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Centenário da imigração japonesa

Opinião Pública -

Japoneses e descendentes de japoneses que moram na cidade de São Paulo têm forte apreço pela cultura e pelos valores dos seus antepassados, principalmente no que se refere a aspectos como honestidade e valorização da educação. Embora declarem ter mais amigos não descendentes, e se relacionem afetivamente com pessoas de fora da colônia, no momento de uma união formal, a maior parte prefere alguém da mesma descendência; a tendência à miscigenação é mais frequente entre os netos de japoneses.

Esses são alguns dos dados de pesquisa realizada pelo Datafolha junto a 607 japoneses e descendentes, a partir dos 16 anos de idade, entre os dias 15 e 19 de fevereiro de 2008. A margem de erro máxima, para o total da amostra, é de quatro pontos percentuais, para mais ou para menos.

59% têm muito interesse pela cultura japonesa

A maioria (59%) afirma ter muito interesse pela cultura japonesa. Dizem ter um pouco de interesse 36%. Apenas 4% declaram não ter nenhum interesse pela cultura de seu povo.

Entre os que nasceram no Japão, o percentual dos que dizem ter muito interesse pela cultura do seu país chega a 74%. Já entre os filhos e netos de japoneses, as taxas dos que declaram muito interesse ficam dentro da média, sendo de, respectivamente, 57% e 59%.

O percentual dos que dizem ter muito interesse pela cultura japonesa fica acima da média principalmente entre os que já viajaram ao Japão a turismo (77%) ou para estudar (76%), entre os que se declaram budistas (75%) e entre os que falam, leem e escrevem o idioma (74%). Quanto mais escolarizado o entrevistado, maior o interesse pela cultura japonesa: entre os que têm escolaridade fundamental, 42% dizem ter muito interesse. Essa taxa é de 58% entre os que têm escolaridade média e de 64% entre os que têm nível superior. No segmento dos que têm renda familiar mensal até dois salários mínimos, 47% dizem ter muito interesse pela cultura japonesa. Essa taxa é de 51% entre os que ganham entre dois e cinco salários mínimos, de 63% na faixa dos que têm renda entre cinco e dez salários mínimos e de 61% entre aqueles cujos rendimentos superam os dez mínimos. Entre os que têm de 16 a 24 anos, 66% dizem ter muito interesse pela cultura japonesa; essa taxa cai para 52% entre os que têm de 25 a 34 anos. Nas demais faixas etárias os resultados ficam dentro da média.

Além dessa pergunta, os entrevistados foram apresentados a quatro frases sobre seu interesse pela cultura japonesa e solicitados a dizer com qual delas concordam mais. A maioria (56%) declara concordar com a seguinte afirmação: "embora viva no Brasil, acho muito importante manter os laços com a cultura japonesa". Concordam com a afirmação "eu vivo no Brasil, mas me interesso muito pela cultura japonesa" 27% e se identificam com a frase "eu vivo no Brasil, por isso me interesso pouco pela cultura japonesa" 14%. Apenas 3% concordam com a afirmação "eu vivo no Brasil, por isso a cultura japonesa não me interessa"; entre os que têm escolaridade fundamental a taxa dos que se identificam com essa frase chega a 11%.

Um terço (30%) declara frequentar ou pertencer a alguma associação de cultura japonesa. Entre os que nasceram no Japão, a taxa dos que dizem fazer parte de alguma associação chega a 40%. Entre filhos e netos ela é de 29%. Metade (50%) dos que foram ao Japão para estudar tem vínculo com alguma associação; entre os que viajaram a turismo essa taxa é de 44% e entre os que foram trabalhar, de 24%. Os budistas também ficam acima da média nesse aspecto, chegando a 39% a taxa dos adeptos dessa religião que dizem freqüentar alguma associação cultural japonesa. No que diz respeito à idade, os mais jovens são os mais ativos: 37% dos que têm entre 16 e 24 anos de idade pertencem a alguma associação de cultura japonesa. Entre os que têm de 35 a 44 anos de idade essa taxa cai para 18%; nas demais faixas etárias ela fica dentro da média.

