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Aprovação a Lula cai dez pontos em seis meses

Opinião Pública -

Maior queda ocorreu entre brasileiros de maior renda e com nível superior de escolaridade

Após dois anos e cinco meses na Presidência, o desempenho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no cargo é considerado ótimo ou bom por 35%, regular por 45% e ruim ou péssimo por 18% dos brasileiros, segundo pesquisa realizada pelo Datafolha em todas as Unidades da Federação, nos dias 31 de maio e 1º de junho. Em relação ao último levantamento, realizado em dezembro de 2004, a aprovação (soma dos percentuais de ótimo e bom) diminuiu dez pontos percentuais (era de 45%), enquanto a reprovação (soma dos percentuais de ruim e péssimo) aumentou cinco pontos (era de 13%). A taxa dos que consideram o governo regular também aumentou cinco pontos percentuais: em dezembro, 40% tinham essa opinião.

O antecessor de Lula no cargo, Fernando Henrique Cardoso (PSDB), após dois anos e seis meses na Presidência, era aprovado por 39%, considerado regular por 42% e reprovado por 16%. Este levantamento é utilizado para comparação porque o Datafolha não fez pesquisa de avaliação de Fernando Henrique Cardoso após dois anos e cinco meses de governo.

A insatisfação com o governo Lula aumentou principalmente entre os brasileiros com renda familiar mensal acima de 10 salários mínimos e entre os que têm escolaridade superior. Entre os de maior renda, a taxa dos que consideram o desempenho do presidente ótimo ou bom caiu 26 pontos percentuais em relação à pesquisa de dezembro, passando de 50% para 24%, enquanto a dos que o classificam como ruim ou péssimo aumentou 12 pontos, passando de 17% para 29%. Entre os mais escolarizados, a aprovação ao presidente caiu 15 pontos percentuais, de 47% para 32%, e a reprovação aumentou sete pontos, de 15% para 22%.

O presidente recebe dos brasileiros, em uma escala de zero a dez, nota média 6,2. Para 11% ele merece a nota máxima, e, para 6%, nota zero.

Para 47%, Lula está fazendo um governo melhor do que o do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, taxa sete pontos inferior à verificada em dezembro do ano passado. Por outro lado, o percentual dos que acham que o petista está fazendo um governo pior do que o de FHC subiu, de 16% em dezembro, para 22% hoje, maior taxa desde a primeira vez que o Datafolha fez essa pergunta aos brasileiros, em junho de 2003, após seis meses de mandato do presidente Lula.

A aprovação ao desempenho de Lula nas áreas econômica e social também está menor, em comparação à pesquisa de dezembro.

O desempenho do presidente na área econômica é considerado ótimo ou bom por 36%, taxa nove pontos inferior à registrada no último levantamento (45%). O percentual dos que consideram seu desempenho na economia regular aumentou, de 38% para 45%, assim como a dos que o classificam como ruim ou péssimo, de 13% para 17%.

O percentual dos que acham que o presidente vem fazendo um trabalho ótimo ou bom na área social caiu de 44% para 36%; a taxa dos que consideram seu desempenho regular nessa área aumentou de 37% para 43%, e a dos que o classificam como ruim ou péssimo passou de 14% para 17%.

A taxa dos que pensam que o presidente deve priorizar áreas sociais, como saúde, educação e habitação é recorde no governo Lula: 65% têm essa opinião, ante 30% que acham que a área econômica deveria ser priorizada, para garantir a estabilidade. Em junho de 2003, 56% defendiam prioridade à área social, e 37% à economia; em outubro do mesmo ano essas taxas eram, respectivamente, de 58% e 35%.

Para 22%, sua vida melhorou depois da posse do presidente Lula; para 62% ela permaneceu igual e, para 15%, piorou. Na opinião de 37% o Brasil, hoje, de um modo geral, está melhor do que era antes da posse do presidente. Para 43%, o país está igual ao que era e para 18% está pior do que era antes da posse do petista.

A maioria (59%) dos brasileiros acha que, depois que assumiu a Presidência, Lula deixou de defender a maior parte das ideias que tinha antes de ser eleito. Na opinião de 34% ele continua defendendo a maior parte das ideias que tinha antes. A opinião de que Lula deixou de defender a maior parte de suas ideias é mais frequente nos segmentos em que se verificou maior crescimento na insatisfação com o petista. Entre os brasileiros com renda familiar acima de 20 salários mínimos (75%) e entre aqueles com nível superior de escolaridade (69%). Entre os que declaram ter votado no petista em 2002 54% acham que ele deixou de defender a maior parte de suas idéias; entre os que declaram ter votado no peessedebista José Serra essa taxa é de 76%.

Acham que as viagens do presidente Lula ao exterior trazem mais benefícios do que prejuízos 41%; para 32% elas não trazem nem benefícios nem prejuízos e 21% acreditam que elas são mais prejudiciais do que benéficas. Após um ano de governo, em dezembro de 2003, 45% achavam que as viagens traziam mais benefícios, 31% as consideravam nem benéficas nem prejudiciais e 16% opinavam que elas traziam mais prejuízos ao país.

Para 27% dos brasileiros, os trabalhadores, de um modo geral, têm sido os mais prejudicados pelo governo Lula até o momento. Vêm a seguir como setores considerados mais prejudicados a agricultura (15%), o comércio, o setor de serviços (14%, cada), a indústria (7%), os políticos (3%) e os bancos (2%).

Os políticos, citados por 29%, e os bancos, por 24%, têm sido os mais beneficiados pelo governo Lula, na opinião dos brasileiros. Vêm a seguir a agricultura (11%), a Indústria (9%), os trabalhadores, de modo geral, o comércio (5%, cada), e o setor de serviços (3%).

Desemprego é o principal problema do país para 37%; menções a saúde atingem marca recorde no governo Lula

A maior parte dos brasileiros continua apontando o desemprego como o principal problema do país: 37% o mencionam espontaneamente quando indagados sobre o assunto. O percentual dos que consideram a saúde o principal problema nacional hoje, 15%, é a maior já registrada ao longo do governo Lula, e só comparável a taxas verificadas entre 1996 e 1998 (quando chegou a 16%), durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. Em dezembro de 2004 a saúde era mencionada por 10% dos entrevistados. Não por acaso, a taxa dos que citam a saúde como área de pior desempenho do governo subiu de 10% no levantamento anterior para 16% hoje, a maior do governo Lula. O combate ao desemprego continua sendo a área mais citada como a de pior desempenho do governo Lula, com 23% de menções (eram 21% em dezembro).

A taxa dos que citam a violência como principal problema do país oscilou de 14% em dezembro para 13% hoje. Já a dos que citam a fome e a miséria caiu de 15% para 8%, a menor já verificada durante o governo Lula. Vêm a seguir, entre outros problemas citados, a educação (5%), a corrupção (3%), a economia e os salários (2%, cada).

O combate à fome e à miséria é considerada a área de melhor desempenho do governo por 11%, taxa quatro pontos inferior à registrada em dezembro, e a mais baixa já verificada durante o governo Lula. Essa área já chegou a ser apontada como a de melhor atuação do governo por 38%, em abril de 2003, três meses após a posse do presidente. Educação (citada por 9%), economia (7%) e saúde (6%) são algumas das outras áreas mencionadas espontaneamente pelos entrevistados. Para 14% o governo não está se saindo melhor em nenhuma área e 22% não sabem apontar em qual setor ele estaria se saindo melhor.

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