No Rio, maioria aprova intervenção, mas não vê melhora na segurança

DE SÃO PAULO

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A maioria dos cariocas (76%) é favorável à intervenção do Governo Federal que convocou o Exército para combater a violência no Rio de Janeiro, e 20% são contra a medida, além de 5% que preferiram não opinar ou são indiferentes. Na primeira quinzena de março, em pesquisa realizada na semana anterior à execução da vereadora Marielle Franco (PSol) no Centro do Rio de Janeiro, 79% apoiavam a intervenção, e 17% eram contrários a ela. Em outra consulta sobre a presença dos militares nas ruas do Rio, em outubro do ano passado, o Datafolha já havia questionado os moradores do Rio sobre a convocação do Exército para combater a criminalidade na cidade, e 83% se manifestaram a favor - à época, houve convocação do Exército para atuar no enfrentamento ao crime na Rocinha, favela mais populosa da capital fluminense.

A oposição à intervenção é mais alta entre os mais jovens (31%) e entre moradores da Zona Sul, incluindo a Tijuca (34%). Não há diferença de apoio significativo entre os cariocas que declaram morar em comunidades (78%) e aqueles que não moram nesses locais (75%).

A atuação do Exército, porém, não surtiu efeito até o momento, segundo 71% dos cariocas que apontam que o combate à violência no Rio continuou igual depois que os militares foram às ruas. Para 21%, a situação melhorou após a atuação do Exército, e há ainda 6% que avaliam que a situação piorou, além de 2% que preferiram não opinar sobre o tema. A comparação com a pesquisa mais recente sobre o tema, realizada há duas semanas, mostra que a avaliação de que a ação dos militares não fez diferença oscilou dentro da margem de erro (era de 69%), e caiu a avaliação de que houve melhora no combate à violência (era de 27%). A fatia dos que acreditam que a situação piorou passou de 2% para 6% no mesmo período. A comparação com resultados de pesquisa feita em outubro sobre a percepção da presença do Exército no combate à violência mostrava visão mais positiva sobre seus efeitos: 44% viam melhora, e para 52% a situação continuava igual.

De forma geral, 79% são a favor da atuação do Exército na segurança pública do Rio de Janeiro, e 18% são contra. A parcela dos que indiferentes e sem opinião sobre o tema soma 3%. A oposição à presença do Exército nas ruas da cidade é mais alta entre os mais jovens (27%), entre os cariocas com ensino superior (25%), na fatia dos mais ricos (30%) e entre moradores da Zona Sul (35%).

A avaliação do legado da intervenção mostra que 52% estão otimistas e avaliam que a situação irá melhorar até o fim da ação do Governo Federal na área de segurança do Rio, e 36% acreditam que a situação ficará como antes da intervenção. Para 8%, a situação irá piorar, e 4% preferiram não opinar sobre o assunto.

O otimismo é mais baixo entre os mais jovens (46%) e na Zona Sul da cidade, incluindo a Tijuca (39%, ante 47% que avaliam que a situação não irá mudar). Na região da Barra da Tijuca, por outro lado, 59% preveem que a situação irá melhorar até o fim da intervenção, índice que também fica acima da média na Zona Oeste (58%).

39% DOS MORADORES MUDARAM A SUA ROTINA DIÁRIA POR CAUSA DA VIOLÊNCIA

O índice de cariocas que declarou que mudou sua rotina devido a violência na cidade se manteve estável. O índice oscilou de 60%, no início do mês, para 61%. Já, 39% declararam que mudaram a sua rotina diária devido à violência (era 40% no início do mês). Desses, 12% declararam que não saem de casa à noite, 10% mudaram as rotas diárias afim de evitar determinados lugares, 6% não saem mais de casa em qualquer horário, 6% deixaram de ir a bares ou locais de lazer, 5% mudaram o horário de seus compromissos para voltar mais cedo para casa, 3% evitam utilizar celular na rua e saem com poucos pertences, 2% mudaram de pontos de ônibus que utilizavam, entre outras respostas menos citadas.

Não são observadas diferenças significativas por região da cidade e entre os moradores das Comunidades (66% declararam que não mudaram a sua rotina diária por conta da violência, ante 34% que sim).

Quando perguntados de quem mais tem medo, dos traficantes, da polícia, dos criminosos em geral ou das milícias, 25% dos moradores da capital fluminense declararam ter mais medo dos traficantes e 20% da polícia. Traficantes e polícia estão tecnicamente empatados como os mais temidos pelso moradores do Rio de Janeiro. Uma parcela de 17% declarou espontaneamente ter medo todos na mesma proporção, 16% mais medo dos criminosos comuns, 16% das milícias e 5% não opinaram.

PARA 60%, OS RESPONSÁVEIS PELO ASSASSINATO DA VEREADORA MARIELLE FRANCO SERÃO PRESOS

Seis em cada dez cariocas (60%) têm a expectativa que os responsáveis pelo assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) serão presos. Sendo que 41% acreditam que a prisão levará algum tempo para acontecer e 19% que ela irá acontecer em pouco tempo. Um terço (32%) acredita que os responsáveis pelo assassinato da vereadora não serão presos e 8% não opinaram. Entre os mais jovens o pessimismo é mais alto, 43% não acreditam que os responsáveis serão presos.

Os entrevistados estão divididos quanto ao modo que a investigação está sendo conduzida pela Polícia. Uma parcela de 37% aprova a maneira como a investigação está sendo conduzida, 34% a avaliam como regular, 17% a reprovam e 12% não opinaram.

Os cariocas também ficaram divididos quanto à avaliação da cobertura da mídia sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco. Para 43%, a mídia está dando mais importância do que o fato merece, para 38%, a mídia está dando a importância que o fato merece e para 13%, menos importância do que merece. Uma parcela de 6% opinou.

Quanto às várias notícias que circularam nos últimos dias nas redes sociais a respeito da vereadora Marielle Franco, o Datafolha questionou os entrevistados se tomaram conhecimento delas. Das cinco notícias apresentadas ("Marielle foi casada com o traficante Marcinho VP", "Marielle defendia bandidos", "Marielle tinha envolvimento com facções criminosas", "Marielle foi eleita pelo Comando Vermelho" e "Marielle ajudava famílias de policiais mortos"), parcela significativa dos entrevistados tomou conhecimento.

As notícias com maiores taxas de conhecimento foram: "Marielle foi casada com o traficante Marcinho VP", com 60% (desses, 6% avaliaram o conteúdo como verdadeiro, 45% como falso e 9% não souberam dizer se era verdadeiro ou falso) ante 40% que não tomaram conhecimento, "Marielle defendia bandidos", com 57% (desses, 15% avaliaram o conteúdo como verdadeiro, 35% como falso e 7% não souberam dizer se era verdadeiro ou falso) ante 43% que não tomaram conhecimento, "Marielle tinha envolvimento com facções criminosas", com 56% (desses, 9% avaliaram o conteúdo como verdadeiro, 40% como falso e 7% não souberam dizer se era verdadeiro ou falso) ante 44% que não tomaram conhecimento, e "Marielle foi eleita pelo Comando Vermelho", com 51% (desses, 8% avaliaram o conteúdo como verdadeiro, 36% como falso e 7% não souberam dizer se era verdadeiro ou falso) ante 49% que não tomaram conhecimento.

Com taxas de conhecimento mais baixas aparece a notícia: "Marielle ajudava famílias de policiais mortos", com 40% (desses, 27% avaliaram o conteúdo como verdadeiro, 8% como falso e 5% não souberam dizer se era verdadeiro ou falso) ante 60% que não tomaram conhecimento.