Quase a totalidade (95%) dos entrevistados afirma comer comida japonesa e 89% dizem comprar em estabelecimentos japoneses. Outro hábito declarado pela maioria (58%) é assistir filmes japoneses. Cerca de metade (48%) têm o hábito de ler publicações japonesas, 44% costumam assistir programas de TV japoneses, 37% visitam sites voltados para japoneses. Um quarto (25%) costuma ler literatura japonesa, percentual idêntico ao dos que têm o hábito de tirar o calçado para entrar em casa.

Entre os que costumam comer comida japonesa, 40% dizem que comem em casa sempre e 49% comem de vez em quando. Um quinto (21%) costuma comer comida japonesa em restaurantes sempre; 60% vão a restaurantes para comer comida japonesa de vez em quando.

Afirmam praticar alguma arte marcial atualmente 7%. Desses, 2% praticam judô. Atingem 1% de menções, cada, karate, aikido e tai chi chuan.

Dos que não praticam artes marciais, 36% dizem já ter praticado, sendo as mais citadas judô (19%) e karatê (13%).

Assistir animes é um hábito cultivado por 44% dos entrevistados. Costumam comprar e ler mangás 37% e têm o hábito de fazer origamis 38%. Um terço (30%) costuma ir a karaokês. Apenas 9% fazem ikebanas, mesmo percentual dos que cultivam bonsais.

Honestidade e educação são principais valores

Quando indagados sobre qual é o principal valor que herdaram da cultura japonesa, 15% fazem referências espontâneas a valores morais como integridade, moralidade e honestidade, e 14% citam a valorização da educação. Entre os filhos de japoneses, as menções a integridade, moralidade e honestidade chegam a 20% e a taxa dos que se referem à educação é de 18%.

Alguns dos outros valores citados são: disciplina (9%), respeito, de modo geral (7%), determinação (5%), respeito aos costumes e tradições japonesas, paciência, respeito pelos mais velhos (4%, cada), responsabilidade e respeito pelas pessoas (3%, cada).

Já no que diz respeito à cultura brasileira, são citados principalmente, de maneira espontânea, como valores que mais prezam, a alegria e o bom-humor do povo (18%) e a simpatia e a cordialidade dos brasileiros (14%). Entre os que nasceram no Japão, a alegria do povo brasileiro é mencionada por 26% e a taxa dos que mencionam a simpatia chega a 19%. Também merecem menção outros aspectos do caráter dos brasileiros, como espontaneidade, amizade (7%, cada), receptividade e hospitalidade (6%) e solidariedade, (4%). Atingem 3%, cada, liberdade de expressão, a mistura de raças e a persistência.

Indagados sobre os valores morais que orientam seu comportamento em comparação com os valores de seus pais, 43% dizem que eles são praticamente iguais, 39% declaram que são um pouco diferentes e 18% afirmam que eles são muito diferentes.

Os valores da cultura japonesa que os entrevistados que têm ou que pretendem ter filhos mais pretendem passar para suas crianças são os mesmos apontados como sua principal herança: honestidade, integridade e ética e a valorização da educação (citados por 21%, cada), além de respeito, de modo geral (15%). Também se destacam, entre outros valores citados: disciplina, perseverança (10%, cada), seguir e respeitar as tradições japonesas (8%), determinação nos estudos, respeito ao próximo, cultura (6%, cada), culinária (5%), respeito aos mais velhos, e gosto pelo trabalho (4%).

Entre os que são filhos de japoneses as menções aos aspectos éticos, à integridade, à honestidade, chegam a 28%.

Declaram ter votado em algum candidato de origem japonesa nas últimas eleições 38%. Entre os filhos de japoneses essa taxa sobe para 46%.

Maioria não vê preconceito

A maioria (62%) dos entrevistados acha que os brasileiros não têm preconceito em relação aos japoneses e seus descendentes. Acreditam que os brasileiros são preconceituosos em relação aos japoneses 36%: para um terço (30%) os brasileiros têm um pouco de preconceito e para 6% eles têm muito preconceito. Dizem já ter sentido discriminação por ser descendente de japoneses 31%, taxa que chega a 37% entre os que nasceram no Japão.

Entre os que têm de 16 a 24 anos o percentual dos que acham que os brasileiros têm preconceito em relação aos japoneses chega a 44% (37% veem um pouco de preconceito, 7% acham que existe muito preconceito). Entre os que nasceram no Japão, 70% acham que os brasileiros não têm preconceito em relação aos japoneses e seus descendentes (taxa oito pontos acima da média). Essa taxa fica dentro da média entre os filhos (64%) e entre os netos (62%) de japoneses.

