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Católicos divergem da igreja em relação a divórcio, segundo casamento e uso de camisinha

Opinião Pública -

Pesquisa realizada pelo Datafolha, pouco antes da visita do papa Bento 16 ao país, revela opiniões, hábitos e crenças dos brasileiros em relação à religiosidade.

Foram ouvidos 5700 brasileiros, a partir de 16 anos, em 236 municípios, nos dias 19 de 20 de março de 2007, e a margem de erro máxima, para o total da amostra, é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

O estudo mostra a posição dos brasileiros em relação a alguns temas polêmicos, como divórcio, uso da camisinha, aborto e pena de morte. A análise dos resultados estratificados pela religião do entrevistado mostra que os católicos, de modo geral, têm posição parecida com a da população em geral. Essa semelhança é coerente com o fato de que a maioria dos brasileiros professa a fé católica.

Pode-se dizer que se formam ainda dois outros blocos, que se posicionam de maneira semelhante em relação à maior parte dos temas: um, formado pelos evangélicos, pentecostais e não pentecostais, e outro, por espíritas, umbandistas, adeptos do candomblé e os brasileiros que não têm religião.

Em três dos temas incluídos (divórcio, direito a mais de um casamento no religioso e uso da camisinha) a maioria dos católicos, assim como a maior parte dos brasileiros como um todo, divergem do papa Bento 16 e da Igreja Católica, que condenam o segundo casamento e a utilização de preservativos.

No caso do uso da camisinha, a taxa dos que são favoráveis à sua utilização chega a 94% do total de brasileiros, percentual idêntico ao observado entre os católicos. Entre os umbandistas, a totalidade (100%) dos entrevistados é a favor do uso de preservativos. A posição favorável também supera os 90%, ficando acima ou dentro da média, entre os espíritas (99%), os adeptos do candomblé (97%) os que não têm religião (96%), os evangélicos não pentecostais (93%) e os pentecostais (92%).

O percentual favorável ao divórcio é de 71% entre a população, como um todo, e de 74% entre os católicos. Os menos favoráveis são os evangélicos, mas, ainda assim, a maioria deles (59%, tanto entre pentecostais quanto entre os não pentecostais) apoia o divórcio. A posição favorável fica acima da média entre os espíritas (93%), os que seguem o candomblé (87%), os adeptos da umbanda (80%) e os que não têm religião (79%).

Entre os brasileiros que se declaram divorciados ou desquitados a taxa dos que são a favor do divórcio é de 81%, dez pontos percentuais acima da média. Já entre os viúvos ela cai para 59%, 12 pontos abaixo da média. Entre os casados, 67% são a favor; já entre os solteiros, essa taxa é de 75%.

O direito de que as pessoas se casem mais de uma vez no religioso recebe o apoio de 56% dos brasileiros. Mais uma vez, percentual idêntico ao verificado entre os católicos. Entre os evangélicos a posição favorável a esse direito fica ligeiramente abaixo da média, sendo de 50% entre os pentecostais e de 52% entre os não pentecostais. Os mais favoráveis a mais de um casamento religioso são os espíritas (81%), os brasileiros que não têm religião (65%), os umbandistas e os adeptos do candomblé (62% em cada segmento).

A posição favorável a que as pessoas tenham o direito de se casar no religioso mais de uma vez também fica acima da média entre os divorciados (61%) e os solteiros (60%), e fica dentro da média entre os casados (54%). Entre os viúvos, 47% são contra um novo casamento no religioso, ante 42% que são a favor.

Quando se trata da legalização da união entre pessoas do mesmo sexo, 49% dos brasileiros são contra e 42% são a favor. Os católicos se dividem: 46% apoiam a legalização (quatro pontos acima da média nacional) e 45% são contrários à hipótese. Entre os evangélicos, a oposição a que pessoas do mesmo sexo tenham direito a uma união reconhecida pela Justiça fica significativamente acima da média, chegando a 72% entre os pentecostais e a 68% entre os não pentecostais. Por outro lado, a posição favorável à legalização fica acima da média entre os espíritas (70%), os adeptos da umbanda (65%) e do candomblé (62%) e entre os que não têm religião (56%).

