superior a 20 salários mínimos (77%), nível superior de escolaridade e pertencem às classes A e B (68% em cada segmento). Já os que acham o Brasil um lugar péssimo para se viver são, principalmente, os entrevistados que têm 16 ou 17 anos e moram na região Sul do país (13% em cada segmento).

Na opinião da maioria (59%) o Brasil vai ser um melhor país no futuro. Acreditam que ele vai ser pior 18% dos entrevistados, enquanto 19% acham que o Brasil vai ser como é hoje. Acham que o Brasil vai ser um país melhor no futuro principalmente os entrevistados que têm renda familiar mensal acima de 20 salários mínimos (66%), têm nível superior de escolaridade e 60 anos ou mais (63%, cada).

Em relação ao futuro do povo brasileiro, 52% acham que vai ser melhor, 22% que vai ser pior e 24% afirmam que ele será como é hoje. Acreditam que o futuro do povo brasileiro vai ser melhor em especial os entrevistados com maior renda (59%), nível de escolaridade superior (56%) e com idade entre 45 a 59 anos (57%). Entre os moradores do Sul, a taxa dos que acham que o futuro do povo brasileiro vai ser pior chega a 26%.

Os brasileiros demonstram maior otimismo no que se refere ao seu futuro pessoal. Para 75% o futuro vai ser melhor, para 7% vai ser pior e para 16% o seu futuro pessoal vai ser como é hoje. O otimismo em relação ao futuro pessoal é maior à medida que mais jovens são os entrevistados: o futuro pessoal vai ser melhor para 86% dos que têm 16 ou 17 anos e para 83% dos que têm de 18 a 24 anos; entre os que têm 45 a 59 anos, 67% têm essa opinião, e esse percentual cai para 61% entre aqueles que têm 60 anos ou mais. Essa confiança na melhora do futuro pessoal também é mais frequente entre os solteiros (82% destes acham que seu futuro vai ser melhor) do que entre os casados (72% têm essa opinião ), entre os que estudaram até o 2º grau e têm renda familiar mensal acima de 20 salários mínimos (81% em cada um dos segmentos).

Brasileiro sonha ter emprego no futuro, significa principalmente, ter um emprego, melhorar a situação financeira e ter melhores governantes

Indagados sobre qual a primeira coisa que vem à cabeça quando se pensa em futuro, 18% dos brasileiros entrevistados pelo Datafolha responderam emprego ou trabalhar (além disso, 2% citaram ter uma profissão ou qualificação profissional), enquanto 16% citaram melhorar a situação financeira ou conseguir estabilidade nesse sentido. Para 7% o futuro lembra estudo (entre aqueles que têm 16 ou 17 anos esse percentual chega a 20%) e empatam em 5% as referências a ter uma casa e ter saúde. Atingem 2% as seguintes citações: bem estar da família, que o país melhore, paz e tranquilidade, internet ou informática, menos violência e referências genéricas a melhorias ou coisas melhores. Não souberam responder 10% dos entrevistados.

É interessante notar que os mais jovens se referem com mais frequência a ter um emprego ou trabalhar, enquanto os mais velhos pensam em estabilidade financeira (a exemplo dos mais escolarizados, com maior renda familiar mensal e das classes A, B e C) e em ter saúde.

Quando se fala no futuro pessoal as respostas são semelhantes: 16% citam a melhoria da situação financeira (ou estabilidade nesse aspecto) enquanto 15% pensam em trabalhar. Para 9% saúde é a primeira coisa que vem à cabeça quando se pensa nesse assunto. Ter uma casa, se formar (6% cada), ter uma profissão (4%), o bem estar da família, filhos (4%), ter paz e ser feliz (3%) são outras citações referentes ao futuro pessoal. A exemplo do que ocorre em relação ao futuro de maneira geral, 1 em cada 10 brasileiros não soube citar o que lhe vem à cabeça quando indagado sobre o seu futuro pessoal.

Quando pensam no futuro do Brasil 12% se referem a melhores governantes e políticos, mesmo percentual dos que citam melhoras de maneira geral. Outras referências à política merecem menção: o fim da corrupção política é lembrada por 7%, enquanto 4% esperam ter um bom presidente. Citam mais emprego 8% e o fim da violência 5%. Para 3% o futuro do Brasil remete ao pensamento de que nada vai mudar, mesmo percentual dos que acham que o país não tem futuro e vai ficar pior do que está, e dos que pensam no fim da miséria. Não souberam responder a essa pergunta 8% dos entrevistados.

Já quando pensam no Brasil, de uma maneira geral, 9% se referem a um país maravilhoso, ótimo para se viver, enquanto 7% lembram de corrupção na política. Pensam em melhorar o país e em acabar com a violência 6% cada, enquanto 5% lembram da necessidade de mais empregos, 4% se referem a pobreza e miséria e 3% pensam em mudar os políticos no poder. Não souberam responder 14% dos entrevistados.

Mais e melhores empregos e salários, saúde e estudo fariam vida melhor

A preocupação com o trabalho aparece também quando os brasileiros são indagados a respeito das três coisas que fariam sua vida melhorar no Brasil. A existência de mais empregos é citada por 43% dos entrevistados, enquanto 16% citam a mudança para um emprego melhor. Falam em ter mais saúde 34%, e 24% se referem a educação (voltar a estudar, concluir estudos). Dinheiro também aparece com destaque: 20% citam melhorias na situação financeira (ganhar na loteria, por exemplo) e 18% uma melhora nos vencimentos, como salários e aposentadorias (esse último aspecto chega a 32% entre os moradores da região Sul do país e a 30% entre os entrevistados que pertencem a geração 40). Citam a aquisição de uma moradia própria 15% e 11% a diminuição da violência.