Aos que acham que os brasileiros têm preconceito foi perguntado quais seriam eles. Empatam, com 21%, cada, menções a preconceitos por causa da aparência física e referentes a aspectos da personalidade. No que se refere à aparência física, 15% acham que os brasileiros têm preconceito em relação aos "olhos puxados" dos japoneses. Incomodam-se por pensar que os brasileiros acham que os japoneses "têm que ser" inteligentes, ou "nerds", 12%. Para 14% os brasileiros demonstram preconceito ao chamar os japoneses e seus descendentes de "japas" ou ao utilizar outros apelidos considerados pejorativos. Preconceito racial, de modo geral, é citado por 13%. Alguns dos outros preconceitos citados são que os japoneses "roubam" vagas nas universidades, a ideia de que todo japonês é rico (5%, cada), referências ao idioma, ao modo de falar e aos costumes, de modo geral, e a ideia de que os homens dessa origem têm pênis pequeno (4%, cada).

Para 44% os descendentes de japoneses têm preconceito em relação aos brasileiros: 10% acham que existe muito preconceito e 34% veem um pouco de preconceito. Não concordam que os japoneses têm preconceito em relação aos brasileiros 54%.

Ente os que têm de 16 a 24 anos, a taxa dos que pensam que existe preconceito dos japoneses em relação aos demais brasileiros chega a 56% (12 pontos acima da média): 14% acham que existe muito preconceito e 41% dizem que existe um pouco de preconceito.

Para 22% dos que acham que esse preconceito existe, os descendentes de japoneses não gostam de miscigenação através do casamento. Na opinião de 18%, eles não gostam de ter a companhia, ou de "se misturar" aos brasileiros. Citam a ideia de que os brasileiros são desonestos, que sempre querem levar vantagem, 13%. São citados, entre outros preconceitos, ainda, o fato de brasileiro ser preguiçoso (6%), bagunceiro e o preconceito específico contra os negros (4%, cada).

Também são 44% os que acham que os descendentes de japoneses têm preconceito em relação aos outros orientais, sendo que, para 16% existe muito preconceito e para 28% trata-se de um pouco de preconceito. Discordam dessa ideia 51%.

Um terço (30%) dos que acham que os descendentes têm preconceito em relação aos outros orientais afirma que isso decorre das guerras e conflitos entre japoneses, chineses e coreanos. Alguns dos outros preconceitos citados são: por causa de costumes e hábitos diferentes (13%), o fato dos descendentes de japoneses não gostarem de andar na companhia de outros orientais (12%), a visão de que esses orientais são inferiores (11%), desonestos (7%) ou sujos (6%).

A maioria (54%) diz não se irritar com nenhuma piada em relação aos japoneses. Dos que dizem se irritar, 15% citam a piada segundo a qual os japoneses têm pênis pequeno, taxa que chega a 21% entre os netos de japoneses. Reclamam das referências aos "olhos puxados" 9% e citam a ideia de que japonês é tudo igual 3%, mesmo percentual dos que se incomodam por serem chamados de "japa" ou de outras maneiras consideradas pejorativas.

Descendentes se veem como mais tímidos, mais respeitadores das regras, mais esforçados nos estudos

Os entrevistados foram solicitados a comparar os descendentes de japoneses nascidos no Brasil com a média dos brasileiros em relação a 16 aspectos, por meio de uma escala que vai da total concordância à total discordância.

Cinco desses aspectos atingem taxas acima de 70% de entrevistados que concordam com a afirmação. O percentual dos que concordam com a afirmação de que os descendentes de japoneses são mais tímidos do que a média dos brasileiros, por exemplo, chega a 87% (48% concordam totalmente). Concordam com a tese de que eles respeitam mais as regras da sociedade 85%, e que são mais esforçados no estudo, 80%. A concordância com a afirmação de que os descendentes de japoneses são mais fechados é de 78% e estão totalmente de acordo com a afirmação de que eles são mais trabalhadores 72%.

A maioria também concorda que os descendentes de japoneses são mais secos (66%) e mais confiáveis (64%).