Entre os brasileiros que se declaram solteiros, 51% são a favor e 41% são contra a legalização da união entre pessoas do mesmo sexo. Entre os viúvos, a taxa dos que são contrários à legalização chega a 63%, posição compartilhada por 55% dos casados e por 53% dos divorciados.

Os homens são, em sua maior parte (54%), contrários à legalização, enquanto as mulheres se dividem (46% são a favor, 45% são contra). Quanto mais jovem, mais escolarizado e com maior renda familiar mensal, maior o apoio à medida, que é de 57% entre os que têm de 16 a 24 anos, de 54% entre os que têm nível superior de escolaridade e de 58% entre os que têm renda familiar mensal acima de dez salários mínimos. A taxa dos que são contra a união legal entre pessoas do mesmo sexo é de 58% (nove pontos acima da média) entre os que têm de 45 a 59 anos e chega a 71% (22 pontos acima da média) entre os que têm 60 anos ou mais. São contra, ainda, a maioria dos que têm escolaridade fundamental (58%) e a maior parte dos que têm rendimentos até dois salários mínimos (52%).

A adoção de crianças por casais homossexuais enfrenta rejeição similar: 52% dos brasileiros se posicionam contrariamente à possibilidade, ante 43% que são a favor.

Mais uma vez, os católicos se dividem a respeito do assunto, os evangélicos são majoritariamente contrários e espíritas, umbandistas, adeptos do candomblé e pessoas sem religião se posicionam em sua maioria a favor. Da mesma forma, o apoio é maior entre os mais jovens, mais escolarizados e de maior renda.

A maioria dos brasileiros (57%) é contra a eutanásia, isto é, o ato que apressa a morte de um doente incurável. São a favor 36%. Entre os católicos a posição é praticamente idêntica: 56% são contra e 37% são a favor da eutanásia. Os evangélicos são os que mais rejeitam a ideia: são contra a eutanásia 68% dos pentecostais e 64% dos não pentecostais.

Entre os que não têm religião 47% apoiam a eutanásia, ante 44% que a rejeitam, divisão parecida com a que ocorre entre os umbandistas, segmento no qual 45% são favoráveis e 48% são contrários. Posicionam-se contra a eutanásia 50% dos espíritas (taxa sete pontos abaixo da média) e 51% dos adeptos do candomblé (seis pontos abaixo da média).

A maioria dos brasileiros (65%) é contra modificações na atual lei que regulamenta o aborto, ampliando as situações em que ele seria permitido. Essa posição é compartilhada pela maioria dos católicos (percentual idêntico ao verificado entre a população), dos evangélicos não pentecostais (idem) e dos pentecostais (70%). Também acham que a lei deve ficar como está a maior parte dos espíritas (61%), dos adeptos do candomblé (55%) e dos que não têm religião (56%). Note-se, porém, que as taxas de entrevistados que pensam dessa maneira verificados nesses segmentos ficam abaixo da média nacional.

Acham que o aborto deve ser permitido em mais situações 16% e que ele deve deixar de ser crime em qualquer caso 10% dos brasileiros.

Entre os umbandistas verificam-se os maiores contrastes: 44% deles são a favor que a lei continue como está (21 pontos abaixo da média), 25% acham que o aborto deve ser permitido em mais situações (nove pontos acima da média) e para 20% a prática deve deixar de ser crime em qualquer caso (o dobro da média).

Se houvesse uma consulta à população sobre a adoção da pena de morte no Brasil, 55% dos brasileiros votariam a favor; 40% dariam seu voto contra o estabelecimento da pena capital. Entre os católicos a posição favorável à adoção da pena de morte chega a 59%, taxa quatro pontos acima da média nacional e próxima às verificadas entre os umbandistas (57%) e entre os que não têm religião (58%). Entre os evangélicos não pentecostais a posição contrária à pena de morte fica 16 pontos acima da média, chegando a 56%; entre os pentecostais essa taxa é de 51% (11 pontos superior à média). Também votariam contra a pena de morte a maior parte dos espíritas (52%) e a maioria dos adeptos do candomblé (55%).

*90% dos brasileiros vão à igreja, a cultos ou serviços religiosos
17% frequentam mais de uma religião*

Chega a 90% a taxa de brasileiros que declaram ir a igrejas, cultos ou serviços religiosos.

