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Ao final do primeiro mandato, Lula é aprovado por 52% dos brasileiros

Opinião Pública -

FHC era aprovado por 35% ao final do primeiro mandato; para 59%, segundo mandato de Lula será ótimo ou bom

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito para um segundo mandato a se iniciar em janeiro de 2007, encerra sua primeira passagem pelo cargo com a aprovação de 52% dos brasileiros. Essa é a taxa dos que consideram o desempenho de Lula ótimo ou bom, e representa uma oscilação de um ponto para baixo em relação à pesquisa realizada nos dias 23 e 24 de outubro, quando 53% tinham essa opinião sobre o presidente. Naquela ocasião, Lula atingiu a maior taxa de aprovação a um presidente desde que o Datafolha começou a fazer pesquisas nacionais de avaliação do governo Federal, em 1990. A taxa dos que classificam o governo do petista como regular subiu três pontos (de 31% para 34%) e a dos que acham que ele vem sendo ruim ou péssimo oscilou de 15% para 14%.

Foram ouvidos 2178, em 111 municípios do país, no dia 13 de dezembro de 2006, e a margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

Na comparação com seu antecessor no cargo, o peessedebista Fernando Henrique Cardoso, Lula leva vantagem. Ao final de seu primeiro mandato, e reeleito para um segundo, o desempenho do tucano era considerado ótimo ou bom por 35%, regular por 37% e ruim ou péssimo por 25%.

A aprovação a Lula chega a 68% no Nordeste. Nas regiões Norte e Centro-Oeste ela é de 55%. No Sudeste e no Sul fica abaixo da média (44% e 41%, respectivamente).

Entre os que têm renda familiar mensal acima de dez salários mínimos, a taxa dos que aprovam o presidente (32%) é idêntica à dos que o reprovam. Para 36% desses brasileiros, o petista está fazendo um governo regular. Entre aqueles com renda entre cinco e dez salários mínimos, 40% aprovam Lula, 37% consideram seu desempenho regular e 23% acham que ele está fazendo um governo ruim ou péssimo. Já entre os que têm rendimentos até cinco salários mínimos, os percentuais são parecidos aos registrados na média nacional, sendo que 55% aprovam o presidente.

A aprovação à gestão do petista decresce à medida que aumenta a escolaridade do entrevistado: ela é de 58% entre os que têm escolaridade fundamental, de 50% entre os que têm nível médio e de 33% entre os que têm nível superior de escolaridade.

A nota média atribuída ao presidente, em uma escala de zero a dez, é 6,8. Ao final de seu primeiro mandato, em dezembro de 1998, a nota média atribuída a Fernando Henrique Cardoso era 5,6.

A expectativa para o segundo mandato do presidente é positiva: 59% acreditam que ele fará um governo ótimo ou bom. Para 24% será um governo regular e, para 13%, ruim ou péssimo. Em dezembro de 1998, 41% acreditavam que Fernando Henrique Cardoso faria um governo ótimo ou bom, ante 30% que opinavam que ele seria regular e 23% que diziam que seria ruim ou péssimo.

Em seu primeiro ano de governo, Lula recebeu taxas de aprovação mais modestas, e sua aprovação se manteve estável em torno dos 40%. A primeira pesquisa feita pelo Datafolha para medir a avaliação do presidente junto aos brasileiros, três meses após a posse, nos dias 31 de março e 1º de abril de 2003, mostrava que 43% consideravam o desempenho do petista ótimo ou bom e 40% classificavam-no como regular. A taxa dos que consideravam seu desempenho ruim ou péssimo, por outro lado, de 10%, era quatro pontos menor do que a verificada hoje. Ao longo do ano, não foram registradas grandes alterações, embora em agosto a aprovação ao presidente tenha chegado a 45%, maior taxa registrada até então em seu governo. Em outubro, porém essa taxa voltou a 42%, e se manteve assim em dezembro, quando a reprovação chegou a 15%.

Em março de 2004, a aprovação a Lula caiu para 38% e a reprovação chegou a 17%. A pesquisa foi a primeira realizada após a eclosão do escândalo Waldomiro Diniz, ex-assessor da Casa Civil, que foi flagrado em um vídeo negociando contribuições para campanhas políticas e propina com o empresário do ramo de bingos, Carlos Ramos, o Carlinhos Cachoeira, em troca de favorecimento em licitação pública. Em agosto, a aprovação ao presidente chegou a seu nível mais baixo até então, 35%, taxa dez pontos menor do que a dos que consideravam o desempenho do presidente regular (45%). A taxa dos que reprovavam a gestão do petista permanecia em 17%.

