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Lula atinge aprovação recorde

Opinião Pública -

Prestes a completar cinco anos e três meses de governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atinge 55% de aprovação, maior taxa obtida em seu mandato, e recorde positivo desde que o Datafolha começou a fazer pesquisas nacionais de avaliação do governo Federal, em 1990. Esse percentual é similar ao que ele obteve no final de outubro de 2006, às vésperas do segundo turno da eleição presidencial, quando 53% consideravam seu governo ótimo ou bom.

Em relação à última pesquisa realizada pelo Datafolha sobre a avaliação do presidente, em novembro do ano passado, a taxa dos que consideram o desempenho de Lula ótimo ou bom subiu cinco pontos (eram 50%). Esse aumento na aprovação reflete variações na taxa dos que classificam o governo do petista como regular (de 35% para 33%) e na dos que opinam que ele vem sendo ruim ou péssimo (de 14% para 11%).

O Datafolha ouviu 4044 brasileiros, a partir dos 16 anos de idade, entre os dias 25 e 27 de março de 2008. A margem de erro máxima, para os resultados que se referem ao total de entrevistados, é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos.

A taxa de aprovação ao desempenho de Lula subiu 11 pontos percentuais (de 41% em novembro para 52% hoje) entre os brasileiros que moram na região Sul do país, que têm sido dos mais críticos em relação ao governo. Nesse segmento, a taxa dos que reprovam o desempenho do presidente caiu sete pontos percentuais (de 20% para 13%), e ao dos que classificam sua atuação como regular teve uma queda de quatro pontos (de 38% para 34%).

Entre os que moram no Nordeste, que têm sido os que mais aprovam o presidente, o percentual de aprovação a Lula subiu oito pontos, tendo passado de 60% para 68%. Nas regiões Norte e Centro-Oeste a aprovação passou de 54% para 58%.

O Sudeste foi a região na qual se verificaram as menores variações: a taxa de aprovação ao presidente oscilou de 46% para 47% e a de reprovação passou de 17% para 14%.

Lula continua obtendo maior aprovação entre os que moram em cidades localizadas no interior, nas quais a taxa de aprovação subiu de 54% para 60%, do que entre os que moram em capitais e em outras cidades de regiões metropolitanas, nas quais esse aumento foi de 45% para 49%.

A aprovação ao desempenho de Lula aumentou sete pontos percentuais entre os brasileiros com nível superior de escolaridade: nesse segmento, a taxa dos que classificam o governo do petista como ótimo ou bom subiu de 40% para 47%, enquanto a dos que consideram-no ruim ou péssimo passou de 20% para 16%. Variações percentuais semelhantes se deram entre os que chegaram ao ensino médio: nesse estrato, a taxa dos que consideram o governo Lula ótimo ou bom subiu de 45% para 52% e a dos que acham que ele está sendo ruim ou péssimo foi de 14% para 10%.

Entre os que têm o ensino fundamental, a taxa de aprovação ao presidente passou de 57% para 60%.

A aprovação ao desempenho de Lula aumentou sete pontos percentuais entre os brasileiros que fazem parte de famílias com renda entre cinco e dez salários mínimos: nesse segmento, a taxa dos que classificam o governo do petista como ótimo ou bom passou de 43% em fevereiro para 50% hoje, enquanto a parcela dos que reprovam seu desempenho caiu seis pontos percentuais, de 19% para 13%.

Entre os que ganham até cinco salários mínimos, a taxa de aprovação a Lula subiu cinco pontos, de 52% para 57%. No outro extremo da estratificação por renda familiar, entre os que têm rendimentos acima de dez mínimos, foram quatro pontos de aumento na taxa de aprovação (de 39% para 43%) e sete pontos a menos na de reprovação (de 25% para 18%).

Entre os que moram na cidade de São Paulo, 44% acham que Lula está fazendo um governo ótimo ou bom, taxa 11 pontos abaixo da média registrada nacionalmente. Para 36% ele está fazendo um governo regular e 19% consideram o desempenho do presidente ruim ou péssimo.

Os moradores da cidade do Rio de Janeiro dão a Lula avaliação semelhante à conferida a ele pelos habitantes da capital paulista: 47% aprovam, (oito pontos abaixo da média), 16% reprovam e 35% consideram o desempenho do petista regular.