O percentual de fiéis que costuma ir à Igreja, cultos ou serviços religiosos não difere muito, quando se trata da religião declarada: 94% dos católicos, 98% dos evangélicos pentecostais, 99% dos não pentecostais e 95% dos espíritas dizem ir. Os umbandistas e os adeptos do candomblé costumam ir um pouco menos a serviços religiosos (82% e 84%, respectivamente). Quando se trata da frequência, os evangélicos pentecostais se destacam: 60% deles dizem ir ao culto mais de uma vez por semana e 25% declaram presença pelo menos uma vez por semana. Entre os católicos essas taxas são de, respectivamente, 16% e 35%.

Um terço (30%) dos que declaram não ter religião ou que se declaram ateus dizem ir à igreja, a cultos, ou serviços religiosos.

Os entrevistados que costumam ir à igreja ou a cultos e serviços religiosos dizem que têm esse hábito porque, entre outros motivos, gostam de rezar ou de orar (21%), porque se sentem bem, fortalecidos ou em paz (19%), para pedir uma graça (13%), para escutar pregações ou sermões (12%), para se aproximar, cultuar e servir a Deus (10%) e para agradecer por graças obtidas (9%).

A pesquisa também mostra que 17% dos brasileiros costumam frequentar cultos ou serviços religiosos de mais de uma religião.

Cerca de um quinto (19%) dos católicos admite ir a cerimônias de outras religiões: 13% vão a cultos em igrejas evangélicas pentecostais, 3% visitam denominações não pentecostais e 2% vão a serviços religiosos espíritas.

Por outro lado, 22% dos umbandistas, percentual idêntico de adeptos do candomblé e 20% de espíritas dizem também frequentar cultos católicos. Entre os adeptos do candomblé, os que mais frequentam outras religiões (48%), 22% também dizem ir a cultos evangélicos.

Os evangélicos são os mais fiéis à sua religião: entre os pentecostais, apenas 9% dizem frequentar outras religiões, sendo que 4% frequentam a Igreja Católica, mesmo percentual dos que vão a denominações não pentecostais. Entre os não pentecostais, 15% visitam templos de outras religiões, sendo que 8% vão a igrejas pentecostais e 6% a cerimônias católicas.

O percentual de brasileiros que declaram ter o costume de rezar ou orar atinge 94%, sendo que 70% deles dizem fazê-lo diariamente. Entre os evangélicos pentecostais o percentual dos que fazem orações todos os dias vai a 80% (é de 74% entre os não pentecostais). Os católicos estão dentro da média nacional: 71% afirmam rezar diariamente, mesma taxa verificada entre os espíritas. Mesmo os que não têm religião costumam fazer orações: 66% têm esse hábito, sendo que 34% o fazem todos os dias.

Os evangélicos são os que mais contribuem financeiramente com sua religião: dão contribuição financeira para a igreja que frequentam 89% dos pentecostais e 87% dos não pentecostais. Entre os católicos, 75% costumam contribuir financeiramente, sendo que 27% fazem isso sempre, 35% de vez em quando e 12% raramente. A maioria dos umbandistas (58%) e dos frequentadores do candomblé (67%) também fazem contribuições em dinheiro. Já entre os espíritas, 56% não contribuem.

Aproximadamente um quinto (21%) dos entrevistados afirma já ter mudado algum hábito ou deixado de fazer alguma coisa por causa de sua religião.

A maioria (54%) dos evangélicos pentecostais já fez mudanças em sua vida diária por motivos religiosos. As mudanças mais citadas por esses entrevistados foram parar de beber ou diminuir o consumo de álcool (24%), deixar de ir a bailes, festas, de sair à noite (21%), parar de fumar ou reduzir a quantidade de cigarros consumidos (15%), mudanças no vestiário (7%), parar de usar maquiagem e adereços como brincos, por exemplo (6%).

A taxa dos que dizem já ter mudado seus hábitos por causa da religião também fica acima da média entre os evangélicos não pentecostais (45%), entre os adeptos do candomblé (47%) e entre os espíritas (29%). Entre os católicos, por outro lado, 90% dizem nunca ter mudado sua rotina por causa da religião; entre os umbandistas essa taxa é de 81%.

