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83% dos brasileiros admitem já ter cometido pelo menos uma prática ilegítima

Opinião Pública -

Ato mais comum é comprar produtos piratas

Chega a 83% o percentual de brasileiros que admitem já ter cometido pelo menos uma prática ilegítima, ou corrupta, mostra pesquisa realizada pelo Datafolha entre os dias 4 e 6 de agosto de 2009.

Entre os que têm de 16 a 24 anos essa taxa vai a 93%.A admissão de prática ilegítima é maior entre os homens (86%) do que entre as mulheres (80%). Fica acima da média entre os que moram nas regiões Norte e Centro-Oeste (90%) e também entre os que residem em regiões metropolitanas, capitais incluídas (87%).

Foram realizadas 2122 entrevistas em 150 municípios e a margem de erro máxima é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.

Foram utilizados dois questionários na pesquisa. Primeiramente, o pesquisador do Datafolha fez uma série de perguntas sobre moralidade e corrupção, entre elas uma "bateria" de questões sobre alguns atos específicos, como comprar produtos piratas ou colar em provas ou concursos.

A seguir, o pesquisador entregou ao entrevistado um questionário para que ele próprio preenchesse, no qual se perguntava se ele tinha cometido tais atos ilícitos. Esse questionário foi depositado em uma urna lacrada, de forma a que o pesquisador não tivesse acesso às respostas do entrevistado, garantido assim que ele não se preocupasse com o sigilo das informações.

De modo geral, a pesquisa mostra que os que admitem que já cometeram tais ações ilegítimas consideram esses atos mais aceitáveis do que aqueles que dizem não tê-los cometido. Os brasileiros que fazem parte das classes A e B também são mais tolerantes quanto a esses atos do que os que integram as classes D e E. Esse resultado que provavelmente se relaciona ao fato de que os mais abastados são exatamente os que mais admitem práticas ilegítimas: 94% entre os que fazem parte das classes A e B, ante 83% dos que integram a classe C e 71% dos que pertencem às classes D e E.

A maioria (68%) dos brasileiros já comprou produtos piratas, como DVDs, CDs ou programas de computador. Apesar disso, 54% dos que já compraram produtos piratas considera essa prática moralmente errada. Do total de brasileiros entrevistados, 63% consideram essa prática moralmente errada.

Um terço (31%) já colou em provas ou concursos. Dos que já colaram em provas ou concursos, 72% acham que isso é moralmente errado, taxa que é de 86% entre o total de brasileiros.

Um terço (30%) já comprou produtos contrabandeados. Para 80% dos brasileiros, como um todo, esse é um hábito moralmente errado, taxa que cai para 59% entre os que já se envolveram com contrabando.

Dizem já ter recebido troco a mais, e não tê-lo devolvido, 27%. Para 88% do total de entrevistados, receber troco a mais e não devolver é moralmente errado: entre o total de entrevistados que já embolsaram dinheiro extra ao fazer uma compra, 74% acham que isso é moralmente errado.

Já baixaram músicas na internet sem pagar por elas 27%. Do total de entrevistados, 64% acham que esse é um ato moralmente errado. Entre os que já fizeram downloads musicais na rede, a taxa dos que acreditam que se trata de algo moralmente aceitável (39%) é ligeiramente superior à dos que acham que se trata de algo moralmente errado (34%). Para um quinto (20%) dos que já baixaram músicas gratuitamente não se trata de uma questão moral.

Admitem já ter ultrapassado o farol vermelho 26%. Para 83% do total de entrevistados essa é uma prática moralmente errada (66% entre os que já cometeram o delito).

Afirmam já ter comprado ingressos de cambistas 18%. Para 73% do total de entrevistados esse é um ato moralmente errado. Entre os que já compraram ingressos dessa forma, 39% acham moralmente errado e 35% consideram moralmente aceitável; 16% dizem que não se trata de uma questão moral.

Já baixaram filmes na internet sem pagar por eles 15%. Do total de brasileiros entrevistados, 66% consideram esse ato moralmente errado. Entre os que admitem ter baixado filmes sem pagar ocorre empate entre os que acham que se trata de algo moralmente errado e os que não veem problema na prática: 37% em ambos os casos.

São 14% os que admitem já ter parado o carro em fila dupla. Chega a 82% os que acham se tratar de algo moralmente errado (61% entre os que já fizeram).

Já compraram ou pagaram para que outra pessoa fizesse um trabalho escolar 12%. Para 88% do total de entrevistados trata-se de um ato moralmente errado (69% entre os que já fizeram).

Afirmam já ter mudado ou decidido o voto em uma eleição em troca de emprego ou favor 10%. Para 89%, isso é moralmente errado. Entre os que já mudaram ou decidiram o voto em troca de emprego ou favor, cerca de um terço (29%) considera essa atitude moralmente aceitável. Para 59% desses entrevistados ela é moralmente errada.

