Os brasileiros, em sua maioria, são tolerantes em relação à homossexualidade, mas essa postura liberal varia conforme o assunto em pauta: quando se fala na liberação do uso de drogas, por exemplo, a posição é conservadora. Para questões sociais, a diversidade de posições é a mesma: a maioria vê a pobreza ligada a desigualdades sociais, mas também acredita que a maior causa dos crimes é a maldade das pessoas, e não a falta de oportunidades iguais para todos. Esses e outros assuntos foram abordados pelo Datafolha em levantamento em que os entrevistados foram orientados a escolher, entre duas frases, qual delas refletia melhor sua posição.
Entre os temas consultados, o que menos divide opiniões diz respeito à influência da crença em Deus na vida de uma pessoa. Para 86%, acreditar em Deus torna as pessoas melhores, e 13% dizem que acreditar em Deus não necessariamente torna uma pessoa melhor. Na fatia de brasileiros com menor escolaridade, que estudaram até o ensino fundamental, chega a 92% os que concordam que a crença em Deus torna uma pessoa melhor. No grupo dos que estudaram até o ensino superior ocorre o inverso, e fica acima da média (27%) a taxa dos que dizem que acreditar em Deus não torna necessariamente uma pessoa melhor.
A defesa da proibição das drogas encontra respaldo similar à posição sobre a crença em Deus: 83% concordam que "o uso de drogas deve ser proibido porque toda a sociedade sofre as consequências", enquanto 15% defendem a posição contrária, de que o "o uso de drogas não deve ser proibido, porque é o usuário que sofre com as consequências".
Em outra questão, 69% defendem que a homossexualidade deve ser aceita por toda a sociedade, enquanto 25% acreditam que a homossexualidade deve ser desencorajada por toda a sociedade. Entre os mais jovens, de 16 a 24 anos, chega a 76% os que concordam mais com a primeira posição, índice que cai a 56% entre aqueles com 60 anos ou mais.
Uma fatia similar (68%) à que concorda com aceitação da homossexualidade pela sociedade defende que a posse de armas deve continuar proibida pois representa uma ameaça à vida de outras pessoas, enquanto 30% defendem que possuir uma arma legalizada deveria ser um direito do cidadão para se defender. Na região Sul, o índice dos que concordam mais com o direito a portar armas fica acima da média (43%).
Também fica em 68% o percentual de brasileiros que defendem que "adolescentes que cometem crimes devem ser punidos como adultos", ante os 31% que acreditam que "adolescentes que cometem crimes devem ser reeducados".
Em relação à pobreza, 61% acreditam que "boa parte da pobreza está ligada à preguiça de pessoas que não querem trabalhar", enquanto 37% adotam uma posição diversa ao defender que "boa parte da pobreza está ligada à preguiça de pessoas que não querem trabalhar". Na fatia dos mais jovens, 70% ligam a pobreza à falta de oportunidades. Esse percentual cai na medida em que aumenta a faixa etária dos entrevistados e, entre os mais velhos, fica acima da média (48%) a taxa dos que relacionam pobreza com preguiça. Na região Sul, há uma divisão: 50% concordam mais que boa parte da pobreza está ligada à falta de oportunidades iguais para todos, e 48% concordam mais que boa parte da pobreza está ligada à preguiça das pessoas.
Para 58% dos brasileiros, a maior causa da criminalidade é a maldade das pessoas, e 39% apontam que a maior causa da criminalidade é a falta de oportunidades iguais para todos. No Nordeste, fica acima da média (46%) o percentual dos que concordam mais com a segunda posição. O levantamento também mostra que, quanto menor o grau de escolaridade, maior a tendência a acreditar que a criminalidade está ligada à maldade das pessoas: entre aqueles que estudaram até o ensino fundamental, 64% aderem a essa posição; na fatia dos que estudaram até o ensino médio, são 58%; e entre os que chegaram ao ensino superior, fica em 44%.
Sobre a aplicação da pena de morte, 42% acreditam que é a melhor medida para indivíduos que cometem crimes graves, enquanto 55% indicam que "não cabe à Justiça matar uma pessoa mesmo que ela tenha cometido um crime grave" - uma fatia de 3% não soube responder. Entre aqueles que possuem ensino superior, 63% aderem à segundo posição, contra a pena de morte.
Na questão que mais dividiu os entrevistados, 49% indicaram que "os sindicatos são importantes para defender os interesses dos trabalhadores", fatia similar (46%) a dos que indicaram que "os sindicatos servem mais para fazer política do que defender os trabalhadores". Outros 4% não souberam responder. Também é entre os brasileiros que fizeram o ensino superior que a posição de que os sindicatos servem mais para fazer política encontra mais respaldo (54%).