Chega a 85% a taxa de brasileiros que declaram ter sido batizados na Igreja Católica. Entre os católicos, 95% dizem ter passado pelo rito em sua Igreja. Essa taxa é de 91% entre os que são adeptos do candomblé e de 87% entre os espíritas. Ela fica abaixo da média entre os umbandistas (77%), entre os evangélicos pentecostais (65%) e entre os não pentecostais (51%). Entre os que, hoje, não professam qualquer religião, 71% foram batizados na Igreja Católica.

Passaram pela primeira comunhão 59%, e foram crismados, na Igreja Católica, 51% dos brasileiros. Um terço (30%) do total de entrevistados afirma ter casado na Igreja Católica (37% entre os católicos). Entre os casados atualmente, 45% dizem que sua união foi celebrada por um padre católico.

Do total de brasileiros entrevistados pelo Datafolha, 48% se declaram casados e 40% solteiros. Os divorciados são 6%, percentual idêntico ao de viúvos.

Entre os católicos, os percentuais são similares aos verificados entre o total da população (49% casados, 39% solteiros).

A pesquisa mostra ainda que afirmam viver com um companheiro ou companheira 8% dos que se declaram divorciados, 4% dos que se dizem solteiros e 5% dos viúvos.

Dos entrevistados casados ou que moram com um companheiro, 79% dizem que esta é a primeira vez que vivem essa situação. Afirmam que já foram casados mais de uma vez 21%, dos quais 14% já foram casados ou viveram com alguém duas vezes.

A maioria (67%) dos brasileiros nunca namorou nem casou com alguém de religião diferente da sua. Entre os católicos, essa taxa chega a 75%.

Um quarto (25%) diz ter namorado, mas não chegado a casar com alguém de religião diferente, e 8% declaram ter casado com alguém de fé diversa da sua.

Entre os espíritas, a taxa dos que nunca namoraram alguém de religião diferente da sua é de 48%, 19 pontos percentuais abaixo da média. Além disso, entre os adeptos dessa religião, o percentual dos que dizem ter namorado, mas não casado, com uma pessoa de outra religião, é de 37% (12 pontos acima da média) e a dos que afirmam ter casado com alguém de religião diferente é de 15% (sete pontos acima da média).

Entre os adeptos da umbanda, 43% dizem ter namorado, embora não tenham casado, com alguém de religião diferente, e 14% afirmam ter casado com alguém de outra religião.

Entre os que nunca namoraram nem casaram com pessoa de religião diferente, 65% dizem que namorariam e 60% que casariam. Desses entrevistados, e que se declaram católicos, 68% namorariam e 63% casariam com alguém de religião diferente da sua. Entre os evangélicos pentecostais, a taxa dos que dizem que não namorariam com alguém de religião diferente da sua chega a 47% (19 pontos acima da média) e a dos que não casariam com alguém de fé diferente é de 45% (16 pontos acima da média).

Mudar de religião para casar com alguém é uma hipótese rejeitada por 82% dos entrevistados, taxa que chega a 96% entre os adeptos do candomblé, a 91% entre os umbandistas e a 86% entre os evangélicos pentecostais. Entre os católicos, ela fica dentro da média (81%). Entre os que declaram não ter religião, um quarto (25%) admite a hipótese de passar a ter uma, para casar com alguém.

97% dizem acreditar totalmente na existência de deus; 75% acreditam no diabo

Quando indagados sobre a existência de Deus, 97% dos brasileiros afirmam acreditar totalmente; 2% dizem ter dúvidas e 1% não acreditam. Mesmo entre os que não têm religião, 81% acreditam que Deus existe.

A crença na existência do Diabo é menor, embora também seja compartilhada pela maioria: 75% acreditam totalmente, 9% têm dúvidas e 15% não acreditam que ele exista. Entre os evangélicos pentecostais a taxa dos que acreditam no Diabo chega a 95%. Já entre os espíritas, a taxa dos que não acreditam (50%) supera a dos que acreditam (44%).

A maioria dos brasileiros também acredita totalmente que Jesus ressuscitou após morrer na cruz (93%), que o Espírito Santo existe (92%), na ocorrência de milagres (87%), que Maria deu a luz a Jesus, apesar de virgem (86%), que Jesus voltará à Terra no final dos tempos (77%), que a hóstia é o corpo de Jesus (65%), que após a morte, algumas pessoas vão para o céu (64%) ou para o inferno (58%), que existe vida após a morte (60%) e que existem santos (57%).