Percentual pouco menor (6%) admite já ter mudado ou decidido o voto em troca de dinheiro. Nesse caso, 94% do total acha que é algo moralmente errado e, taxa que é de 72% entre os que já literalmente venderam seu voto.

Os percentuais são parecidos no que se refere aos que dizem ter mudado ou decidido o voto em troca de algum presente: 5% já fizeram e 94% do total consideram a prática moralmente errada, que é condenada por 74% dos que já trocaram seu voto por algum presente.

Fazer ligações clandestinas (vulgarmente conhecidas como "gato") de fiação elétrica é uma prática admitida por 9% do total de entrevistados. Chega a 93% a taxa dos que consideram tal ato moralmente errado (76% pensam assim entre os que já fizeram).

Admitem ter levado material ou equipamento do trabalho para casa, sem autorização da empresa, 8%. Para 94% trata-se de um ato moralmente errado (79% entre os que admitem já ter feito).

Também são 8% os que dizem já ter pago para obter um atestado médico. Para 92% do total de entrevistados trata-se de algo moralmente errado, taxa que cai para 73% entre os que já fizeram.

As taxas são semelhantes quando se trata dos que já pagaram para obter uma receita médica: 7% já fizeram e 92% do total consideram a prática moralmente errada, que é condenada por 74% dos que já compraram uma prescrição médica.

Declaram ter levado objetos de restaurantes 6%. Consideram algo moralmente errado 95%; entre os que admitem já ter feito tal coisa, essa taxa é de 74%.

A taxa dos que admitem ter levado objeto de hotéis também é de 6%. Nesse caso, 93% do total de entrevistados acha que é algo moralmente errado e 70% dos que já fizeram tal coisa têm a mesma opinião.

Ofereceram dinheiro, ou uma caixinha, para um funcionário público, para obter alguma vantagem, 5%. Para 94% do total de entrevistados esse é um ato moralmente errado; 77% dos que já ofereceram caixinha concordam que se trata de um erro.

O percentual dos que ofereceram uma caixinha para um guarda de trânsito, para não pagar multa, também é de 5%. Para 93% do total de entrevistados esse é um ato moralmente errado; 68% dos que já ofereceram caixinha concordam que se trata de uma conduta moralmente errada, ante 22% que acham que é algo moralmente aceitável.

Também são 5% os que já mentiram ao declarar o imposto de renda. Consideram algo moralmente errado mentir ao declarar o imposto 82%; entre os que admitem já ter mentido ao preencher sua declaração essa taxa é de 65%.

Mentiram ao declarar o imposto de renda sobre despesas que não fizeram para obter uma restituição maior 4%. Consideram esse ato moralmente errado 87% do total de entrevistados e 77% dos que já o praticaram.

Pagaram para ser atendidos antes em serviços públicos de saúde 4%. Do total de entrevistados, 93% acham que é algo moralmente errado. Entre os que já pagaram por esse tipo de serviço a taxa dos que consideram esse ato moralmente errado é de 86%.

Têm ou já tiveram empregados ou funcionários sem registro em carteira 4%. Acham que isso é algo moralmente errado 86% do total de entrevistados. Metade (51%) dos que têm funcionários nessa condição acha que é algo moralmente errado, ante 27% que acreditam que se trata de algo moralmente aceitável.

Já compraram dólares no mercado paralelo, com doleiros ou cambistas, 4%. Para 81% do total de entrevistados trata-se de algo moralmente errado, percentual que é de 52% entre os que já fizeram tal coisa. Entre os que já compraram dólar no paralelo chega a 34% a taxa dos que acreditam que trata-se de algo moralmente aceitável.

O percentual dos que falsificaram documentos, de modo geral, é de 3%. Para 97% do total de entrevistados esse é um ato moralmente errado, taxa não muito diferente da verificada entre os que já praticaram falsificações (91%).

Falando de um documento específico, a carteira de estudante, que dá ao portador o direito de pagar meia-entrada em alguns estabelecimentos, 3% admitem já tê-la falsificado. Mais uma vez, quase a totalidade (95%) do total de entrevistados acha que se trata de um ato moralmente errado. Entre os que admitem já ter falsificado a carteira de estudante, 75% acham que cometeram um erro moral e 16% acreditam que fizeram algo moralmente aceitável.

Trouxeram produtos do exterior acima do limite legal, sem pagar o imposto correspondente, 3%. Para 85% do total de entrevistados trata-se de uma atitude moralmente errada, taxa que cai para 58% entre os que já fizeram - um terço (30%) dos que já trouxeram produtos do exterior sem pagar impostos acha que fez algo moralmente aceitável.

