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Reprovação a Lula é a maior de seu mandato

Opinião Pública -

Diminui percepção de que Lula é honesto e sincero; para 28%, presidente está envolvido no "mensalão"

A mais grave crise política do governo Lula começa a causar impacto na popularidade do presidente, revela pesquisa do Datafolha realizada na quinta-feira, 21 de julho, em todo o país: apesar da aprovação ao presidente permanecer estável, a reprovação a seu desempenho aumentou quatro pontos percentuais em pouco mais de um mês, e é a maior já registrada desde o início de seu mandato. O percentual de brasileiros que considera o desempenho do presidente Lula ótimo ou bom oscilou de 36% em pesquisa realizada no dia 16 de junho para 35% hoje; já a taxa dos que o consideram ruim ou péssimo subiu de 19% para 23%. O aumento na reprovação ao presidente acompanha a diminuição do percentual de brasileiros que consideram seu governo regular, que passou de 44% no levantamento anterior para 40% hoje.

O Datafolha ouviu 2110 brasileiros, a partir de 16 anos de idade, e a margem de erro máxima para o levantamento é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

O Planalto e o PT, partido do presidente, se encontram sob forte suspeita desde junho, quando o deputado Roberto Jefferson (PTB), denunciou a existência de um pagamento de mesada a deputados, em troca de apoio ao governo, o chamado "mensalão". Desde o surgimento das denúncias vários petistas deixaram seus cargos no governo e no partido, entre eles José Dirceu, que ocupava o ministério da Casa Civil, e José Genoíno, que era o presidente do PT.

A pesquisa capta a repercussão, entre outros fatos recentes, das declarações do ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares, de que as campanhas de seu partido têm sido financiadas por meio de caixa-dois, e que esse dinheiro seria obtido através de empréstimos feitos pelo publicitário Marcos Valério de Souza, da revelação de que deputados efetuaram saques nas contas de empresas do publicitário, e do depoimento de Delúbio à CPI dos Correios, durante o qual negou a existência do "mensalão". O levantamento acontece, também, após polêmica entrevista do presidente exibida pelo programa "Fantástico", da Rede Globo, no último domingo.

A reprovação ao presidente aumentou de maneira significativa entre os brasileiros com nível superior de escolaridade: nesse segmento, a taxa dos que consideram o governo Lula ruim ou péssimo aumentou de 21% na pesquisa anterior para 31% hoje, percentual similar ao verificado entre os que têm renda familiar mensal acima de 10 salários mínimos, que oscilou de 32% para 33%.

Levando-se em consideração a região do país em que moram os entrevistados, os que residem no Sul são os mais críticos ao presidente: 31% deles reprovam o governo de Lula, taxa sete pontos maior do que a verificada no levantamento anterior. No Nordeste, a aprovação ao presidente continua acima da média, chegando a 41%, embora tenha diminuído quatro pontos (era de 45%) em pouco mais de um mês.

A nota média atribuída ao presidente, em uma escala de zero a dez, é 5,8, a menor registrada desde o início de seu governo.

No que diz respeito à avaliação pessoal do desempenho do presidente, de modo geral, a pesquisa mostra oscilações para cima, dentro da margem de erro, tanto na taxa dos que o consideram ótimo ou bom (de 49% para 51%) quanto na dos que o classificam como ruim ou péssimo (de 10% para 12%). Já o percentual dos que consideram o desempenho pessoal de Lula regular caiu de 38% para 32%.

Uma série de perguntas a respeito de algumas características pessoais do presidente ajudam a avaliar o desgaste de sua imagem junto à população, que continua positiva. Dois aspectos, em especial, mostram os arranhões provocados na imagem do presidente pelas denúncias contra o governo: a taxa dos que consideram Lula sincero caiu de 66% em 16 de junho para 60% hoje. Em contrapartida, aumentaram as taxas dos que consideram Lula falso (de 22% para 25%) e a dos que não sabem responder a respeito desse aspecto (de 12% para 15%). Além disso, o percentual dos que o consideram honesto caiu 11 pontos em pouco mais de um mês, passando de 73% para 62%. A taxa dos que acham que Lula é desonesto aumentou seis pontos, passando de 13% para 19%, e a dos que não sabem responder à indagação subiu de 14% para 19%.

Tais resultados se juntam a outros que mostram a desconfiança dos brasileiros em relação a Lula e seu governo: a taxa dos que acreditam na existência de corrupção na administração federal aumentou de 70% em 16 de junho para 78% hoje, sendo maior do que as verificadas durante o governo de Fernando Henrique Cardoso (71%, em março de 2001, e 69%, em maio de 2002). Entre os que acreditam que exista corrupção no governo, 31% acham que Lula tem muita responsabilidade quanto a isso. Para 49% ele tem um pouco de responsabilidade, e para 16% o presidente não pode ser responsabilidade por esses casos de corrupção.

A taxa dos que acreditam que o PT pagava uma mesada de R$ 30 mil por mês a parlamentares, em troca de apoio ao governo, aumentou 11 pontos percentuais em relação à pesquisa anterior, tendo passado de 56% para 67%. Entre esses, as opiniões se dividem quanto à participação pessoal do presidente no chamado "mensalão": 32% isentam Lula, enquanto 28% acreditam que ele está pessoalmente envolvido no caso.

Mesmo entre os que se declaram simpatizantes do PT, a maioria (56%) acredita que o partido pagava mesada a parlamentares. Entre os que aprovam o desempenho do presidente essa taxa é de 54%, e entre os que declaram ter votado nele no segundo turno de 2002 chega a 64%. Não acreditam na existência do chamado "mensalão" 12%, percentual significativamente menor do que o dos que não sabem opinar a respeito (21%).

A pesquisa mostra que, entre os que declaram intenção de votar pela reeleição de Lula em 2006, 10% acreditam no envolvimento do presidente no "mensalão". Entre os que pretendem votar em Serra, 39% acham que Lula está envolvido no suposto esquema.

Tomaram conhecimento das denúncias sobre o "mensalão" 84% dos brasileiros; sabem da existência da CPI dos Correios 74%. A prisão do secretário do diretório do PT no Ceará, José Alberto Vieira da Silva, com R$ 200 mil em uma valise e US$ 100 mil sob as roupas, chegou ao conhecimento de 85%.

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