A maior parte dos brasileiros (44%) não acredita em reencarnação; 37% acreditam totalmente e 18% têm dúvidas.

A reencarnação é algo no qual acreditam totalmente a maioria dos espíritas (93% deles), dos umbandistas (79%) e dos adeptos do candomblé (68%). Entre os católicos, 44% acreditam totalmente na reencarnação, taxa sete pontos percentuais acima da média nacional. Entre os evangélicos pentecostais, por outro lado, a taxa dos que não acreditam chega a 74%, 30 pontos acima da média.

Entre os evangélicos pentecostais são verificadas as maiores taxas de entrevistados que acreditam totalmente na maioria dos temas pesquisados: além de 95% deles acreditarem totalmente na existência do Diabo (20 pontos percentuais acima da média nacional), 79% têm total convicção de que algumas pessoas vão para o inferno (21 pontos acima da média), e 80% de que algumas vão para o céu (16 pontos acima da média) e 95% acham que Jesus voltará à terra (18 pontos acima da média). Por outro lado, a maioria deles (83%) diz não acreditar em santos. Quanto à hóstia ser o corpo de Jesus, 44% dos evangélicos pentecostais acreditam totalmente, 43% não acreditam e 13% têm dúvidas.

Metade (49%) dos brasileiros afirma ter um santo de devoção. Entre os católicos essa taxa vai a 68%, mesma percentual verificado entre os adeptos do candomblé. Entre os umbandistas a menção a um santo de devoção é ainda maior, chegando a 76%.

Nossa Senhora Aparecida, a padroeira católica do Brasil, é a que tem mais devotos: 18% do total de entrevistados a citam espontaneamente como santa de devoção, taxa que chega a 26% entre os católicos. Vêm a seguir, entre outros citados espontaneamente pelos entrevistados, Santo Antonio, Santo Expedito (5%, cada), São Jorge (3%), São Judas, São Francisco de Assis e São José (2%, cada).

Brasileiros apoiam atuação de padres em causas sociais, mas são contra que eles tenham participação política

Os brasileiros são, em sua maioria, a favor que os padres da Igreja Católica atuem em causas sociais, mas não que tenham um posicionamento político.

Por um lado, a maioria é a favor que eles participem de entidades que cuidam de crianças de rua (88%), de entidades de defesa dos diretos humanos (81%), de movimentos pela moradia (77%) ou pela reforma agrária (61%). Entre os brasileiros que se declaram católicos essas taxas são ligeiramente superiores à média nacional.

Por outro lado, 63% são contra que os padres católicos defendam posições políticas, 72% acham que eles não devem ter o direito de se filiar a partidos políticos, 70% são contrários a que eles apoiem candidatos em eleições e para 73% eles não podem se candidatar a cargos políticos. Entre os católicos, essas taxas ficam dentro da média registrada nacionalmente.

Para 51%, alguns padres respeitam o voto de castidade, mas a maioria não. Na opinião de um terço (31%), a maioria respeita o voto de castidade a que estão submetidos. A taxa dos que pensam que nenhum padre respeita o voto de castidade (8%) é o dobro da dos que acham que todos seguem esse princípio (4%).

Entre os católicos, 36% acham que a maioria respeita o voto de castidade, taxa cinco pontos superior à média.

Na opinião de 66% os padres da Igreja Católica deveriam ter o direito de se casarem; 29% são contra a que eles tenham esse direito.

Entre os católicos, a taxa dos que pensam que os padres de sua Igreja deveriam ter o direito ao casamento é de 59%, sete pontos abaixo da média; 36% deles são contra que os padres tenham direito ao casamento. Entre os adeptos de outras religiões a posição a favor do casamento dos padres católicos fica acima da média, chegando a 94% entre os que professam o candomblé, a 80% entre os evangélicos pentecostais e a 79% entre os não pentecostais. Entre os espíritas e entre os adeptos da umbanda são 75%, em cada segmento, os que defendem o direito dos padres se casarem.