Metade (50%) concorda que eles são mais criativos. Nesse caso, 35% discordam da afirmação e 14% não concordam nem discordam. Quanto à afirmação de que os descendentes de japoneses são mais limpos, 49% concordam, 33% discordam e 18% não concordam nem discordam.

No que diz respeito a afeto e religiosidade, as opiniões se dividem. Acham que os descendentes de japoneses são menos afetuosos 46%, ante 44% que discordam da afirmação. Para 44%, eles são mais religiosos e, na opinião de 42%, isso não é verdade.

Quando indagados se os descendentes de japoneses são mais inteligentes, 51% discordam e 39% concordam. Acham que eles são mais preconceituosos 53% e discordam dessa afirmação 39%. A maioria discorda que os japoneses sejam menos amigos (62%), mais bonitos (57%) ou mais falsos (70%).

Um quinto já foi ao Japão para trabalhar ou a turismo; 87% preferem morar no Brasil

Dizem já ter ido ao Japão a turismo 22%. Entre os que nasceram no país, 33% dizem já ter voltado a ele como turista. Entre os filhos de japoneses, 28% já foram fazer turismo no Japão. Entre os netos, essa taxa cai para 17%.

Já foram ao Japão para trabalhar 21%, taxa que é o dobro (42%) entre os que têm de 35 a 44 anos.

Entre os que já foram ao Japão para trabalhar, a média de tempo que passaram lá é de 3,8 anos. Em uma escala de zero a dez, a nota média que esses entrevistados dão para a experiência é 8, sendo que 42% dão nota dez.

Chega a 90% a taxa dos que afirmam que alguém da família já foi ao Japão para trabalhar. Os parentes mais citados são primos (44%), tios (38%), irmãos (35%), pai (19%) e mãe (13%).

A taxa dos que já foram ao Japão para estudar é menor: apenas 8% já passaram pela experiência, que durou em média 2,3 anos, e que recebe desses entrevistados nota média 9. Um terço (31%) afirma que alguém da família já foi ao Japão para estudar, principalmente primos (13%) e irmãos (9%).

Se pudessem escolher, 87% dos entrevistados optariam por morar no Brasil. Apenas 12% escolheriam morar no Japão.

Entre os que têm de 16 a 24 anos a taxa dos que escolheriam o Japão para viver chega a 20%. Ela é de 12% entre os que têm de 25 a 34 anos, de 8% na faixa que vai dos 35 aos 59 anos e de 3% no segmento com 60 anos ou mais. Entre os homens, a taxa dos que escolheriam morar no Japão (16%) é o dobro da verificada entre as mulheres (8%). Entre os que já foram ao Japão para trabalhar, 17% optariam por continuar morando naquele país. Essa taxa é de 14% entre os que foram ao Japão a turismo e de 13% entre os que foram estudar.

A maioria (55%) diz que nunca pensou em morar no Japão, mas significativos 30% já tiveram esse plano e mudaram de ideia e 15% ainda pensam em mudar para o país (26% entre os que têm de 16 a 24 anos).

Maioria casa com descendentes

Dos entrevistados que são ou já foram casados, a maioria (66%) vive ou viveu com um companheiro que também é ou era descendente de japoneses. São ou foram casados com não descendentes 34%.

Entre os nascidos no Japão, 90% são ou já foram casados com pessoas da mesma descendência. Entre os que são filhos de japoneses essa taxa é de 69% e entre os que são netos ela cai para 49%.

Por outro lado, a maioria (67%) diz já ter namorado com alguém que não fosse descendente de japoneses. Essa experiência é mais comum entre os netos (72% deles) e entre os filhos (65%) de japoneses. Entre os que nasceram no Japão, 58% nunca namoraram com alguém que não fosse descendente, ante 42% que viveram tal situação.

Os entrevistados que tiveram relacionamentos com não descendentes, em sua maioria, declaram não ter tido problemas familiares por causa disso: 75% afirmam que não tiveram que enfrentar resistência. Dos que enfrentaram resistência (25%), a maior parte (20%) diz que a rejeição partiu de sua própria família; 3% dizem ter enfrentado resistência por parte da família do parceiro e 2% declaram que ela partiu de ambas as famílias. As mulheres, mais do que os homens, dizem ter passado por problemas ao optar por um relacionamento com alguém de fora de sua colônia: 32% delas dizem ter enfrentado resistência (27% por parte de sua própria família), ante 14% dos homens que dizem o mesmo.

