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Otimismo com economia é recorde

Opinião Pública -

Os brasileiros estão otimistas como nunca estiveram nas últimas duas décadas, pelo menos quando o assunto é a economia. Indicadores que medem a expectativa sobre inflação, desemprego e poder de compra mostram indícios nesse sentido, e a previsão sobre a melhora da economia brasileira nos próximos meses consolida o quadro geral.

Em agosto deste ano, 11% previam que a inflação iria diminuir nos meses seguintes, índice que agora é de 35%, o mais alto registrado desde dezembro de 2014. A previsão de que a inflação irá subir caiu de 54% para 27% desde agosto, e a de que irá ficar como está passou de 28% para 33%.

Os números para o desemprego são ainda mais otimistas: para 47%, o desemprego irá diminuir daqui para frente, taxa que representa uma alta de 28 pontos percentuais na comparação com agosto deste ano (19%) e é o mais alto da série histórica, que neste caso começa em março de 1995. O segundo índice mais positivo para este indicador foi registrado em novembro de 2010, quando 41% previam queda na desocupação. Entre agosto e dezembro deste ano houve ainda queda de 48% para 29% no índice de expectativa de alta no desemprego, e de 28% para 21% na previsão de desemprego estável. Na parcela de eleitores de Bolsonaro, 63% preveem queda no desemprego, e para 15% a situação ficará estável.

Para 43%, o poder de comprar dos salários também irá aumentar nos próximos meses, ante os 22% registrados em agosto deste ano. Para 36%, o poder de compra dos brasileiros ficará como está, e 18% acreditam que irá diminuir. Na série do Datafolha sobre o tema, o índice mais alto registrado para o indicador de alta no poder de compra foi registrado em março de 2013, durante o governo Dilma, quando o índice atingiu 49%.

A expectativa de que situação da economia brasileira irá melhorar nos próximos meses é compartilhada por 65%, alta de 42 pontos percentuais na comparação com o último levantamento sobre o assunto, de agosto. Há ainda 24 % que preveem que a economia irá ficar como está (eram 41%), e para 9% irá piorar (eram 31%). Essa previsão otimista supera em 10 pontos percentuais o segundo resultado mais positivo da série histórica, registrado em março de 2006, quando 55% estavam otimistas sobre a economia do país. Entre os eleitores de Bolsonaro, 81% preveem melhora da economia.

Na consulta sobre a situação econômica pessoal, 67% preveem que irá melhorar nos próximos meses, 25% avaliam que ficará como está, e para 6% vai piorar. Em agosto, esses índices eram de 38%, 44% e 14%, respectivamente.

Uma parcela de 37% dos brasileiros avalia que a situação do país piorou nos últimos meses, índice mais baixo registrado desde junho de 2015, quando o tema começou a fazer parte de pesquisas de opinião realizadas pelo Datafolha. Neste primeiro levantamento, 82% analisavam que a situação do país havia piorado nos meses anteriores. Na última pesquisa a respeito, realizada em junho deste ano, 72% ainda viam deterioração da economia do país nos meses anteriores, cerca de metade do número atual. Desde junho, passou de 20% para 42% a opinião de que a economia ficou estável, e de 6% para 20% o índice dos que viram melhora no cenário.

A taxa dos que viram melhora na situação econômica é de 27% entre os homens, e de 14% entre as mulheres. A percepção sobre esse cenário mais positivo varia conforme a renda, sendo que entre os mais pobres ele é menos comum. Na faixa de quem tem renda mensal de até 2 salários, 16% acreditam que a economia melhorou, ante 31% na faixa de 5 a 10 salários e 35% entre quem tem renda superior a 10 salários, segmentos que representam a população mais rica do país.

Na avaliação sobre a situação econômica pessoal, 20% apontavam que houve melhora, 30%, que houve piora, e 49%, que a situação é estável. Também neste caso houve mudança de percepção desde o levantamento de junho, quando esses índices eram de 10%, 40% e 49%, respectivamente.

Os dados da pesquisa mostram também que 50% avaliam que a crise econômica deve acabar em breve e que o país voltará a crescer nos próximos meses, enquanto 42% ainda acreditam que a crise deve demorar para acabar, e que, portanto, o Brasil não vai voltar a crescer tão cedo. Apenas 5% acreditam que a crise já acabou e que o país já voltou a crescer. Esse resultado também aponta para uma queda na percepção negativa sobre a economia do país em um curto espaço de tempo: em junho deste ano, dois em cada três brasileiros (67%) avaliavam que a crise demoraria para acabar, e que não haveria crescimento tão cedo; a avaliação de que a crise estava no fim e que logo haveria crescimento era compartilhada, à época, por 27%.

Na parcela da população que está otimista com o governo Bolsonaro, 62% avaliam que a crise está no fim e que logo a economia voltará a crescer, índice acima da média, enquanto 30% acreditam que a crise econômica ainda deve demorar para acabar.

A maioria (55%) dos brasileiros considera o Brasil um lugar ótimo ou bom para viver, e um em cada três (32%) o considera regular. A fatia descontente, que avalia a vida no país como ruim ou péssima, soma 14%. A taxa de satisfação com o Brasil é mais baixa entre os mais jovens (37%), e mais alta entre os mais velhos (71%). Os otimistas com o governo Bolsonaro têm avaliação mais positiva do país (61% consideram ótimo ou bom), enquanto entre os pessimistas fica acima da média a avaliação negativa do Brasil (24%).

O índice atual de satisfação com o Brasil fica abaixo do registrado em junho deste ano (60%). Na série histórica que tem início em março de 2000, a taxa mais alta de avaliação positiva (ótimo + bom) é a de julho de 2005 (80%).

Uma parcela também majoritária, de 69%, sente mais orgulho do que vergonha de ser brasileiro, enquanto 28% têm mais vergonha do que orgulho. Há ainda 3% que têm outras considerações sobre o tema ou preferiram não opinar. Entre os que preveem um governo Bolsonaro ótimo ou bom, 72% têm mais orgulho do que vergonha, índice que cai para 61% entre os que esperam um cenário negativo na gestão do próximo presidente. Na comparação com o levantamento de junho, o índice de brasileiros orgulhos cresceu 9 pontos (era de 60%).

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