As referências a mais empregos são mais frequentes tanto entre os mais jovens, que estão se preparando para entrar ou se iniciando no mercado de trabalho, quanto entre aqueles mais maduros, que tentam conquistar ou manter a estabilidade profissional. Metade (50%) dos brasileiros que têm 16 e 17 anos se referem a esse aspecto, que é citado por percentual idêntico entre os entrevistados que têm de 35 a 44 anos. Nesse sentido também é interessante notar que a preocupação em mudar para um melhor emprego chega a 23% entre os brasileiros que têm de 25 a 34 anos, sete pontos percentuais acima da média.

Já os mais velhos se referem com mais frequência a ter boas condições de saúde (esse aspecto fica em primeiro lugar entre os que têm 60 anos ou mais, com 51% das citações) e a melhoras nos vencimentos que recebem (preocupação de 26% dos entrevistados que têm 60 anos ou mais).

Melhoras nos salários e demais vencimentos também atingem menções significativas no Sul, chegando a 32% e ocupando a segunda posição naquela região. Entre os brasileiros que ganham entre 10 e 20 salários mínimos e pertencem à classe C esse aspecto fica acima da média, atingindo 22% e 21% em cada um dos segmentos.

Referências à educação e ao estudo são mais frequentes entre os mais jovens (chega a 41% entre aqueles que têm 16 e 17 anos e a 30% entre os que têm entre 18 e 24 anos), solteiros (31% de citações nesse segmento), que estudaram até o 2º grau ou têm nível superior de escolaridade (33% e 32% de menções, respectivamente) e pertencem às classes A ou B (30%).

Algumas das outras coisas que melhorariam a vida dos brasileiros citadas foram ficar junto da família (7%), paz (5%), políticos e governantes sérios e honestos, melhorias na qualidade de ensino e da saúde (4% de citações cada).

*Fim do desemprego é o maior sonho para o futuro do Brasil
Maiores medos são guerra civil ou conflitos com outros países e aumento da violência*

Para 11% dos brasileiros o maior sonho para o futuro do país é o fim do desemprego. Empatados, a seguir, ficam políticos e governantes honestos e o fim da violência, com 8% de citações cada. O fim da miséria e da fome, a transformação do Brasil em uma superpotência e melhorias na área da educação são citados por 6% cada e a existência de políticos sérios e trabalhadores fica com 5% das menções. Outros sonhos para o futuro do Brasil citados foram justiça social (4%), referências a que o país melhore de maneira geral, tirar as crianças das ruas (3% de citações cada), melhorias na área da saúde, aumento dos salários, políticos melhores de maneira geral, paz e um governo voltado para o povo (2% cada). Não souberam responder 10% dos entrevistados.

Por outro lado, um maior percentual de entrevistados soube responder qual o seu maior medo para o futuro do Brasil, e ele está relacionado principalmente à violência. Temem que o país seja envolvido em algum tipo de guerra civil ou mesmo um conflito mundial 22% dos entrevistados, enquanto 20% temem o aumento da violência e da criminalidade. Têm medo do desemprego 7%, enquanto 6% citam a miséria e 5% a corrupção na política. Outras citações foram o medo de que americanos ou estrangeiros tomem conta do país e a volta da inflação (4% de menções cada), drogas, a eleição de políticos e governantes que piorem a situação do país e que a situação fique pior do que a atual (2% cada). Atingem 1% de referências, entre outras respostas, que tudo continue como está, um golpe militar e a volta do autoritarismo e que Lula e o PT assumam o poder no país.

A preocupação com o aumento da violência e da criminalidade é maior nas regiões metropolitanas do que no interior (24% a 18%), entre os solteiros do que entre os casados (22% a 19%), e entre as mulheres do que entre os homens (24% a 16%). Na região Sudeste esse é o medo de 24% dos entrevistados. Já as referências à possível eclosão de uma guerra civil, revolução ou de um conflito mundial são mais frequentes entre os mais velhos (chega a 27% entre os brasileiros com 60 anos ou mais), aqueles que pertencem às classes D e E e os que moram nas regiões Norte e Centro-Oeste (idênticos 27% de citações em cada um desses segmentos).

*Ayrton Senna foi o maior herói brasileiro de todos os tempos para 11%
Para entrevistados com mais de 67 anos, Getúlio Vargas foi o maior herói*

Indagados sobre quem teria sido o maior herói brasileiro de todos os tempos, grande parte dos brasileiros não citou nome algum. Para 12%, ninguém pode ser considerado o maior herói brasileiro de todos os tempos, enquanto 25% não souberam responder à essa pergunta. O nome que atingiu o maior número de citações foi o do piloto de Fórmula 1 Ayrton Senna, mencionado por 11%. O presidente Getúlio Vargas foi citado por 6%, o futebolista Pelé por 5% e o mártir da Inconfidência Mineira, Tiradentes, por 4% dos entrevistados. O atual presidente brasileiro, Fernando Henrique Cardoso, é considerado o maior herói brasileiro por 3%, mesmo percentual atingido por Tancredo Neves. O povo, de maneira geral, foi citado por 3%.