A nota atribuída a Lula pelos brasileiros também é recorde: em uma escala de zero a dez, ele obtém nota média 7. Em novembro do ano passado era 6,7.

Saúde atinge primeiro lugar como principal problema do país e área em que governo Lula está se saindo pior

O percentual de brasileiros que citam a saúde, espontaneamente, como principal problema do país, chegou a 29%, oito pontos a mais do que taxa registrada em novembro do ano passado (21%). Com isso, a saúde ocupa, pela primeira vez durante o governo Lula, o primeiro lugar do ranking de problemas nacionais. No levantamento anterior, ela dividia o topo da lista com violência e desemprego.

Entre os que moram na cidade do Rio de Janeiro, que enfrenta uma epidemia de dengue que contabilizava mais de 30 vítimas fatais até o dia de fechamento da pesquisa, o percentual dos que citam a saúde como principal problema chega a 41%.

O percentual dos que citam o desemprego oscilou de 18% para 20% e a taxa dos que mencionam a violência oscilou de 21% para 17%.

Também foram registradas oscilações no que se refere à educação (de 10% para 7%) e à corrupção (de 7% para 5%).

Alguns dos outros problemas citados são fome e miséria (4%), salários (2%), economia, de modo geral, inflação, área social e habitação (1%, cada).

A saúde também ocupa o primeiro lugar no que diz respeito ao setor em que o governo Lula vem se saindo pior. O percentual dos que citam a saúde espontaneamente como a pior área de atuação do governo Federal subiu de 22% em novembro para 28% hoje (41% entre os moradores da cidade do Rio de Janeiro). A taxa dos que citam a violência como pior área de atuação do governo Lula passou de 18% para 15%. O combate ao desemprego é citado por 11% (eram 10% na pesquisa anterior). Vêm a seguir, entre outras áreas citadas: educação (6%), combate à corrupção (4%), salários (3%) e combate à fome e à miséria (2%).

Quando indagados sobre a área em que o governo Lula está se saindo melhor, 14% citaram a educação. O combate à fome e à miséria e o desempenho na área da economia foram citados por 11%, cada. Os programas sociais, de modo geral, foram citados por 9%. Também foram citados, entre outros setores, a saúde, o combate ao desemprego (5%, cada), os salários (3%), a inflação e a área da habitação (2%, cada).

Para 9% o governo Lula não está se saindo melhor em nenhuma área e 18% não sabem citar o setor em que o presidente está tendo melhor desempenho.

Expectativas em relação a economia se mantém estáveis

As expectativas dos brasileiros quanto à economia se mantém estáveis em relação à última pesquisa do Datafolha sobre o tema, realizada em novembro do ano passado. Quando pensam na inflação, 48% acham que, daqui para a frente, ela vai aumentar. No levantamento anterior, essa taxa era de 46%. O percentual dos que acreditam na queda da inflação passou de 40% para 36%, e a taxa dos que pensam que não haverá mudança se manteve em 9%.

No que se refere ao desemprego, 42% acham que ele vai aumentar (eram 45%), 24% acreditam em sua diminuição (percentual idêntico ao registrado anteriormente) e 30% acreditam que ele vai continuar como está (eram 28%).

Com relação ao poder de compra dos salários, 32% acham que ele vai aumentar, 29% dizem que ele vai diminuir e 34% opinam que ele não vai mudar. Em novembro essas taxas eram, respectivamente, de 32%, 28% e 34%.

Solicitados a pensar em sua situação econômica pessoal, levando-se em consideração os próximos seis meses, 53% acham que ela vai melhorar (taxa que era de 54% em novembro), 33% acreditam que ela vai ficar como está (eram 32%) e 11% preveem uma piora (eram 10%).

Quando se trata da situação econômica do país, o otimismo, como de costume, é menor, quando comparado à previsão para o próprio futuro: a maior parte (41%) acha que ela vai ficar como está, 34% acreditam em melhora e 20% dizem que a economia nacional vai piorar. Os percentuais são praticamente idênticos aos registrados em novembro, quando os mesmos 34% acreditavam em melhora na economia, 21% achavam que ela ia piorar e 41% diziam que ela se manteria sem mudanças.

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