Quando indagados sobre as denúncias de casos de padres acusados de abusar sexualmente de crianças, 21% dos brasileiros opinam que essas denúncias são todas verdadeiras. Para 30% a maioria delas é verdadeira, mas algumas não, 38% acham que algumas são verdadeiras, mas a maioria não, e para 4% nenhuma dessas denúncias é verdadeira.

Entre os católicos, a taxa dos que pensam que algumas denúncias de pedofilia envolvendo padres são verdadeiras, mas a maioria não, é de 42%, quatro pontos percentuais acima da média.

O Datafolha apresentou aos entrevistados algumas frases que expressam estereótipos em relação a algumas religiões, e pediu a eles que dissessem, de cada uma, se concordavam ou não.

Dizem concordar com a frase "os católicos não praticam sua religião" 61% dos entrevistados, sendo que 19% concordam totalmente e 41% em parte. Entre os católicos, 58% concordam com a afirmação. A concordância chega a 72% entre os espíritas e é de 65% entre os evangélicos pentecostais e de 64% entre os não pentecostais.

Também são 61% os que concordam com a frase "os evangélicos são enganados por seus pastores" (77% entre os espíritas, 67% entre os católicos). A maioria dos evangélicos pentecostais (55% deles) discorda da frase. Já entre os evangélicos não pentecostais, ocorre empate: 47% concordam e 46% discordam da frase.

Concordam com a frase "umbanda é coisa do demônio" 57%. Entre os umbandistas, 87% discordam e 12% dizem concordar com a frase sobre sua religião. Entre os evangélicos pentecostais, a taxa dos que concordam que "umbanda é coisa do demônio" chega a 83%. Entre os católicos, a concordância com a afirmação fica ligeiramente abaixo da média, sendo de 53%.

"Os judeus só pensam em dinheiro" é uma frase com a qual concordam 49% dos entrevistados, percentual idêntico ao dos que acham verdadeira a afirmação segundo a qual "os muçulmanos defendem o terrorismo".

Maioria diz que sempre seguiu religião atual

A maioria (79%) dos entrevistados que têm religião declara que sempre seguiu sua fé atual. Entre os católicos essa taxa chega a 94%. Dos que afirmam não seguir sua religião atual desde sempre, 17% tinham outra religião e 3% não tinham religião alguma.

Por outro lado, entre os evangélicos pentecostais, a maior parte diz que já fez parte de outra religião (46%) ou que não tinha religião alguma (9%). Entre os espíritas 54% dizem que tinham outra religião antes.

A pesquisa mostra que a Igreja Católica foi a que mais perdeu fiéis: 52% dos que mudaram de religião ou que hoje não professam fé alguma declaram ter sido católicos antes. Dizem ter sido evangélicos pentecostais, e mudado, 14%, e não pentecostais vindos de outras religiões são 5%.

A religião na qual se encontram mais ex-católicos é o espiritismo: entre os espíritas que declaram ter tido outra religião antes, 82% afirmam que já seguiram o catolicismo. Nas igrejas evangélicas pentecostais há 74% de ex-católicos e nas não pentecostais eles são 63%.

A mudança religiosa para esses entrevistados aconteceu, em média, há aproximadamente 10 anos.

48% dos católicos brasileiros não sabem dizer nome do atual papa

Cerca de metade dos católicos brasileiros não sabe dizer o nome do atual papa. O cardeal alemão Joseph Ratzinger, ao ser eleito para suceder João Paulo 2º em abril do ano passado, adotou o nome Bento 16.

Quando indagados a respeito, 52% dizem Bento 16, 9% citam outros nomes e 39% não se arriscam a sugerir um nome. O percentual de católicos que citam o nome de batismo do papa, Joseph Ratzinger, não chega a 1%. Entre os brasileiros como um todo, 48% respondem Bento 16, 1% mencionam Joseph Ratzinger, 8% dão outras respostas e 43% não sabem responder.

Entre os espíritas, 56% respondem que o nome do papa é Bento 16%. Essa taxa é de 51% entre os adeptos do candomblé, de 49% entre os que não têm religião, de 44% entre os evangélicos não pentecostais e de 36% entre os evangélicos pentecostais.