Ayrton Senna é especialmente citado pelos entrevistados mais jovens (atinge 16% entre aqueles que têm 18 a 34 anos), e com renda familiar mensal acima de 20 salários mínimos (18%), pertencentes às classes A e B (17%), com nível superior de escolaridade e do sexo masculino (14% em cada segmento). Getúlio Vargas é mais citado pelos mais velhos, atingindo 18% entre aqueles com 60 anos ou mais, contra 2% de Ayrton Senna nesse segmento. Na região Sul, Senna e Vargas empatam tecnicamente na lembrança dos brasileiros, ficando com 13% e 12% das citações, respectivamente. O presidente Fernando Henrique Cardoso atinge mais menções entre os integrantes da geração 50 (10%), menos escolarizados (5%),mais pobres (4%) e pertencentes às classes D e E (5%).

Considerando-se as gerações da qual fazem parte os entrevistados, definidas levando-se em consideração a década em que os entrevistados completaram 16 anos, observamos alguns contrastes interessantes. A exemplo do que acontece para o total da amostra, Ayrton Senna é o que recebe maior número de citações entre os brasileiros que fazem parte da geração 90, nascidos entre 1974 e 1984, ou seja que tem 16 anos hoje ou tinham essa idade em 1990 e que, assim, puderam acompanhar a carreira vitoriosa do piloto e sua transformação em figura mítica. Já entre os que integram a geração 40, nascidos a partir de 1933, e que viveram, portanto, durante uma parte de sua juventude, sob o governo de Getúlio Vargas (1930-1945 e 1951-1954), o estadista atinge 25% das menções.

Grande parte dos brasileiros também não citou nomes quando indagados sobre que pessoa famosa e viva consideram a cara do Brasil atual e a cara do futuro do país. No que diz respeito ao Brasil atual, um terço (28%) dos entrevistados não soube responder e 9% afirmaram que ninguém. O atual presidente da República, em seu segundo mandato, Fernando Henrique Cardoso, foi citado pelo mesmo percentual dos que afirmam que ninguém representa a cara do país hoje. Pelé foi citado por 5%, a apresentadora de TV Xuxa, o empresário Sílvio Santos, o presidente de honra do PT, Lula, e o cantor Roberto Carlos foram lembrados por 3% cada. O apresentador de TV Ratinho, o ator Renato Aragão e o senador Antonio Carlos Magalhães receberam 2% de menções cada. As citações a Fernando Henrique são mais frequentes entre os brasileiros mais velhos (chegando a 15% entre aqueles que fazem parte da geração 40), com nível superior de escolaridade, que ganham de 10 a 20 salários mínimos e pertencentes às classes A e B (12% em cada um desses segmentos).

Quando se pergunta sobre quem representa a cara do futuro país, chega a 52% a taxa dos que não citaram um nome. Não souberam responder 39%, enquanto para 13% ninguém representa a cara do futuro do país. Lula, que já concorreu por três vezes à presidência do país é, na opinião de 5% dos brasileiros, a pessoa que é a cara do futuro do Brasil. Para 3%, essa pessoa é Fernando Henrique Cardoso. Os cantores Sandy e Junior, Xuxa, o candidato a presidente pelo PPS, Ciro Gomes, Sílvio Santos e Ratinho foram citados por 2% dos entrevistados cada. Entre outros nomes, atingiram 1% Sasha, filha da apresentadora Xuxa, o piloto de fórmula 1 Rubens Barrichello, os jogadores de futebol Pelé, Ronaldinho e Ronaldinho Gaúcho e o Padre Marcelo.

*Família, trabalho e estudo devem ser valorizados para um Brasil melhor
índice de importância atribuída a movimentos sociais é alto, mas participação é baixa*

Família, trabalho e estudo são os três aspectos mais citados como os que deveriam ser valorizados pelos brasileiros para um melhor futuro do país. A valorização da família é citada por 79%, e a do trabalho por 75%. O estudo deve ser mais valorizado segundo 68%. Religião (40%), dinheiro (26%) e lazer vêm a seguir com 10%. Esse é o resultado para essa pergunta considerando-se respostas múltiplas, que permitiam aos entrevistados listar os aspectos a serem valorizados em primeiro, segundo e terceiro lugar.

Quando analisamos esse resultado considerando apenas o aspecto a ser valorizado em primeiro lugar, a família é citada por 44%, seguida pelo estudo, com 24% das citações, e o trabalho, com 16% das menções. A religião é citada por 10%, o dinheiro por 5% e o lazer por 1% dos entrevistados.

Considerando-se o aspecto a ser valorizado em primeiro lugar, a pesquisa demonstra que as mulheres (46%) mais do que os homens (42%), valorizam a família. Essa instituição também encontra maiores defensores entre os brasileiros que pertencem às classes A e B (colocada em primeiro lugar por 52% nesse segmento), os que estudaram até o 2º grau e cuja renda familiar mensal supera os 20 salários mínimos (é mencionada por 50% de cada um dos segmentos), têm entre 18 a 24 anos (citada por 47% dos que pertencem a esse grupo de idade), os moradores do Sudeste (mencionada por 48% nessa região do país).

O estudo deve ser valorizado em primeiro lugar na opinião dos que têm nível superior de escolaridade (31%), renda familiar acima de 20 salários mínimos (29%) e moradores do Nordeste (27%). O trabalho chega a 23% entre os que pertencem à geração 60 (segmento no qual, por outro lado, a família atinge o menor índice de citações, 37%), e a 20% na região Sul do país.