A maioria (58%) declara que seus amigos mais próximos não são descendentes de japoneses. Dizem que a maioria dos amigos são descendentes 38%. Entre os que nasceram no Japão, 51% declaram que seus amigos mais próximos são, em sua maioria, descendentes de japoneses (13 pontos acima da média).

Mulheres e homens com descendência japonesa são vistos como mais tímidos, mais calmos e mais confiáveis
Sensualidade é atributo mais associado a brasileiros e brasileiras

Os entrevistados foram solicitados a comparar homens e mulheres, descendentes e brasileiros, em relação a alguns aspectos.

Em comparação com as brasileiras, as mulheres com descendência japonesa são vistas como mais tímidas (opinião de 87%), mais calmas (67%), mais fiéis (47%) e mais confiáveis (45%).

Em três aspectos, as descendentes empatam com a opção "ambas". São eles: atenção com o marido (39% a 38%), sinceridade (38% a 38%), companheirismo (36% a 37%).

Quando se trata de quem é mais fácil de conviver, 37% dizem que ambas, 32% mencionam as descendentes e 21% se referem às brasileiras.

Para 42% dos entrevistados ambas podem ser consideradas maternais. Essa taxa é de 25% em relação às descendentes e de 24% no que se refere às brasileiras.

Quando se fala em beleza, 42% apontam as brasileiras como as mais bonitas, 40% citam ambas e 11% mencionam as descendentes.

O único aspecto no qual as brasileiras ficam indubitavelmente em primeiro lugar é a sensualidade: para 66% dos entrevistados elas são as mais sensuais, ante 7% dos que citam as descendentes e 22% dos que respondem "ambas". Entre as mulheres, chega a 71% a taxa das que consideram as brasileiras mais sensuais, ou dez pontos percentuais a mais do que o resultado verificado entre os homens (61%).

Os homens descendentes de japoneses também são considerados mais tímidos (opinião de 83%), mais calmos (63%) e mais confiáveis (43%).

Quanto à sinceridade, 37% citam os descendentes e percentual idêntico acha que um é tão sincero quanto o outro. Os resultados são idênticos no que se refere à fidelidade, excetuando-se o fato de que 13% acham os brasileiros mais sinceros e 5% acham que eles são mais fiéis.

Quando indagados sobre qual é o mais companheiro, 34% dizem que ambos, 29% citam os brasileiros e 26% mencionam os descendentes.

Quanto ao mais paternal, 39% acham que ambos, 25% citam os brasileiros e 26% mencionam os descendentes.

Para 40% ambos são de fácil convivência; na opinião de 28% os brasileiros são mais fáceis de conviver e 23% acham que os descendentes são os que mais se destacam quanto a esse aspecto.

Segundo 35%, o brasileiro é mais atencioso com suas companheiras; entre as mulheres entrevistadas essa taxa chega a 41%, taxa 12 pontos maior do que a registrada entre os homens (29%). Para 36%, ambos dispensam o mesmo grau de atenção às suas mulheres e, para 21%, os descendentes são melhores nesse aspecto.

Os brasileiros são considerados mais bonitos por 34%, ante 40% que pensam que ambos podem assim ser considerados e 13% que apontam os descendentes como os de maior beleza. Entre as mulheres, 48% acham os brasileiros mais bonitos.

A maior parte (53%) acha que os brasileiros são mais sensuais do que os descendentes, taxa que chega a 67% entre as mulheres.

Top of Mind

Os entrevistados foram indagados sobre o que vêm às suas cabeças quando pensam no Brasil e no Japão. Como as respostas foram muito diversificadas, elas foram agrupadas em grupos: "positivas", "negativas" e "neutras".

A maior parte associa idéias "neutras" aos dois países. No caso do Brasil, 48% fazem referências a idéias neutras, como futebol (8%), carnaval e samba (6%), calor e clima tropical, o fato de ser a terra do entrevistado (5%, cada), diversidade de culturas e raças, miscigenação e praia (3%).