A maioria dos católicos (72%) diz ter conhecimento da visita do papa ao Brasil, em maio deste ano. Essa taxa é de 69% entre o total de entrevistados. Chega a 86% a taxa de católicos que declaram pretender acompanhar a visita de Bento 16 pela TV (69% entre a população em geral); 24% dos católicos dizem que têm a intenção de comparecer pessoalmente a algum dos eventos do qual o papa participará no Brasil (18% entre a população).

64% dos brasileiros se declaram católicos

Os católicos continuam sendo maioria na população brasileira, segundo estudo realizado pelo Datafolha a partir de dados consolidados de oito pesquisas nacionais realizadas em 2006 e em 2007, em um total de 44642 entrevistas. Esses dados revelam que os católicos são 64%, que os evangélicos pentecostais somam 17%, e os não pentecostais, 5%. Espíritas kardecistas ou espiritualistas são 3% e, umbandistas, 1%. Adeptos do candomblé e de outras religiões afrobrasileiras não chegam a 1% e outras religiões atingem 3%. Dizem não ter religião ou ser ateus 7%.

Quando o Datafolha fez essa pergunta aos brasileiros pela primeira vez, em agosto de 1994, 75% dos brasileiros se diziam católicos, 10% evangélicos pentecostais e 4% evangélicos não pentecostais.

A análise segmentada dos resultados mostra contrastes, principalmente, no que diz respeito às duas religiões com maior número de adeptos: o catolicismo e as igrejas evangélicas pentecostais.

Nas cidades localizadas no interior do país, o percentual de brasileiros que se declaram católicos é de 70%, seis pontos acima da média nacional. Nas capitais, essa taxa é de 56%, oito pontos abaixo da média. Nas cidades localizadas em regiões metropolitanas, capitais incluídas, ela também é de 56%; quando as capitais são excluídas da análise ela é de 55%.

Os evangélicos pentecostais se destacam nas regiões metropolitanas do país. São 20% entre os que moram nessas cidades, capitais incluídas. Quando se levam em consideração apenas as capitais, essa taxa é de 19%; no segmento de municípios localizados em regiões metropolitanas, mas sem contar as capitais, ela chega a 23%, seis pontos acima da média registrada nacionalmente.

No Nordeste, o percentual de brasileiros que se declaram católicos chega a 71%, sete pontos percentuais acima da média. No interior nordestino essa taxa chega a 75%, 11 pontos acima da média. Já nas capitais da região ela fica ligeiramente abaixo da média, sendo de 61%.

Esses percentuais se assemelham aos registrados entre os moradores da região Sul, onde 70% se declaram católicos, sendo que essa taxa é de 73% no interior e de 63% nas capitais.

Nessas regiões são registrados os menores percentuais de evangélicos pentecostais: 13% entre os moradores do Sul, 14% entre os nordestinos. Nas cidades localizadas no interior de ambas as regiões a taxa de moradores que se declaram evangélicos pentecostais é de 12%, cinco pontos percentuais abaixo da média nacional.

Nas regiões Norte e Centro-Oeste, o percentual de católicos fica dentro da média (62%), e a taxa de evangélicos pentecostais (20%) é ligeiramente maior do que a registrada no país como um todo, chegando a 23% nas cidades localizadas em regiões metropolitanas, excluídas as capitais.

No Sudeste, 59% se dizem católicos, taxa cinco pontos inferior à média nacional. Nessa região, os evangélicos pentecostais chegam a 20% (três pontos acima da média). A pesquisa permite uma análise, em separado, de três Estados dessa região: São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Entre os paulistas, 59% se dizem católicos e 20% evangélicos pentecostais. Entre os que moram na cidade de São Paulo, 54% se declaram católicos (10 pontos abaixo da média nacional) e 20% se dizem evangélicos pentecostais. Entre os que residem no interior do Estado essas taxas são de, respectivamente, 64% e 19%. Nas cidades localizadas em regiões metropolitanas do Estado, sem contar as capitais, a taxa de evangélicos pentecostais chega a 24%, sete pontos maior do que a média nacional.

No Estado do Rio, a taxa de entrevistados que se declaram católicos fica 18 pontos abaixo da média, sendo de 46%. Essa diferença se distribui entre outras religiões e entre os que declaram não ter qualquer vínculo religioso, destacando-se os que se declaram evangélicos pentecostais (23%, seis pontos percentuais acima da média nacional), os evangélicos não pentecostais (7%), os espíritas (5%) e os que dizem não ter religião (12%, cinco pontos acima da média). Entre os que moram na capital, 45% são católicos e 24% são evangélicos pentecostais.