Lula terminou 2004, no entanto, vendo a recuperação da avaliação positiva de seu governo, provavelmente em virtude de bons números na área econômica. Em dezembro, prestes a completar dois anos no cargo, o presidente era aprovado por 45% dos brasileiros, taxa que repetia a registrada em agosto de 2003. Em relação à pesquisa de agosto, haviam caído as taxas dos que consideravam o presidente regular (para 40%) e a dos que achavam que ele estava fazendo um governo ruim ou péssimo (para 13%).

Em 2005, Lula atingiu suas menores taxas de aprovação. No início de junho, ela era de 35%, uma queda de dez pontos em seis meses. Em pesquisa realizada no dia 16 daquele mês, logo após as denúncias feitas pelo então deputado Roberto Jefferson sobre uma "mesada" que seria paga pelo PT a parlamentares, em troca de apoio ao governo, ela oscilou para 36%. A partir de então, com a intensificação da crise provocada pelo chamado "mensalão", a aprovação a Lula se manteve em queda constante: 35% em julho, 31% em agosto e 28% em outubro e dezembro, mês em que a reprovação ao presidente chegou a 29%, maior taxa registrada ao longo do primeiro mandato do petista. Para completar a má fase vivida pelo presidente, o Datafolha também mostrava que, naquele momento, o peessedebista José Serra, então cotado para disputar a Presidência, o ultrapassava na preferência dos brasileiros pela primeira vez.

2006, o ano em que ganharia a eleição presidencial pela segunda vez, contra Geraldo Alckmin, do PSDB, foi o ano da recuperação da popularidade do presidente. Em fevereiro, sua aprovação era de 36%, oito pontos maior do que a verificada em dezembro. Após uma série de oscilações dentro da margem de erro, no início de agosto ela chegou a 45% e foi a 52% em pesquisa realizada nos dias 21 e 22 daquele mês, o que lhe dava, pela primeira vez, aprovação recorde na série histórica de pesquisas do Datafolha sobre avaliação dos presidentes brasileiros a partir de 1990.

Aquela era a primeira pesquisa realizada pelo Datafolha após o início da exibição do horário eleitoral gratuito, e Lula aparecia com chances de ser eleito no primeiro turno, com 56% dos votos válidos, isto é, excluídos os votos nulos, em branco, e os eleitores que se declaram indecisos.

No final de agosto, foi detectado um ligeiro recuo na aprovação a Lula, que caiu para 48%. A partir de então foram registradas oscilações, dentro da margem de erro, e o presidente chegou à véspera do segundo turno da eleição com 47% de aprovação.

Apesar de não ter sido vitorioso no primeiro turno, de ter sido duramente criticado por ter faltado a debate promovido pela Rede Globo, e do escândalo que envolvia petistas na compra de um dossiê contra os tucanos, a aprovação a Lula oscilou positivamente ao longo do mês de outubro, durante a campanha para o segundo turno, chegando a 51% no levantamento realizado nos dias 16 e 17 e à repetição de recorde na pesquisa dos dias 23 e 24, ao chegar a 53%.

Para 35%, Lula é melhor presidente que o Brasil já teve

A pesquisa também mostra que Lula é considerado o melhor presidente que o Brasil já teve por 35% dos brasileiros. O petista fica 23 pontos à frente de Fernando Henrique Cardoso, citado por 12% dos brasileiros como, pelo que sabem, ou ouviram falar, o melhor presidente que já governou o país. Juscelino Kubitscheck é citado por 11%, Getúlio Vargas por 8% e José Sarney por 5%. Foram citados, ainda, entre outros, João Batista Figueiredo, Fernando Collor de Mello (2%), Tancredo Neves e Itamar Franco (1%, cada). Para 6%, nenhum presidente pode ser considerado como o melhor e 15% não souberam responder à indagação.

Lula leva mais uma vez vantagem sobre Fernando Henrique Cardoso quando se comparam os números desta pesquisa com os de levantamento realizado em dezembro de 2002, ao final do segundo mandato do tucano. Naquela ocasião, 18% achavam FHC o melhor presidente que já tinha governado o país, percentual que o deixava numericamente à frente, mas em situação de empate, no limite da margem de erro, com Getúlio Vargas, citado naquela ocasião por 14%, taxa seis pontos maior do que a atual. José Sarney obtinha, então, 11%, seis pontos a mais do que hoje. Não sabiam dizer quem teria sido o melhor presidente brasileiro, em dezembro de 2002, 29% dos entrevistados, taxa 14 pontos maior do que a verificada hoje.

