Saltar para o conteúdo principal

Dilma vê reprovação subir e alta no apoio a sua saída

Opinião Pública -

A reprovação ao governo Dilma Rousseff (PT) voltou a crescer entre fevereiro e março e, atualmente, 69% consideram a gestão da petista ruim ou péssima, ante 64% no último levantamento. Esse índice é comparável aos 71% de reprovação alcançado por Dilma em agosto de 2015, o mais alto da série histórica do Instituto Datafolha, iniciada em 1989. A taxa de aprovação da presidente oscilou negativamente entre fevereiro e março, de 11% para 10%, e a avaliação regular caiu de 25% para 21%. Há ainda 1% que não avaliou o governo de Dilma.

De 0 a 10, a nota média atribuída ao desempenho de Dilma Rousseff à frente da Presidência atualmente é 3,0, ante 3,5 em fevereiro.

Nesse levantamento, realizado nos dias 17 e 18 de março de 2016, foram feitas 2.794 entrevistas em 171 municípios brasileiros. A margem de erro da pesquisa é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos considerando um nível de confiança de 95%.

Na consulta espontânea sobre qual o melhor presidente que o Brasil já teve, Lula continua a ser o mais citado espontaneamente, embora seu percentual tenha oscilado negativamente, de 37% em fevereiro para 35% atualmente. Em novembro, esse índice era de 39%, e no auge da popularidade do ex-presidente, em novembro de 2010, alcançou 71%. Ou seja, desde que deixou o governo o ex-presidente perdeu metade de seu prestígio como melhor presidente brasileiro.

Embora em trajetória de queda, o petista ainda tem vantagem sobre Fernando Henrique Cardoso, indicado como melhor presidente por 16% dos brasileiros, índice igual ao registrado em fevereiro. Em seguida aparecem Getúlio Vargas (7%), Juscelino Kubitscheck (5%), José Sarney (3%), Itamar Franco (2%), João Baptista Figueiredo (2%), Fernando Collor de Mello (1%) e Dilma (1%), entre outros com menos de 1%. Uma parcela significativa da população (27%), no entanto, não soube ou preferiu indicar nenhum nome.

O apelo de Lula neste tema é maior entre os menos escolarizados (43%), os mais pobres (42%), no Nordeste (53%) e no Norte (49%). Entre os mais escolarizados, o petista (26%) divide a posição com Fernando Henrique (25%). O mesmo ocorre entre os mais ricos (24% para cada um).

A avaliação estimulada sobre o governo mais corrupto desde José Sarney tem o de Dilma como o mais apontado, com 36% (em fevereiro eram 34%), e na segunda posição empatam a gestão de Lula (23%) e de Fernando Collor de Mello (20%). Com índices menores também foram apontados os governos de Fernando Henrique (7%), José Sarney (3%) e Itamar Franco (1%), entre outros com menos de 1%. Para 4%, todos foram corruptos, e 6% não souberam responder.

Cresce apoio à saída de Dilma

O apoio ao afastamento da presidente Dilma Rousseff pelos deputados federais cresceu oito pontos entre fevereiro (60%) e março (68%). Esse é o percentual dos que acreditam que os membros da Câmara deveriam votar a favor do impedimento da presidente, que se opõe as 27% que avaliam que eles deveriam votar contra a saída de Dilma. Há ainda 3% que são indiferentes, e 2% que não opinaram sobre esse processo.

De forma geral, o apoio ao afastamento da petista cresceu em todos os segmentos, porém a intensidade desse crescimento foi mais expressiva entre aqueles que têm de 45 a 59 anos (de 52% para 68%), na parcela dos que tem 60 anos ou mais (de 48% para 61%), entre os mais ricos (de 54% para 74%).

Entre fevereiro e março houve alta expressiva na parcela dos que, independentemente da posição sobre o impeachment da presidente, acreditam que ela será afastada: no levantamento anterior, eram 60% os que não acreditavam no afastamento, e 33% os que acreditavam; atualmente, são 47% e 46%, respectivamente. Há ainda 7% que não opinaram sobre o assunto.

Também houve alta no índice dos que avaliam que Dilma deveria renunciar ao seu mandato, de 58% em fevereiro para 65% no levantamento atual. Para 32%, a petista não deveria renunciar (no mês passado, esse índice era de 37%), e 3% não opinaram.