Menções positivas atingem 34%. São pensamentos que dizem respeito a um país ótimo, melhor país do mundo (6%), felicidade, alegria (5%), receptividade do povo brasileiro (4%), país bom de morar, liberdade, crescimento e oportunidades (2%, cada).

Lembram primeiramente de aspectos negativos 15%: são, entre outras, menções à falta de segurança, violência e criminalidade (4%), corrupção (3%), pobreza, exclusão social, fome e miséria (2%), bagunça, desorganização, má administração e desemprego (1%, cada).

Quando pensam no Japão, 53% o associam a idéias "neutras", como tecnologia (14%), os antepassados e familiares (9%), educação e disciplina, tradição, cultura (4%, cada), culinária (3%), o fato de ser o país de origem e o Monte Fuji (2%, cada).

Aspectos positivos somam 37%. São, entre outros, trabalho, ou o fato dos japoneses serem um povo trabalhador (9%), ordem e organização (5%), riqueza, progresso e desenvolvimento, vontade de visitar o país (3%, cada), o fato de ser um país de Primeiro Mundo e segurança (2%, cada).

Apenas 7% associam o Japão a idéias negativas, sendo que apenas dois itens atingem 1% de menções: a percepção de que as pessoas são muito frias e a sensação de que o clima do país é muito frio.

Perfil

São do sexo masculino 51% e do sexo feminino 49% dos entrevistados. A média de idade é 37 anos, distribuídos da seguinte forma, segundo cinco faixas etárias: 16 a 24 anos (34%), 25 a 34 anos (19%), 35 a 44 anos (13%), 45 a 59 anos (20%) e 60 anos ou mais (14%).

A maioria (56%) dos descendentes têm nível superior de escolaridade. Chegaram ao ensino médio 33% e têm escolaridade fundamental 10%. Um perfil mais escolarizado do que o da população da cidade de São Paulo, entre a qual 15% têm escolaridade superior, 42% têm escolaridade fundamental e 43% chegaram ao ensino médio.

No que diz respeito à renda familiar mensal, 28% se situam na faixa com rendimentos até cinco salários mínimos, 23% estão no segmento dos que ganham entre cinco e dez salários mínimos, 27% têm rendimentos entre dez e 20 mínimos e 8% ocupam o estrato com renda acima de 20 salários mínimos. Entre a população da cidade de São Paulo a taxa dos que têm renda até cinco salários mínimos chega a 68%.

Declaram-se solteiros 59%, ante 33% que se dizem casados. São separados 4%, percentual idêntico ao de viúvos. Têm filhos 37%.

Chega a 82% a taxa dos que pelo menos entendem o idioma japonês. Não entendem o idioma de seus antepassados 18%, inclusive 12% dos que declaram ter nascido no Japão. Entre os filhos de japoneses, 10% dizem não entender o idioma; entre os netos, essa taxa chega a 24%.

Declaram falar o idioma japonês 60%; estão aptos a ler em japonês 46%, e a escrever, 43%. Indagados sobre como aprenderam o que sabem da língua japonesa, 73% dizem que foi em casa, com seus parentes. Aprenderam na escola 44% e estudando ou trabalhando no Japão 15%.

Quanto à religião, 44% dos entrevistados se declaram católicos. Se definem como budistas 12%. Vêm a seguir, entre outros, evangélicos pentecostais (5%), espíritas (4%), adeptos da Seisho-No-Ie (3%), da Tenrikyo, da Igreja Messiânica, evangélicos não pentecostais e xintoístas (1%, cada). Se declaram ateus 1%; declaram não ter religião 24%.

Entre os nascidos no Japão, ocorre empate entre católicos (26%) e budistas (23%). Nesse segmento, a taxa dos adeptos da Seisho-No-Ie chega a 12% (nove pontos acima da média). Entre os filhos e netos de japoneses os resultados ficam dentro da média.

A maioria (58%) dos que se declaram budistas se diz praticante. Entre os católicos, ocorre o contrário: 71% dizem não ser praticantes.

Do total de entrevistados, 7% nasceram no Japão (22% entre os que têm 60 anos ou mais). Declaram ter pais nascidos no Japão 43%, e que a mãe é japonesa, 34%. No que diz respeito aos avós, tanto por parte de pai quanto por parte de mãe, mais de 80% nasceram no Japão.

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