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Presença de Lula na eleição divide população brasileira

Opinião Pública -

A parcela de brasileiros que acredita que Lula deveria ser preso após o que foi revelado pela Operação Lava-Jato e seus desdobramentos não sofreu alteração com a confirmação da condenação do petista em segunda instância, ocorrida na semana passada. Em setembro do ano passado, 54% declaravam que o petista deveria ir para a prisão. Hoje, diante da mesma questão, esse índice é de 53%. Para 44%, Lula não deveria ser preso (em setembro, 40%), e há 3% que preferiram não opinar (no levantamento anterior, 5%).

No mesmo período, porém, subiu de 28% para 39% o índice dos que acreditam que ele será preso, apesar da maioria (56%) avaliar que o petista não irá para a prisão (em setembro, 66% tinham a mesma opinião).

A maioria (76%) brasileiros declara ter tomado conhecimento do julgamento do ex-presidente Lula, na última semana. Apenas 24%, porém, estão bem informados sobre o assunto, e os demais estão mais ou menos informados (42%) ou mal informados (9%), além dos 24% que não tomaram conhecimento. Entre os menos escolarizados, 66% tomaram conhecimento do julgamento, e 16% estão bem informados sobre ele. Na parcela dos mais escolarizados, o índice de conhecimento atinge 93%, com 46% se declarando bem informados a respeito.

Informados de que o julgamento da semana passada condenou o ex-presidente Lula a 12 anos e um mês em regime fechado, 50% consideraram a decisão justa, e para 43% foi injusta, além de 7% que preferiram não opinar. Entre os brasileiros mais pobres, com renda mensal familiar de até 2 salários, 51% avaliaram a condenação injusta, e para 41% foi justa. Nos segmentos de renda familiar acima de 2 salários, a situação se inverte e a maioria considera justa a condenação do petista. Entre quem tem rendimento de 2 a 5 salários, 60% avaliam que a condenação foi justa, e 36%, que foi injusta. Na parcela com renda de 5 a 10 salários, 64% indicam que houve justiça, e 34%, que houve injustiça. Entre quem tem renda superior a 10 salários, 62% indicaram que a decisão foi justa, e 34%, que foi injusta.

No cenário eleitoral em que os principais postulantes à Presidência são Jair Bolsonaro, Marina Silva, Geraldo Alckmin, Ciro Gomes e Luciano Huck, há divisão sobre a decisão que condenou Lula na semana passada. Entre os que optam por Bolsonaro, 74% acreditam que a decisão foi justa, e 23%, que foi injusta. Na fatia que prefere Alckmin, 63% veem justiça, e 32%, injustiça. Os potenciais eleitores de Marina e Huck se dividem ao meio: entre os que preferem a ex-senadora da Rede, 47% avaliaram a decisão como justa, e 49%, como injusta; no caso dos adeptos do apresentador de TV, 49% apontaram a decisão como justa, e 46%, como injusta. Na parcela que votaria em Ciro, 58% avaliam que houve injustiça, e 35%, que houve justiça no caso da condenação do ex-presidente.

Para a maioria (54%) dos brasileiros, Lula sabia da corrupção em seu governo e deixou que ela ocorresse, e os demais avaliam que ele sabia mas não podia fazer nada para que ela não ocorresse (29%), que ele não sabia da corrupção em seu governo (13%) ou não opinaram (5%). Entre aqueles com nível superior de ensino, 72% acreditam que Lula sabia da corrupção ao longo de sua gestão e deixou que ela ocorresse. Na parcela menos escolarizada, essa opinião é compartilhada por 37%, e sobe para 22% a taxa dos que acreditam que ele não sabia da corrupção.

Questionados sobre a maneira como a Justiça brasileira trata os casos de corrupção envolvendo Lula e os demais políticos, 37% avaliaram que a Justiça trata Lula igual aos outros políticos envolvidos em corrupção, e uma fatia similar, de 35%, avalia que o tratamento dispensado ao petista é pior do que a outros políticos na mesma situação. Para 22%, o tratamento dado a Lula é melhor do que a outros políticos envolvidos em corrupção, e 6% não opinaram sobre o tema. Na fatia que vota no petista, 58% veem um tratamento pior do que o dispensado a demais políticos por parte da Justiça, e 25% avaliam que o tratamento é igual.

Os brasileiros também foram consultados sobre a rapidez dos casos de corrupção envolvendo Lula e outros políticos envolvidos em casos de corrupção: 41% avaliam que os casos envolvendo Lula são tratados com mais rapidez pela Justiça do que os que incluem outros políticos. Para 32%, os casos do petista são tratados com menos rapidez, e 21% avaliam que a rapidez é a mesma para todos. Além disso, há 6% que preferiram não opinar.

No cenário eleitoral sem Lula, tendo como principais candidatos Bolsonaro, Ciro, Marina, Alckmin e Huck, os potenciais eleitores desses presidenciáveis também se dividem em relação à celeridade da condução dos casos de corrupção envolvendo o ex-presidente petista. Na parcela que votaria em Bolsonaro, 40% acreditam que a Justiça trata os casos de Lula com menos rapidez do que o de outros políticos envolvidos em corrupção, e 30% avaliam que há mais rapidez quando o réu é o petista.

Questionado se Lula irá disputar a eleição neste ano, 53% dizem que sim, porém há graus de certezas diferentes em relação a isso: 32% avaliam que com certeza o petista estará na disputa presidencial, e para 21% ele talvez dispute a eleição. Uma fatia de 43% avalia que ele não estará na eleição de outubro, e 4% preferiram não opinar.

Na consulta se Lula deveria ou não estar na próxima disputa eleitoral, há empate técnico: 51% avaliam que o ex-presidente deveria ser impedido de ser candidato, e para 47% ele deveria poder disputar a eleição. Entre os mais pobres, 58% querem ver o petista na corrida presidencial, ante 30% na fatia dos mais ricos. Na região Nordeste, 71% avaliam que ele deveria estar na disputa, e no Norte são 53%. Nas demais regiões, a maioria apoia que Lula fique fora da próxima disputa pela Presidência.

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