A pesquisa revela também que os brasileiros atribuem um alto grau de importância à participação da população em alguns movimentos sociais para que o país tenha um futuro melhor, mas sua real participação nesses movimentos é baixa.

Para uma melhor compreensão dos resultados, o Datafolha criou índices para a análise das respostas. No caso da participação em movimentos sociais, por exemplo, tomou-se o percentual dos que disseram participar e deste subtraiu-se o percentual dos que disseram não participar de cada movimento citado. Ao resultado obtido somou-se 100, para evitar a ocorrência de números abaixo de zero. Procedimento similar foi adotado para a pergunta sobre a importância da participação nesses movimentos, sendo que, nesse caso, a taxa dos que disseram que a participação não tem nenhuma importância para um melhor futuro do país foi subtraída do percentual dos que atribuem muita importância à participação. Foram excluídos os percentuais referentes aos entrevistados que não souberam responder a respeito da importância da participação nos movimentos, ou nunca tinham ouvido falar deles.

Para 49%, país vem tendo mais fracassos do que sucessos

Na opinião de 49% dos brasileiros o Brasil, ao longo de sua história, de uma maneira geral, tem tido mais fracasso do que sucesso. Para 44% o país vem tendo mais sucesso do que fracasso.

Acreditam que o Brasil vem tendo mais fracasso do que sucesso principalmente os entrevistados que fazem parte da geração 70 (55% deles), que moram na região Sudeste e nas cidades que ficam em regiões metropolitanas (53% em cada um desses segmentos) e pertencem à classe C (52%). Afirmam que o país, ao contrário, vem tendo mais sucesso do que fracasso especialmente os brasileiros que pertencem às gerações 40 e 50 (50% e 49%, respectivamente), têm renda familiar mensal acima de 20 salários mínimos (51%) e integram as classes A e B (49%).

Foi perguntado aos entrevistados então o que deve ser feito para, que no futuro, o Brasil tenha ou continue tendo mais sucesso do que fracasso. Entre os brasileiros que acham que até hoje o país vem tendo mais fracasso do que sucesso, 27% afirmam que é necessário que existam políticos e governantes sérios, que saibam administrar. Para 18% destes é preciso que haja mais empregos. Destacam-se também as opiniões de que é preciso acabar com a corrupção na política (medida citada por 11%), que haja uma mudança dos governantes e que se invista em educação (10% de citações cada). Também foram citadas, entre outras medidas, a diminuição da criminalidade (7%), investimento na área da saúde e aumento dos salários (5% cada), que o povo seja mais unido, que se reduza a miséria, melhor distribuição de renda e que a população escolha melhor os governantes (3% de citações cada).

Entre os brasileiros que acreditam que o país vem tendo, até hoje, mais sucesso do que fracasso, 23% acham que é preciso que existam políticos sérios, que saibam governar, 19% citam a necessidade do fim do desemprego e 14% o investimento na educação. Afirmam que é preciso acabar com a corrupção na política 9%, priorizar a saúde e mudar os governantes 6% cada, e que seja reduzida a violência no país 5%.

Para 25%, São Paulo é a cidade brasileira que melhor representa o futuro do país

Um quarto dos brasileiros acha que a maior cidade brasileira, São Paulo, é aquela que melhor representa o futuro do país. Curitiba foi apontada por 11%, Brasília por 8% e o Rio de Janeiro por 7%. Algumas das outras cidades citadas foram Salvador (citada por 4%), Porto Alegre e Belo Horizonte (citadas por 2% cada uma), Fortaleza, Goiânia, Manaus, Florianópolis, Recife, Belém, Uberlândia e Londrina (1% de menções para cada uma delas). Não souberam responder 12% dos entrevistados.

Entre os moradores da região Sudeste, São Paulo é citada por 31% e Curitiba por 12% dos entrevistados. Por outro lado, na região Sul, Curitiba supera São Paulo, sendo citada por 22%, contra 16% de menções à capital paulista. No Nordeste São Paulo também é a mais citada, porém Curitiba, com 5% das menções, fica atrás de Brasília (citada por 12%) e Salvador (citada por 10%). Nas regiões Norte e Centro-Oeste Brasília empata com São Paulo, sendo citada por 16%, enquanto a capital paulista é mencionada por 17%. Curitiba supera São Paulo entre os brasileiros que têm nível superior de escolaridade (27% a 23%) e as duas cidades empatam entre aqueles cuja renda familiar mensal é superior a 20 salários mínimos mensais.

As razões apontadas para a escolha de uma determinada cidade como modelo para o futuro do país são, principalmente, o fato dessa cidade ter mais empregos (32% do total da amostra), mais empresas (19%), o fato da cidade ser desenvolvida, bem estruturada e organizada (16%) e referências a características da população local, tais como ser um povo solidário, hospitaleiro, educado e alegre, somando 12% do total. Entre outras razões ainda foram citadas a menor grau de violência ou melhor segurança pública (8%), boa administração e referências à educação e economia (7% cada).

A maioria das razões apontadas para escolher São Paulo como a cidade que melhor representa o futuro do país refere-se a aspectos econômicos. Para 58% dos que citaram a capital paulista essa opinião decorre do fato da cidade ter mais empregos, e para 43% isso se deve ao fato da cidade ter mais empresas. Outros aspectos econômicos mencionados são o fato da cidade ser um grande centro financeiro (10%) e possuir a maior arrecadação (6%). Segundo, 15% São Paulo melhor representa o futuro do país por ser a maior cidade e aquela com maior população.

