Saltar para o conteúdo principal

54% dos brasileiros são contra a lei da palmada

Opinião Pública -

Brasileiros que apanhavam são 72%

Pesquisa Datafolha revela que 54% dos brasileiros são contrários ao projeto de lei que proíbe palmadas. A pesquisa foi realizada entre os dias 20 e 23 de julho de 2010, com 10.905 brasileiros de 16 anos ou mais e com margem de erro para o total da amostra de três pontos percentuais, para mais ou para menos.

Aos entrevistados foi perguntado sobre o nível de conhecimento do projeto de lei encaminhado ao Congresso Nacional pelo Presidente Lula que proíbe palmadas, beliscões e outros castigos físicos aplicados a crianças e adolescente e os brasileiros se mostraram informados: 84% afirmaram ter tomado conhecimento, dos quais 34% estão bem informados, 38% mais ou menos informados e 11% se dizem mal informados. Além disso, 87% das pessoas com filhos disseram ter tomado conhecimento da medida, dos quais 39% se consideram bem informado. Entre aqueles que não têm filhos, 76% tomaram conhecimento.

Questionados se seriam favoráveis ou contrários ao referido projeto de lei, 36% dos entrevistados de todo o Brasil se disseram favoráveis, 54% contrários, 6% indiferentes e 4% não souberam se posicionar. No Norte e Centro-Oeste estão os maiores índices de contrários ao projeto (59%), seguidos pela região Sul (57%), Sudeste (53%) e Nordeste (52%). Os Estados que apresentam as maiores taxas de contrários à medida são Distrito Federal (60%), Minas Gerais (58%), Rio Grande do Sul (57%), Paraná (56%), São Paulo e Pernambuco (52%, cada), Bahia (51%) e Rio de Janeiro (49%).

As mulheres compõem a maior taxa dos que são contrários à medida (55%), bem como aqueles com nível superior (59%) e com renda familiar mensal de mais de dez salários mínimos (61%). Entre aqueles que têm filhos, 56% são contrários ao projeto de lei e 6% são indiferentes.

A pesquisa revela que 72% dos brasileiros apanharam dos pais. Dentre esses, 16% afirmaram que apanhavam sempre, 29% apanhavam de vez em quando e 26% apanhavam raramente. Por ser um evento tão significativo na vida das pessoas, menos de 1% dos entrevistados não se lembram se apanhavam ou não dos pais. Nas regiões Norte e Centro-Oeste e Sul estão os maiores índices entre aqueles que afirmaram apanhar na infância: 79% e 76%, respectivamente, embora esteja no Nordeste a maior concentração daqueles que afirmaram apanhar sempre, 17%. No Sudeste estão os menores índices daqueles que afirmaram ter apanhado dos pais (67%), entre os quais 29% afirmaram ter apanhado de vez em quando, 23% apanhavam raramente e 16% costumava apanhar sempre.

Os Estados que revelaram maiores índices de pessoas que apanharam são: Bahia (75%), Paraná e Distrito Federal (74% cada), Rio grande do Sul (73%), Pernambuco (72%), Rio de Janeiro (70%), Minas Gerais (68%) e, por último, São Paulo (65%). No Paraná, 19% entre aqueles que afirmaram ter apanhado também afirmaram que costumavam apanhar sempre; em Minas Gerais, esse índice é de 18%. Salvador aparece à frente (77%) da lista das capitais nas quais os entrevistados afirmaram ter apanhado, seguido por Curitiba (75%) e Recife (73%). Entre aqueles que costumavam apanhar sempre, os entrevistados em Curitiba somaram 22%, seguida por Belo Horizonte, com 20% e Salvador e Recife, com 17% cada uma.

Quanto maior a escolaridade, menor o índice daqueles que afirmaram ter apanhado: entre aqueles com ensino fundamental, 74% afirmaram ter apanhado, dos quais 21% apanhavam sempre, entre aqueles com ensino médio, o índice baixa para 71%, dos quais 12% apanhavam sempre, e entre aqueles com ensino superior, 66% afirmaram ter apanhado, dos quais 9% apanhavam sempre. Quanto à renda família mensal, a correlação é a mesma: quanto maior a renda, menor a taxa daqueles que apanharam: entre as pessoas que afirmaram ganhar até dois salários mínimos, 73% afirmaram ter apanhado, entre aqueles com mais de dez salários mínimos, 65% afirmaram ter apanhado.

Também foi perguntado aos entrevistados se haviam batido alguma vez em algum filho e 58% deles responderam que sim, que já haviam batido no filho, dos quais 2% afirmaram que bateram e sempre recorrem a esse método, 23% bateram e batem de vez em quando, 33% bateram e o fazem raramente. São nas regiões Sul e Norte e Centro-Oeste que se concentram os maiores índices daqueles que afirmaram já terem batido em filho (61% cada), seguidos pela região Nordeste (58%) e Sudeste (56%). Do mesmo modo, os Estados com as mais altas taxas de pessoas que já bateram nos filhos são: Distrito Federal (66%), Bahia (61%) e Paraná (60%). Os Estados com as maiores taxas de pessoas que nunca bateram nos filhos são: São Paulo (43%) e Rio de Janeiro (40%). Em belo Horizonte 5% dos entrevistados disseram que já bateram e sempre recorrem ao método, em Salvador, 4% disseram que sempre batem nos filhos.

É maior a proporção de mulheres que recorrem a esse método (69%); entre os homens 44% afirmaram que já bateram nos filhos. Quanto maior a escolaridade, menos as pessoas afirmaram recorrer à palmada: entre aqueles com ensino fundamental, 60% o fazem, entre aqueles com ensino médio, 57% e entre aqueles com ensino superior, 53% afirmaram já ter batido nos filhos.

São Paulo, 22 de julho de 2010

Baixe esta pesquisa