Admitem já ter comprado ou pago para facilitar a obtenção de uma carteira de motorista 2%. Para 95% do total de entrevistados trata-se de um erro moral, taxa que é de 89% entre os que já tomaram tal atitude.

Também são apenas 2% os que já ofereceram um dinheiro por fora, ou uma caixinha, por um serviço, seja no setor público ou privado. Para 94% do total de entrevistados trata-se de uma atitude moralmente errada (89% entre os que já fizeram).

Apenas 1% diz já ter comprado um diploma. Entre os que admitem ter feito isso, 96% acham que se trata de um erro moral (mesma opinião de 84% dos que já compraram um diploma).

A grande maioria dos entrevistados acha que é eticamente errado um político usar dinheiro do governo em viagem de férias (97%), um policial aceitar dinheiro, ou uma caixinha, de uma pessoa que teve seu carro recuperado pela polícia (90%), um político fazer pressão para que um parente obtenha um emprego no governo ou no setor público (89%), um político dar emprego para parentes no governo ou no setor público e um funcionário público aceitar presentes de empresas que são fornecedoras ou prestam serviços para o governo (79% em ambos os casos).

74% dizem sempre obedecer as leis, mesmo se isso fizer com que percam oportunidades

Algumas frases foram apresentadas aos entrevistados, para que eles dissessem se concordam ou discordam delas.

Chega a 74% a taxa dos que concordam com a frase "eu sempre obedeço as leis, mesmo se isso me fizer perder boas oportunidades" (55% concordam totalmente).

Concordam com a frase "a maioria das pessoas que eu conheço tentaria tirar proveito de mim se tivessem a chance" 56%, sendo que 35% concordam totalmente.

Atinge 76% a discordância com a frase "se eu quero ganhar dinheiro, nem sempre posso ser honesto" - 65% discordam totalmente.

A maioria (62%) também discorda da frase "não é possível fazer política sem um pouco de corrupção", dos quais 51% discordam totalmente.

Afirmam que rejeitariam uma oferta de dinheiro para mudar seu voto às vésperas de uma eleição 82%. Admitem que aceitariam dinheiro para trocar de voto 12%.

Por outro lado, quando perguntados como seus compatriotas se comportariam desse tipo de oferta, 79% dizem que os brasileiros, de modo geral, aceitariam uma oferta de dinheiro para mudar de voto.

Para 88% existe corrupção na presidência da república e nos ministérios

O Datafolha perguntou aos entrevistados sobre a existência de casos de corrupção em 20 instituições nacionais. A maioria acredita que existe corrupção em todas elas.

Acreditam que existe corrupção na Presidência da República e ministérios 88%.

Quando se fala no Congresso Nacional, ou seja, entre senadores e deputados federais, 92% acreditam na existência de corrupção, mesma taxa dos que acham que há corruptos nos partidos políticos, de modo geral.

Acreditam existir corrupção no governo do Estado onde moram 87%, e acham que há corrupção na Assembléia Legislativa do seu Estado 86%.

Para 81% existe corrupção na prefeitura da cidade onde moram; percentual idêntico acha que há vereadores corruptos na Câmara de vereadores de sua cidade.

Quando se trata das forças policiais, 81% acham que existe corrupção na Polícia Militar do seu Estado; essa taxa é de 79% no que se refere à Polícia Civil e de 74% no que diz respeito à Polícia Federal.

Para 77% existe corrupção nos clubes de futebol

A percepção de corrupção nas empresas privadas empata com a que é verificada no que diz respeito às empresas estatais: 72% em ambos os casos. Acham que existem corruptos em bancos e financeiras 69%.

Acreditam que há corrupção no Poder Judiciário, ou seja, entre juízes e promotores, 73%, taxa similar à registrada no que se refere aos que veem corruptos nos sindicatos dos trabalhadores (70%).

Para 61% existe corrupção na Imprensa. Acham que existe corrupção nas Forças Armadas 54%, percentual que empata com a dos que acreditam que há corruptos entre os integrantes da Igreja Católica (53%). A taxa dos que percebem corrupção nas igrejas evangélicas é maior, chegando a 64%.

A maior parte dos brasileiros associa corrupção ao governo, segundo a pesquisa realizada pelo Datafolha. Quando solicitados a dizer, espontaneamente, como definem o conceito de corrupção, 43% fazem referências ao setor público ou ao governo, como, por exemplo, apropriação indevida (ou roubo) do dinheiro público (19%), e políticos que utilizam o dinheiro público em benefício próprio (14%).

Citam falta de ética 21%. Roubar bens ou dinheiro, de modo geral, atinge 19%.

São Paulo, 2 de setembro de 2009.

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