Aqueles que escolheram Curitiba apontam o desenvolvimento, estruturação e organização da cidade (38%), o fato da cidade ser limpa (24%) e a organização do transporte coletivo (17%). A qualidade daqueles que administram a cidade é citada por 16%, mesmo percentual daqueles que se referem a características da população da cidade (povo solidário, educado e hospitaleiro, entre outras). Algumas das outras razões apontadas foram o investimento em educação (citada por 11%) e a ausência de violência (8% das citações).

Entre os que citaram Brasília, 49% se referem ao fato de que a cidade concentra políticos importantes, 16% afirmam que a cidade é bem estruturada e organizada e 14% apontam o fato da cidade ser a capital do Brasil.

Dos brasileiros que apontaram o Rio de Janeiro como cidade que melhor representa o futuro do país, 27% justificam a escolha pelo fato da capital fluminense ter mais empregos, 23% citam o aspecto turístico da cidade e 12% fazem referências a características da população. Destes, 4% afirmam que o povo é solidário e 2% afirmam que é um povo hospitaleiro (mesmo percentual dos que afirmam que trata-se de um povo alegre).

Salvador destaca-se pelas referências à sua população, que atingem 22% do total. Entre essas referências destacam-se o fato do povo de Salvador ser solidário e hospitaleiro (6% cada), alegre (4%), e de haver na cidade uma concentração de artistas e pessoas famosas (5%) e uma maior diversidade de raças e culturas (2%). Para 18%, Salvador é uma cidade histórica e com muitos pontos turísticos.

A exemplo do que acontece em relação a São Paulo, embora em menor escala, um alto índice de brasileiros acha que Porto Alegre representa o futuro brasileiro por ter mais empregos (38%) e indústrias (17%). A capital gaúcha é aquela que recebe maior percentual de referências a administradores honestos e competentes, 26%. São 15% os que afirmam que a cidade é desenvolvida, bem estruturada e organizada. Referências a características da população porto-alegrense somam 12%, sendo que destes, 7% se referem ao fato de se tratar de um povo educado e atencioso. Melhor qualidade de vida, um aspecto pouco mencionado quando se trata das outras cidades (chega no máximo a 4% das citações no que se refere a Curitiba), atinge 10% em Porto Alegre. Uma cidade limpa, na qual o povo não joga lixo nas ruas, um melhor sistema de saúde e o desenvolvimento cultural da cidade são atributos citados por 11% cada um.

Para 35% EUA deveriam servir de modelo para o futuro do país

Para 35% dos brasileiros, os Estados Unidos, maior potência mundial da atualidade, deveriam servir de modelo para o futuro do país. O Japão foi o segundo mais citado, atingindo 17% das menções. A seguir, foram citados Portugal (5%), Canadá, Inglaterra e Itália (4% de menções para cada país), França e Argentina (cada país citado por 3%), Alemanha, Cuba e Austrália (mencionados por 2% cada). Espanha e China foram citados por 1%, cada. Não souberam responder 13% dos entrevistados.

Considerando-se a idade dos entrevistados, Os Estados Unidos enquanto modelo para o Brasil têm seus maiores defensores entre os mais jovens, atingindo 46% das citações entre aqueles que têm 16 e 17 anos, e caindo para a metade desse percentual (23%) entre aqueles com idade igual ou superior a 60 anos. Nesse segmento, a propósito, 22% não souberam responder qual país deveria servir de modelo para o Brasil, taxa 9 pontos acima da média.

É interessante notar que o Canadá, citado por 4% do total dos brasileiros entrevistados pelo Datafolha, chega a 18% das citações entre os que têm nível superior de escolaridade. Esse país também atinge percentuais razoáveis entre os que ganham mais de 20 salários mínimos mensais e pertencem às classes A ou B, citado por 13% e 10%, respectivamente, nesses segmentos.

As principais razões apontadas para a escolha de um determinado país como modelo para o futuro do Brasil foram, considerando-se o total da amostra: o fato de ser um país desenvolvido e rico, "do primeiro mundo" (motivo citado por 18%), por ser um país onde há mais empregos e qualidade e valorização da educação (13% de citações para cada característica) e o desenvolvimento tecnológico (12%). Outras características citadas foram melhores salários, economia estável e baixo custo de vida (8% de citações cada), o fato da Justiça funcionar, ser igualitária e não ser morosa (7%), o povo ser trabalhador e determinado e o investimento em saúde (6% cada), a segurança pública ser eficiente e haver menos violência e os políticos preocuparem-se com o povo (5% cada).

As principais razões apontadas pelos entrevistados que citaram os Estados Unidos como modelo a ser seguido pelo Brasil foram o fato de tratar-se de um país desenvolvido, rico, "de primeiro mundo" (25% das respostas), a maior quantidade de empregos (16%), o fato de lá as leis funcionarem, a Justiça ser mais igualitária e menos morosa (13%), a qualidade da educação e os melhores salários (12% de citações cada), o fato de ser um país com economia estável e custo de vida baixo (11%) e o desenvolvimento tecnológico (9%).

Os que escolheram o Japão justificam-se principalmente pelo desenvolvimento tecnológico do país (32% das citações, 20 pontos percentuais acima da média geral), o fato do povo japonês ser trabalhador e determinado (17%), além de inteligente e criativo (14%), a maior oferta de empregos (15%), o fato de ser um país desenvolvido e rico (14%) e a qualidade da educação (12%).