Entre os brasileiros com escolaridade fundamental, 41% citam Lula como o melhor presidente que o país já teve, taxa seis pontos acima da média nacional. Já entre os que têm nível superior de escolaridade, Juscelino Kubitschek, com 23%, e Fernando Henrique Cardoso, com 21%, empatam. Lula é citado por 17%, e Getúlio Vargas por 12%, no estrato mais escolarizado.

Algo semelhante ocorre quando os resultados são analisados levando-se em consideração a renda familiar mensal. Entre os que têm rendimentos até dois salários mínimos por mês, Lula é o melhor presidente para 44% (nove pontos acima da média). Já entre os que ganham mais de dez salários mínimos, 23% citam Fernando Henrique Cardoso, 22% mencionam Juscelino, 16% Lula e 11% Getúlio.

As menções a Lula como o melhor presidente chegam a 57% no Nordeste e a 40% nas regiões Norte e Centro-Oeste. No Sul, Lula é citado por 25% (dez pontos abaixo da média), Fernando Henrique Cardoso por 14%, Juscelino Kubitscheck por 10% e Getúlio Vargas por 12% (quatro pontos acima da média). No Sudeste, quem fica ligeiramente acima da média é Juscelino Kubitscheck, mencionado como o melhor presidente do país por 15%. Lula é citado por 23% (12 pontos abaixo da média), Fernando Henrique Cardoso por 13% e Getúlio Vargas por 9%.

*Principal problema do país / áreas de melhor e pior atuação do governo:

Desemprego se mantém como principal problema do país durante todo o primeiro mandato;
Combate à fome e à miséria é melhor área de atuação para 17%; aumentam menções à saúde como área em que o governo se sai pior*

Ao longo de todo o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Presidência, o desemprego ocupou o primeiro lugar como o principal problema do país, na opinião dos brasileiros. Hoje, indagados a respeito, 27% citam a falta de emprego como o principal problema. Vêm a seguir saúde, citada por 17% e segurança, por 16%. Entre outros problemas, se destacam educação (9%), fome e miséria (8%) e corrupção (6%).

Após três meses de governo do presidente Lula, em pesquisa realizada nos dias 31 de março e 1º de abril de 2003, o desemprego era considerado o principal problema nacional por 31% dos brasileiros, taxa similar à verificada hoje. As menções a esse problema atingiram seu recorde em março de 2004, chegando a 49%.

A saúde, por outro lado, atingia modestos 6% na primeira pesquisa sobre o tema feita durante o primeiro mandato de Lula, taxa 11 pontos menor do que a registrada hoje.

Naquela ocasião, fome e miséria ocupavam a segunda posição como principal problema do país, com 22% de citações, 14 pontos percentuais a mais do que hoje. Em junho de 2003 as menções a esse problema já tinham caído dez pontos, passando a 12%.

Após três meses de governo Lula, a segurança era apontada como o principal problema do país por 18%, taxa próxima à verificada hoje.

Do início do governo Lula para cá, aumentaram as taxas de menções à educação (4% após três meses, 9% hoje) e à corrupção (2% após três meses, 6% hoje).

O desemprego também liderou o ranking do principal problema do país durante todo o governo de Fernando Henrique Cardoso. O problema era mencionado por 49% dos brasileiros ao final do primeiro do mandato do tucano, em dezembro de 1998, e chegou a 53% de menções um ano seguinte. Ao final do governo do tucano, era mencionado por 34%.

Quando indagados sobre a melhor área de atuação do governo Lula, 17% citam o combate à fome e à miséria. A área social, de um modo geral, e os programas sociais do governo, somam 12% das menções, em situação de empate com a educação, citada por 11%. Vêm a seguir, entre outras áreas, economia (7%), combate ao desemprego (5%), saúde (4%), combate à inflação e salários (3%, cada).

No início do governo Lula, o combate à fome e à miséria atingiam 38% das menções. Naquele momento, a área social era citada por apenas 1%, e a educação por 4%.