A exemplo do que ocorre em São Paulo, entre os moradores de municípios localizados em regiões metropolitanas do Estado do Rio de Janeiro, capitais excluídas, há mais evangélicos pentecostais. Nesse caso, eles são 29%, taxa 12 pontos superior à média nacional, e maior taxa verificada entre todos os segmentos analisados no estudo. Nessas cidades, a taxa de católicos é de 41%, 23 pontos abaixo da média do país, e a menor entre todos os segmentos analisados. Ateus e pessoas sem religião ficam acima da média, chegando a 13%.

Em Minas Gerais, 69% são católicos, 15% são evangélicos pentecostais e 5% são evangélicos não pentecostais. Contribuem para um percentual de católicos acima da média nacional as cidades do interior do Estado, nas quais 73% dizem seguir essa religião. Em Belo Horizonte, por outro lado, a taxa dos que se declaram católicos fica abaixo da média, sendo de 56%.

Quanto maiores a escolaridade e a renda do entrevistado, menor a adesão ao catolicismo. São católicos 67% dos que têm escolaridade fundamental, 62% dos que completaram o ensino médio e 59% daqueles com nível superior. Entre os brasileiros mais escolarizados 9% se declaram espíritas, taxa seis pontos superior à média nacional, e 11% não têm religião, quatro pontos acima da média. Entre os que têm renda familiar mensal até dois salários mínimos, 66% se declaram católicos. Essa taxa é de 63% entre os que têm renda na faixa de dois a cinco salários mínimos, de 61% entre os que têm rendimentos de cinco a dez salários mínimos e de 60% entre os que ganham mais de dez mínimos. Entre os brasileiros que se enquadram no segmento de maior renda, a taxa de espíritas é de 8% (cinco pontos acima da média) e a dos que não têm religião alguma chega a 11% (quatro pontos acima da média).

Entre os brasileiros com 60 anos ou mais, a taxa de católicos chega a 71%, dez pontos maior do que a registrada entre aqueles com idade de 16 a 24 anos (61%).

O percentual dos que se declaram evangélicos é ligeiramente maior entre as mulheres (19%) do que entre os homens (15%). Entre eles, 65% se dizem católicos, taxa que é de 63% entre as brasileiras.

O estudo também permite uma análise levando-se em consideração a ocupação dos entrevistados. Quando os dados são analisados dividindo-se os entrevistados entre aqueles que fazem parte da População Economicamente Ativa (PEA), como assalariados, freelancers e profissionais liberais, e os que não fazem parte dela (aposentados, donas de casa, pessoas que apenas estudam), de um modo geral, não se verificam maiores contrastes. Entre os que fazem parte da PEA, 63% se declaram católicos, 17% são evangélicos pentecostais e 5% são evangélicos não pentecostais. Entre os que não fazem parte da PEA essas taxas são de, respectivamente, 67%, 18% e 4%.

Contrastes são observados quando se consideram alguns segmentos específicos: entre os brasileiros desempregados, por exemplo, o percentual de católicos é de 59%, cinco pontos abaixo da média nacional, enquanto a taxa de evangélicos pentecostais fica ligeiramente acima da média, chegando a 20%. O percentual de adeptos da religião católica também fica abaixo da média entre os estagiários e aprendizes (53%) e entre os profissionais liberais (59%).

Entre os aposentados, 71% se declaram católicos, taxa sete pontos superior à registrada entre os brasileiros como um todo.

Entre as donas-de-casa 66% se dizem católicas, e a taxa de evangélicos fica quatro pontos acima da média, chegando a 21%. Dizem não ter religião 3% das donas-de-casa, taxa quatro pontos inferior à média nacional.

Por outro lado, o percentual de entrevistados que dizem não ter religião chega a 15% entre os estagiários e aprendizes e a 12% entre os que apenas estudam no momento, percentual idêntico ao observado entre os profissionais liberais. Entre os que fazem parte dessa categoria de profissionais a taxa dos que se declaram espíritas chega a 13%, 10 pontos percentuais acima da média nacional.

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