O Canadá destaca-se pelas referências à qualidade e a valorização da educação (30%, 17 pontos acima da média), as menções ao fato de ser um país desenvolvido e rico (22%), à maior igualdade social e distribuição de renda (16%), ao investimento em saúde (15%), à maior oferta de empregos e melhores salários (13% de citações cada).

As justificativas apontadas para a escolha da Inglaterra como modelo são, em especial, o fato da população do país ser civilizada e respeitadora das leis e dos direitos e de ser um país com menos violência e maior segurança (16% de citações cada), a qualidade e a valorização da educação (15%). Entre os brasileiros que acham que Cuba deveria servir de modelo para o futuro de seu país as principais razões apontadas para a escolha foram o investimento em saúde (30%, 24 pontos acima da média geral), a igualdade social e distribuição de renda (24%, 20 pontos acima da média), a qualidade da educação (23%) e o fato do país ter políticos e governantes preocupados com o povo (16%).

Entre aqueles que citaram Portugal como modelo, 13% se referem ao fato de ter sido o país que descobriu o Brasil, 10% mencionam o caráter trabalhador e determinado do povo português e 9% afirmam que o povo português é civilizado e respeitador das leis.

Alemanha, Austrália, França e Itália destacam-se por serem países ricos e desenvolvidos, razão apontada por 20% dos que escolheram os dois primeiros, e por 18% e 17%, respectivamente, dos que citaram os dois últimos. A qualidade e a valorização da educação é ressaltada por 27% dos que escolheram a Austrália e por 18% dos que escolheram a França.

Aqueles que escolheram a Argentina citam em especial a maior quantidade de empregos (razão apontada por 11%). Afirmam que trata-se de um país rico, desenvolvido, de primeiro mundo, 9% dos entrevistados. Um terço (33%) não soube responder o porquê de ter escolhido a Argentina como modelo para o Brasil.

*Cuba e rússia empatam como países que não deveriam servir de modelo
Conflitos políticos, guerras civis, pobreza e falta de democracia são aspectos rejeitados nos países*

Há um empate técnico no que se refere ao país que não deveria servir de modelo para o futuro do Brasil: Cuba é citada por 19% e Rússia por 17%. É importante ressaltar o alto índice (19%) dos que não souberam responder qual país não deveria servir de modelo. Citam a Índia 11%, enquanto China, Estados Unidos e Argentina são mencionados por 6% cada. Japão e Alemanha são citados por 3% cada e a Inglaterra por 2%.

Rejeitam Cuba como modelo para o Brasil principalmente os entrevistados que têm nível superior de escolaridade (27%), pertencem às classes A e B (26%), ganham mais de 10 salários mínimos por mês (25%), têm entre 45 a 59 anos e pertencem à geração 60 (23% em ambos os segmentos). A Rússia é descartada como modelo em especial pelos entrevistados que têm de 18 a 24 anos (20%), estudaram até o 2º grau (19%) e pertencem à classe C (19%). Entre os brasileiros com maior escolaridade e renda a rejeição à Índia chega a 20%, superando a Rússia. Nesses segmentos a desaprovação aos Estados Unidos como modelo para o Brasil também fica acima da média: é de 11% entre os que têm nível superior de escolaridade e de 10% entre os que têm renda familiar mensal acima de 20 salários mínimos.

A rejeição a um determinado país se baseou, de maneira geral, principalmente, nos seguintes argumentos: a existência de guerra civil ou conflitos políticos (citado por 22%), o fato do país ser pobre ou miserável (14%), ser autoritário ou não ser democrático, comunista ou socialista (10% de referências a cada um dos dois motivos) e a violência urbana, motivo mencionado por 6%. Racismo e preconceito, Crises econômicas, falta de emprego e imperialismo foram razões citadas por 3%, cada.

Entre os que citaram Cuba, as principais razões apontadas para essa opinião foram o fato do país não ser democrático (29%), ser comunista ou socialista (24%), por ter conflitos políticos (16%) e por ser um país pobre (12%).

A Rússia foi descartada como modelo para o Brasil principalmente por causa dos conflitos políticos e guerras enfrentadas pelo país: essa foi a resposta de 56% dos entrevistados. Associaram a ex-república soviética ao comunismo 11%, enquanto 8% atribuíram sua rejeição ao fato de se tratar de um país pobre e 7% ao de ser um país não democrático.

A maioria (58%) dos que descartaram a Índia como modelo apontaram como razão o fato do país ser pobre ou miserável. Para 10% é um país que trata a religião de maneira extremada, 9% acham que ele tem um alto índice de desemprego e 8% se referem a Índia como um país superpopuloso. A China é rejeitada como modelo para o Brasil em especial por ser um país não democrático (argumento utilizado por 16% dos entrevistados) comunista ou socialista e superpopuloso (resposta de 14% em ambos os casos), por ter conflitos políticos (afirmação de 11% ).

Os brasileiros que não querem os Estados Unidos como modelo para o seu país pensam assim principalmente porque acham que trata-se de um país imperialista (23%), por causa da violência urbana (20%), dos conflitos políticos (15%). Acusam os norte-americanos de racismo e preconceito 11% dos brasileiros.