Ao final do primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso, economia (12%) e educação (10%) empatavam como áreas de melhor desempenho, na opinião dos brasileiros. Ao final do governo tucano, a saúde ocupava o topo da lista, com 19% de menções.

E é a saúde, justamente, que hoje lidera como a área de pior desempenho do governo Lula, com 18% das menções, em situação de empate, no limite da margem de erro, com o combate ao desemprego, citado por 14%. A segurança é citada por 11% e a corrupção é mencionada por 8%. A área da educação atinge 6% das citações.

Após três meses de governo Lula, o combate ao desemprego empatava com a segurança como áreas de pior desempenho, com, respectivamente, 13% e 12% das menções. A saúde era citada por apenas 4%.

Entre junho de 2003 e junho de 2005 o combate ao desemprego liderou sozinho este ranking, chegando a 31% das menções em março de 2004.

*Expectativas econômicas:
Brasileiros estão mais otimistas quanto à economia*

Ao final do primeiro mandato do presidente Lula, menos brasileiros acreditam no aumento da inflação e do desemprego, e mais acham que o poder de compra dos salários vai aumentar.

Quando se comparam os resultados da pesquisa com as de levantamento realizado em dezembro de 1998, quando se aproximava o final do primeiro mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso, percebe-se que Lula vai começar seu segundo mandato contando com um maior otimismo por parte dos brasileiros em relação à economia nacional do que seu antecessor.

Para 34%, daqui para a frente, o desemprego vai aumentar, taxa que empata com a dos que acham que ele vai diminuir (32%) e com a dos que acreditam que vai ficar como está (31%).

A taxa dos que acreditam no aumento do desemprego é a menor registrada ao longo do primeiro mandato de Lula, empatando dentro da margem de erro com os 36% registrados em abril e junho de 2003, no primeiro ano de governo, e em dezembro de 2004.

Em relação à pesquisa anterior sobre o tema, realizada em abril deste ano, a taxa dos que acreditam no aumento do desemprego caiu 12 pontos percentuais (era de 46%), enquanto a dos que acham que ele vai diminuir subiu 13 pontos (era de 19%). A taxa dos que acham que o desemprego vai ficar como está se manteve no mesmo patamar.

Ao final do primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso, em dezembro de 1998, 66% acreditavam no aumento do desemprego. Essa taxa chegou ao recorde de 72% em fevereiro de 1999. Ao final do governo tucano, em dezembro de 2002, era de 38%.

O percentual dos que acreditam que a inflação vai aumentar de agora em diante caiu de 44% em abril para 33% hoje. Essa é a menor taxa registrada ao longo do primeiro mandato do petista, juntamente com as verificadas em dezembro de 2003 (34%) e em fevereiro de 2006 (35%). A taxa dos que acham que ela vai diminuir subiu de 9% para 15% e a dos que opinam que vai ficar como está passou de 40% para 48%, a maior já registrada durante este governo.

Quando se encerrava o primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso, 48% achavam que a inflação iria aumentar. Essa taxa chegou a 72% em setembro de 2001; ao terminar o governo do peessedebista, era de 46%.

Os brasileiros também estão mais otimistas quanto ao poder de compra dos salários: para 38% ele vai aumentar, nove pontos a mais do que em abril, quando era de 29%. Para 22%, vai diminuir, taxa sete pontos inferior à registrada no levantamento anterior (22%) e a menor registrada até o momento. Na opinião de 37%, o poder de compra dos salários não vai se alterar, taxa idêntica à registrada no levantamento anterior.

Ao término do primeiro mandato de FHC, a maior parte dos brasileiros acreditava que o poder de compra dos salários ia diminuir (37%) ou ficar como está. Para 20%, ele iria aumentar. Em dezembro de 2002, a situação se inverteu: 38% acreditavam na melhora do poder de compra.

Passou de 30% em abril para 41% hoje o percentual dos que acreditam que a situação econômica do país vai melhorar nos próximos meses. A taxa dos que acham que ela vai piorar caiu de 22% para 14%, e a dos que acham que ela vai ficar como está oscilou de 43% para 42%.

Também aumentou a expectativa de que a situação econômica pessoal melhore, que passou de 44% para 55%.

Em dezembro de 1998, final do primeiro mandato de Fernando Henrique, 25% acreditavam em melhoria da situação econômica do país, ante 34% que achavam que ela ia piorar. Terminando o governo tucano, o otimismo era maior: 48% achavam que a economia do país melhoraria.

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