Se o apoio à saída de Dilma encontra apoio majoritário entre os brasileiros, a perspectiva de um governo liderado pelo vice-presidente Michel Temer (PMDB) não tem o mesmo respaldo: apenas 16% acreditam que um eventual governo do peemedebista seria ótimo ou bom, e para 35% seria ruim ou péssimo. Outros 35% avaliam que Temer faria uma gestão regular, e 15% não têm opinião sobre o tema.

Questionados se um governo Temer seria melhor, igual ou pior do que o atual, liderado por Dilma, 28% disseram acreditar que seria melhor, 22%, que seria pior, e 38%, que seria igual. Os demais (12%) não responderam.

Brasileiros apoiam Moro e veem Lula ministro como fuga de lava-jato

A maioria dos brasileiros (82%) apoia a decisão do juiz Sérgio Moro de obrigar o ex-presidente Lula a depor no último dia 4 de março, quando Lula foi levado pela Polícia Federal para dar depoimento no Aeroporto de Congonhas. Uma parcela de 13%, por outro lado, avalia que Moro agiu mal ao tomar essa decisão, e 5% não tem opinião a respeito.

O convite da presidente Dilma para Lula assumir um ministério em seu governo também é reprovado pela maioria dos brasileiros - neste caso, por 73%, taxa dos que avaliam que ela agiu mal ao fazer o convite ao seu antecessor. Para 22%, Dilma agiu bem, e 5% não opinaram.

A presença de Lula no ministério não irá melhorar o desempenho do governo Dilma, acredita a maioria dos brasileiros. Com Lula como ministro, a atual gestão do país irá piorar, segundo 36% dos brasileiros, ou ficará como está, opinam 38%. Uma fatia de 21% é mais otimista e acredita que o governo irá melhorar com o ex-presidente como ministro, e 5% não opinaram.

Questionados sobre a principal motivação do ex-presidente Lula para assumir um ministério no governo Dilma, tendo como opções ajudar o governo Dilma ou obter foro privilegiado diante da Operação Lava-Jato, 68% indicaram que a motivação do ex-presidente foi obter foro privilegiado diante da Operação Lava Jato, e 19% indicaram a opção por ajudar o governo Dilma Rousseff. Uma parcela de 7% indicou que ambas as motivações levaram Lula a aceitar o cargo de ministro, e 5% não opinaram.

Entre aqueles que estudaram até o ensino superior, 79% avaliam que a principal motivação de Lula ao assumir um ministério foi obter foro privilegiado diante da Lava Jato; na parcela que estudou até o ensino fundamental, o índice cai para 55%, e fica cima da média (27%) a fatia dos que avaliam que a motivação foi ajudar o governo Lula. No Nordeste, o índice dos que acreditam que o ex-presidente teve a motivação de obter foro privilegiado também fica abaixo da média, porém ainda é majoritário (57%).

Uma parcela de 37% dos brasileiros veem a corrupção como o principal problema do país. É a segunda vez que consecutiva que esse tema alcança o topo do principal problema do país, após alcançar 34% em novembro. Antes de aparecer de forma isolada como grande problema nacional, a corrupção divida essa posição com a saúde, ao longo de 2015, com índices acima de 20%, e antes disso ficava sempre abaixo de 20%.

A saúde é vista como o principal problema do Brasil, hoje, por 17% (em junho de 2013, chegou a 48%), e está empatada com o desemprego (14%), que vem ganhando destaque nos levantamentos recentes. Problema mais apontado pela população entre 1996 e 2006, quando começou a dar lugar a outras preocupações dos brasileiros, como violência e saúde, o desemprego era visto por apenas 4% dos brasileiros como o principal problema do país em dezembro de 2014. Desde então, vem ganhando espaço, chegando a 8% em abril de 2015, a 11% em junho 2015, e agora aos 14%.

Na sequência aparecem ainda problemas ligados à economia, mencionados por 7%; educação (5%); questões ligadas à segurança e violência (4%); e inflação (3%), além de outros temas com menor percentual.

Entre os brasileiros com curso superior, 49% apontam a corrupção como principal problema do país. Esse índice fica em 37% entre os que estudaram até o ensino médio, e em 29% entre aqueles com escolaridade fundamental. Nesse último segmento, ganha destaque a saúde (24%) e o desemprego (18%).

Baixe esta pesquisa