Entre os que acham que a Argentina não é um bom exemplo para o Brasil, os principais argumentos apontados são a instabilidade econômica e a existência de corrupção, ambos citados por 12% dos entrevistados. A existência de consumo e tráfico de drogas é apontada por 10%, a violência urbana é citada por 11%, e 6% acham que os argentinos são individualistas e se sentem superiores aos outros povos. O racismo e o preconceito justificam a rejeição à Alemanha e ao Japão segundo 17% e 10% dos que citaram esses países. Conflitos políticos são mencionados por 26% dos que descartam a Alemanha e por 24% dos que não querem a Inglaterra como modelo para o Brasil. Esses três países são os que registram maiores índices de entrevistados que não souberam justificar sua rejeição: 35% no caso da Inglaterra, 24% no caso do Japão e 21% no da Alemanha.

Para 47% país é muito diferente dos outros e 53% acham que, no futuro, Brasil deve se diferenciar
Maioria (73%) acha que, no futuro, país terá mais importância do que tem hoje no mundo

Ao comparar o Brasil com outros países do mundo, 47% dos brasileiros acham seu país muito diferente de outros países do mundo, 19% afirmam que trata-se de um país um pouco diferente, 18% consideram-no um pouco parecido e 11% muito parecido.

Ser diferente soa como um atributo positivo, pelo menos para a maioria (53%) dos brasileiros que afirmam que, no futuro, o Brasil terá que se diferenciar dos demais países. Para 39% o país terá que ser mais parecido com o resto dos países do mundo. Acreditam que no futuro o país vai se diferenciar dos outros países 51% dos entrevistados, ao passo que 39% acham que o Brasil vai ser mais parecido com os demais países do globo. Os que acham que o Brasil, no futuro, terá que se diferenciar dos outros países são, em especial, os que têm 16 ou 17 anos de idade, renda familiar mensal acima de 20 salários mínimos (58% em cada segmento), os que têm nível superior de escolaridade e moram em cidades localizadas nas regiões metropolitanas (56% em cada grupo), e as mulheres (55% delas, contra 50% dos homens).

Na região Sul do país acontece um equilíbrio particularmente interessante: para 47%, o país terá que se diferenciar dos demais países, e para 46% ele terá que ser mais parecido. Algo semelhante acontece quando os sulistas pensam no que de fato vai ocorrer: 47% acham que o Brasil vai se diferenciar, 44% acham que o país vai ser mais parecido.

Quando o assunto é a importância do Brasil no mundo, 79% acham que o país tem muita importância no contexto mundial atualmente, enquanto 18% atribuem um pouco de importância e 3% nenhuma importância ao país no cenário atual.

Quanto mais velhos os entrevistados, maior a importância atribuída ao Brasil no mundo de hoje: 84% dos que têm 60 anos ou mais acreditam que o país tem muita importância no mundo atual (5 pontos percentuais acima da média), enquanto essa opinião é de 73% entre aqueles que têm 18 a 24 anos e de 67% entre aqueles que têm 16 ou 17 anos (12 pontos abaixo da média nesse segmento).

Há menos entusiasmo com a importância do Brasil na região Sul do país: 73% dos moradores dessa região acham que o país tem muita importância no mundo hoje, enquanto 24% afirmam que o país tem pouca importância.

Pensando no futuro, 73% afirmam que o Brasil vai ter mais importância do que tem hoje no mundo, enquanto 6% acham que o país vai ter menos importância e 19% que a importância do país no contexto mundial será igual à alcançada hoje.

A exemplo do que ocorre com a opinião a respeito da importância do Brasil no mundo atual, os mais velhos demonstram mais entusiasmo em relação ao futuro: entre os representantes da geração 60 a taxa dos que acham que o país terá mais importância do que hoje é de 79%. Por outro lado, 69% têm essa opinião entre os que fazem parte da geração 90. Além disso, os homens (76%), mais do que as mulheres (70%) acham que o país terá mais importância no futuro.

Solicitados a responder se sentem mais orgulho do que vergonha ou mais vergonha do que orgulho de ser brasileiros, a grande maioria (87%) afirma ter mais orgulho do que vergonha. Afirmam ter mais vergonha do que orgulho 12% dos brasileiros.

Para 35% esporte tem sido a área em que Brasil tem dado maior contribuição ao mundo

Fazendo eco ao fato de que o personagem brasileiro que recebeu o maior número de citações como maior herói brasileiro de todos os tempos ter sido um esportista, na opinião de 35% dos brasileiros o esporte tem sido a área na qual o país tem dado maior contribuição ao mundo. Para 12% a maior contribuição do país tem sido na música, enquanto 11% julgam a agricultura ser a área de destaque do país no mundo. A seguir são citadas as contribuições à televisão, mistura de raças (7% de menções para ambas), política (6%), o jeito do brasileiro se relacionar com as pessoas (5%), tecnologia (4%), e economia (2%). Cinema, Literatura e Arquitetura foram áreas citadas por 1% dos entrevistados cada. Não souberam responder a essa questão 6% dos entrevistados.

O esporte é mais citado pelos homens (42%) do que pelas mulheres (29%), e atinge altos índices de menção na região Sul (44%) e entre aqueles que estudaram até o 2º grau (43%), ganham de 10 a 20 salários mínimos e pertencem às classes A e B (42% em cada um dos segmentos). Entre os brasileiros com nível superior de escolaridade a mistura de raças, que no total da amostra tem 7% das citações, é mencionada por 15%, empatando com às menções à contribuição brasileira à música, em segundo lugar. Isso também ocorre entre os que têm renda familiar mensal superior a 20 salários mínimos, segmento no qual a mistura de raças chega a 10% das citações.

Considerando-se as gerações, notamos que o esporte atinge suas maiores taxas de citação entre a geração 90, que viu, durante a sua juventude, entre outros fatos, a carreira vitoriosa do piloto Ayrton Senna, e a conquista da Copa do Mundo de futebol em 1994, e a geração 60, que viu a seleção brasileira conquistar o tricampeonato em 1970. O esporte é citado por 40% e 39%, respectivamente, por cada uma dessas gerações. A música atinge seu maior índice (15%) entre os que fazem parte da geração 50, que acompanhou em sua juventude o surgimento da Bossa Nova. Ao pensar no futuro, os brasileiros também citam o esporte como uma área em que o país vai contribuir muito: 85% têm essa opinião, enquanto 11% acreditam que o Brasil vai contribuir pouco e 2% acham que o país não vai contribuir nesse aspecto.

Em relação à música, 71% acham que o Brasil vai contribuir muito, para 21% vai contribuir pouco e segundo 4% não vai contribuir. Outras áreas em que a maioria dos brasileiros acreditam que o Brasil vai contribuir muito são telvisão (68%), agricultura (66%), o jeito de se relacionar com as pessoas (65%), e a mistura de raças (64%).

No que se refere à tecnologia, 46% acham que o Brasil vai contribuir muito, enquanto 39% acreditam que o país contribuirá pouco e 8% crêem que o país não vai contribuir.

Empatam os que acham que o país vai contribuir muito e os que pensam que ele contribuírá pouco no que diz respeito à literatura e à política: são 43% e 42% em relação à literatura e 37% e 36% no que diz respeito à política. Nessa última área, a propósito, registra-se o maior percentual (23%) de brasileiros que acham que o país não vai contribuir.

Quando pensam na economia, 37% acreditam que o país vai contribuir muito no futuro e 45% acham que o país vai contribuir pouco. Essas taxas são de 34% e 46% no que se refere à arquitetura e de 33% e 47% em relação ao cinema.

Observa-se que entre os brasileiros com nível superior de escolaridade e maior renda familiar mensal, a mistura de raças fica em segundo lugar como aspecto no qual o Brasil vai contribuir muito no futuro. Entre os que têm renda familiar mensal acima de 20 salários mínimos esse aspecto chega a ser citado por 78%, 14 pontos acima da média geral, e é mencionado por 76% dos que. têm escolaridade superior, 12 pontos acima da média.

*Para 51% portugueses foram um dos povos que mais contribuíram para a construção do país; índios são citados por 29% e negros por 28%
Para 76% Brasil é exemplo de mistura racial e cultural*

Foi apresentado aos entrevistados um cartão com alguns dos povos e raças que contribuíram para a construção do país e perguntou-se a eles quais mais tinham contribuído nessa tarefa. Destacam-se os portugueses (citados por 51%, 22 pontos percentuais acima do povo citado em segundo lugar), índios (29%), negros (28%), italianos (27%) e japoneses (22%). Com menores taxas de citações aparecem os alemães e os espanhóis (citados por 9% cada), chineses e judeus (2% de citações cada) e coreanos e árabes (1% cada). Não souberam responder 8% dos entrevistados. Analisando-se esses resultados considerando-se a cor ou raça que o entrevistado, a pedido do Datafolha, atribuiu a si próprio, percebemos alguns contrastes interessantes, demonstrados na tabela abaixo:

A partir desses dados podemos verificar, por exemplo, que os conquistadores portugueses alcançam seu maior índice (13 pontos percentuais acima da média) entre aqueles que se consideram parte do grupo humano que habitava originalmente o país, os indígenas;

Entre os entrevistados que se consideram brancos, os italianos, cuja imigração em massa para o país se deu no século XX, ficam em 2º lugar, superando negros e índios.

Os negros, que foram trazidos forçadamente para o país, alcançam a maior parte das citações entre os que se consideram amarelos, descendentes de imigrantes asiáticos, portanto.

Analisando-se os resultados a partir dos outros segmentos percebemos também que os portugueses são mais citados pelos homens (54%) do que pelas mulheres (49%); estas, por sua vez, citam os índios (33%) mais do que os homens (25%).

Entre os brasileiros mais jovens, e que estudaram até o 2º grau, portugueses, índios e negros têm citações consideravelmente acima da média. Os italianos são os mais citados na região Sul do país, com 44% das menções, superando os portugueses, citados por 37% (14 pontos abaixo da média); nessa região os alemães são citados por 20%, ficando empatados com japoneses (citados por percentual idêntico de entrevistados), índios (23%) e negros (22%).

Entre os brasileiros com nível superior de escolaridade os negros alcançam seu maior percentual de citações, 46%, 18 pontos acima da média, taxa próxima à atingida pelos portugueses (52%) nesse segmento.

Se entre a geração 90 as respostas ficam dentro da média para o total da amostra, entre os brasileiros que fazem parte da geração 40 os resultados mudam razoavelmente: os portugueses são citados por 42%, seguidos por japoneses (29%), italianos (24%), negros (21%), espanhóis (15%) índios (12%) e alemães (10%).

Para 76% o Brasil é um exemplo de mistura de raças e culturas a ser seguido por outros países do mundo. Na opinião de 18%, o país não é um modelo nesse aspecto. Pensam que o Brasil é um exemplo especialmente os entrevistados mais jovens (82% dos que fazem parte da geração 90), os brasileiros que estudaram até o 2º grau (81%), ganham entre 10 e 20 salários mínimos e pertencem à classe C (79% de cada segmento).

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